Posted 18/08/2011 by José Pedro Teixeira in Colunas
 
 

Atlético Madrid: o relatório

atleti_2011
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A

época 2010/11 começou promissora para os pupilos, à data, de Quique Flores. A harmonia de um plantel com De Gea, Reyes, Simão, Forlán, Jurado e Agüero parecia uma certeza após a vitória categórica, na Supertaça Europeia, frente ao Inter de Benítez, por uns claros 2-0. Igualmente notável era o facto de o «Atleti» apresentar, nesse jogo, 10 dos 11 titulares que afundaram o Fulham, na final da Liga Europa 2009/10. O mar de rosas não durou muito tempo e a direcção do Atlético de Madrid acabaria por ceder, em Agosto, Jurado ao Schalke 04 e Simão, na janela de transferências de Inverno, ao Besiktas. As chegadas de Godín do Villareal, Juanfran do Osasuna, Elias do Timão, Fran Merida do Arsenal e de Filipe Luís do Deportivo da Corunha não foram suficientes para projectar os «colchoneros» de encontro a uma época de sucesso. Eliminados nos quartos-de-final da Taça do Rei pelo Real Madrid e da Liga Europa na fase grupos (mercê de uma incrível derrota, em casa, frente ao Aris), também não conseguiram, na Liga BBVA, ir além de um deprimente 7º lugar, ex-aequo com Sevilha e Atlético de Bilbao. A desvantagem no confronto directo com estas duas equipas conduziria a equipa de Madrid à 3ª pré-eliminatória de acesso à Liga Europa.

No fim de tão frustrante temporada para os adeptos «rojiblancos», Quique Flores não teve outra solução que não a de sair do clube, deixando em mãos um complexo problema de sucessão. Problema este que se agudizou com as noticiadas recusas de Rafa Benítez (ex-Inter de Milão), Joaquín Caparrós (ex–Athletic Bilbao) e Luis Enrique (ex–Barcelona B). A quarta opção terá sido o actual líder do balneário madrileno, Gregorio Manzano. A solução encontrada tem algumas peculiaridades que contribuem para um ambiente de alguma instabilidade no seio dos «colchoneros»: desde 1998, Manzano passou por 9 clubes, sendo que em apenas um desses ficou por mais de uma temporada. A esse factor juntam-se as saídas de Kun Agüero e De Gea, os dois elementos nucleares em cada extremo do terreno de jogo, para Manchester City e Manchester United, e a de Ujfalusi para os turcos do Galatasaray. Se as saídas podem contribuir para a incerteza que paira sobre a equipa, é indiscutível que a entrada de cerca de 65 milhões de euros para os cofres do Atlético de Madrid pode trazer mais talento à equipa. Falcao e Osvaldo são dois dos nomes falados para reforçar o ataque «colchonero», mas parece faltar, acima de tudo, alguém que auxilie (ou substitua), de forma consistente, Forlán na construção de jogo pelo centro do terreno. Diego (ex–Wolfsburgo) poderia ser uma opção acertada, se devidamente motivado e enquadrado no balneário. Arda Turan é reforço confirmado e até poderá ser a unidade de criação no centro do terreno. No entanto, o facto de ser, de raiz, um flanqueador, não pode ser esquecido.

Gregorio Manzano parece, de alguma forma, indeciso no que toca ao melhor esquema a utilizar pelo seu «onze» em campo. Alterna de maneira algo aleatória entre o 4x4x2 clássico e um 4x3x3 que conjuga poder criativo e de explosão nos flancos com segurança e consistência no meio campo, resultado da utilização de três médios interiores «pendulares» em simultâneo.

 

2011/12: Jogo a Jogo

Atlético Madrid 2-1 Strømsgodset

 
Atlético Madrid 2-1 Strømsgodset

Na 2ª parte, após a expulsão de Miranda:

Atlético Madrid 2-1 Strømsgodset

Strømsgodset 0-2 Atlético Madrid

 
Strømsgodset 0-2 Atlético Madrid

Na 2ª parte, após as substituições:

Strømsgodset 0-2 Atlético Madrid

 

Atlético Madrid: «Onze» Provável (4x3x3)

Atlético Madrid: 4x3x3

 

Atlético Madrid: «Onze» Alternativo (4x4x2)

Atlético Madrid: 4x4x2

 
– Depois de várias experiências em 4x3x3 nos jogos particulares de pré-temporada, Gregorio Manzano deverá dar uma oportunidade à sua formação predilecta em jogos oficiais do «Atleti».

– Na baliza, Joel deverá manter o estatuto de titular, dando sequência à opção de Manzano nos primeiros jogos oficiais em 2011/12. Courtois, jovem promessa belga emprestada pelo Chelsea, e Asenjo, regressado de lesão prolongada, disputarão um lugar no banco.

– O quarteto defensivo está longe de ser considerado um dogma indiscutível. À direita não deverão existir surpresas e Sílvio jogará. No centro da defesa, Domínguez é quase uma certeza. Ao seu lado, é provável que surja João Miranda, não sendo de excluir, no entanto, a possibilidade de Perea ser o titular. Na esquerda, as dúvidas são maiores: o capitão López e o brasileiro Filipe Luís disputam o lugar. Em caso de lesões ou expulsões, deverá ser Perea a primeira opção, tanto para a direita como para o centro da defesa.

– No centro do terreno, confirmando-se o 4x3x3, o timoneiro «colchonero» não terá grandes dúvidas e deverão jogar Paulo Assunção, mais recuado, com o intuito de cortar o espaço entre-linhas e sem grandes ordens para se aventurar nos processos de construção de jogo de ataque. À sua frente, Gabi e Tiago, lado a lado, tirando proveito das suas características de «box to box», deverão procurar alternar entre entidades fundamentais do bloco de pressing da equipa e obreiros primários dos lances ofensivos madrilenos. Será comum ver Gabi, mais do que Tiago, a pressionar mais alto, tendo alguma tendência para o fazer, por vezes, de forma impulsiva, podendo subir para pressionar, inclusive, o guarda-redes adversário. Pode desequilibrar os processos defensivos da equipa aquando destas acções, o que se torna mais grave, no entanto, em 4x4x2, na ausência da entidade compensadora: Paulo Assunção. Refira-se ainda a habilidade destes dois jogadores para executarem passes longos, procurando colegas de equipa (tanto os extremos como Adrián) nas costas da defesa oponente. É provável que, em desvantagem, o treinador abdique de Paulo Assunção e lance uma solução mais ofensiva, como Salvio, podendo, nessa situação, variar a equipa para 4x4x2.

– No ataque, o tridente vai ser constituído por José Antonio Reyes e Diego Forlán, por fora, e Adrián López, como ponta-de-lança mais fixo. Será bastante frequente ver trocas de flancos entre Reyes e Forlán, sendo que o grande perigo para o Vitória poderá advir das diagonais que estes dois jogadores são capazes de realizar quando partem do flanco oposto ao seu melhor pé (nomeadamente no caso de Reyes). Adrián, apesar de dever iniciar o jogo com ordens para jogar fixo no centro do ataque, poderá, sob influência de algumas condicionantes intrínsecas do jogo, descer um pouco no terreno para facilitar a formação de linhas de passe ao meio-campo. Dada a qualidade dos reforços falados para este sector da equipa, não é de admirar a possível entrada directa para o «onze» de algum deles, em detrimento de Adrián.

 

Chaves

1. Arte nos flancos – Olhando à totalidade de jogadores à disposição de Manzano, torna-se óbvia a prevalência, não só em número mas igualmente em qualidade, de jogadores que actuam nos flancos comparativamente aos que actuam no miolo. No sector defensivo, Antonio López, Sílvio e, acima de tudo, Filipe Luís são elementos com grande capacidade de subir no terreno e, com Reyes, Juanfran e Salvio, desequilibrar os números da relação entre extremo e lateral adversário, originando facilmente situações de 2×1. Este último é um jogador claramente a ser tido em conta pelo excelente binómio velocidade-técnica que consegue conjugar em momento ofensivo. No ataque, o benjamim Fran Merida, o experiente Juanfran, o combativo Salvio e o veloz artista Reyes são jogadores de características distintas, embora todos acabem por ter papéis semelhantes nas formações de Manzano. Como se não fosse suficiente o já descrito, os avançados Adrián e Forlán têm, de igual modo, capacidade para descair para os flancos em determinadas situações de jogo e, daí, partir para a definição de jogadas, com diagonais em direcção à baliza. Ao cuidado de futuros adversários, a aquisição de Arda Turan, jogador que pode reforçar ainda mais este ponto-chave, dada a sua apetência para ocupar terrenos mais próximos das linhas laterais.

2. Diego Forlán – O uruguaio merece ser considerado, por si só, uma chave da equipa «colchonera». Nele podem identificar-se e descrever-se algumas sub-chaves. Polivalência: pode actuar, praticamente, em qualquer posição do meio-campo para a frente a um nível muito satisfatório. Manzano tem optado por colocá-lo, em 4x4x2, ao lado de Adrián, como avançado-centro / falso ponta-de-lança e, em 4x3x3, ocupando um dos flancos do ataque, quase encarnando o papel de extremo. Imprevisibilidade: ambidextro, finta curta altamente eficaz, leitura de jogo tremenda e com grande celeridade, causa o pânico nas defesas adversárias. O um para um deve ser evitado por qualquer adversário. Finalização: 74 golos em 134 jogos pelo Atlético de Madrid mostram bem a capacidade concretizadora do jogador, particularmente se for tido em conta que nem sempre actua como avançado-centro. Experiência: 32 anos de idade, vice-capitão de equipa, Pichichi duas vezes, vencedor de uma Golden Ball (melhor jogador do Mundial 2010) e detentor de inúmeros títulos colectivos; desde a Premier League à Liga Europa, passando por uma Taça Intertoto e uma FA Cup.

3. Soluções no banco – Embora a lista de substitutos nem sempre seja digna de deixar alguém espantado pela sua qualidade galáctica, é altamente consistente e dará a Gregorio Manzano alguma segurança na hora de mexer na equipa. No eixo central da defesa, 4 opções muito válidas para 2 lugares: Domínguez, Perea, Godín e o reforço adquirido ao São Paulo, João Miranda. No lado esquerdo da defesa, Antonio López poderá alternar com Filipe Luis quando existir a necessidade de um ala mais defensivo e com maior habilidade no jogo aéreo. Entre Paulo Assunção, Gabi e Tiago poderá sair um jogador para o banco, caso o treinador «rojiblanco» opte pelo 4x4x2 com que iniciou os jogos contra os noruegueses do Strømsgodset. Nos flancos do ataque, a mesma condição que no centro da defesa: Salvio, Mérida, Juanfran, Reyes e Turan para duas (4x4x2) ou mais (4x3x3) posições. Caso se confirme a chegada de Osvaldo (Espanyol) ou Falcao (FC Porto), conjugada com a manutenção de Forlán, também na frente de ataque haverá uma boa panóplia de escolhas possíveis para Manzano.

 

Análise

– Na baliza do Atlético de Madrid, parece firme a aposta em Joel Robles como sucessor de David de Gea. A idade e a altura não poderão ser factores de argumentação contra este guardião, com 21 anos e 1.95. Entrou nos «colchoneros» com 17 anos para terminar a formação iniciada no Leganés e, desde aí, tem actuado nos escalões de base e no Atletico Madrid B. Não foi particularmente posto à prova nos jogos com o Strømsgodset. No entanto, foi possível sentir o seu à vontade nas saídas da baliza e a deter remates de fora da área. Demonstra, igualmente, competência no jogo de pés.

– O quarteto que Manzano monta adiante de Joel, como já referido, ainda não tem constituição definida para a presente temporada, à excepção de Sílvio, o lateral direito titular. No eixo central, Álvaro Dominguez tem sido indiscutível para Manzano neste início de temporada. Já usou, inclusive, a braçadeira de capitão no primeiro jogo. Compreende-se a importância do jovem espanhol nesta fase, dada a forma física superior à dos colegas de posição, mercê do Europeu Sub-21 que venceu ao serviço da «Rojita». É um central muito seguro, que não treme com a bola nos pés e suficientemente rápido para dar segurança à equipa, mostrando-se também capaz de actuar no lado esquerdo da defesa, mas Manzano não terá necessidade alguma de recorrer a essa solução. Pode aproveitar este início para se afirmar como titular, mas há que lembrar a forte concorrência que terá. Por um lado, será interessante seguir de que forma evolui a adaptação de João Miranda à Liga espanhola, uma competição com características tão distintas do campeonato brasileiro. Mostra ser um jogador muito capaz no jogo aéreo, embora a falta de adaptação possa comprometê-lo em situações de contra-ataque do adversário, em que tenha que pensar e agir rápido. Caso se confirme a sua titularidade, surgirão espaços entre este e Sílvio, dada a rotina competitiva, em conjunto, quase nula de ambos. Por outro lado, Diego Godín, que recentemente adquiriu nacionalidade espanhola – aspecto que pode ser importantíssimo para a manutenção de Salvio no plantel -, estará próximo de atingir o pico da sua carreira. Esteve mais ausente do que gostaria na conquista da Copa América pela sua selecção, devido a lesão contraída antes do início da competição. Tem como característica peculiar, tendo em conta a sua posição no terreno de jogo, o facto de jogar quase tão bem com o pé esquerdo como com o seu pé natural, o direito. Não toma, de imediato e de forma natural, o lugar ao lado de Domínguez por isso mesmo. Por fim, o nem sempre bem-amado Perea. É o estrangeiro que mais jogos na Liga disputou pelos «rojiblancos», mas nem sempre teve uma relação fácil com a afición do Atleti. É um elemento que, apesar dos seus 32 anos de idade, ainda possui uma velocidade muito considerável, pelo que pode, tranquilamente, actuar como lateral direito, em caso de problemas com Sílvio. Não seria surpreendente vê-lo jogar no lugar de Miranda nesta eliminatória, tendo em conta algumas das principais características do futebol ofensivo vimaranense: a velocidade e as transições rápidas. À esquerda, aquela que deverá ser a maior dúvida para Gregorio Manzano: Filipe Luís ou Antonio López. O primeiro, rápido, com boa capacidade de passe a curta e média distância, propensão para subir e para participar nas primeiras fases de construção do futebol do Atleti. Pode, inclusive, aparecer na linha de fundo para fazer uso da sua igualmente boa habilidade para cruzar. O segundo, capitão, é um elemento mais seguro em termos de labores defensivos. Dará, certamente, mais garantias a Manzano de que o lado esquerdo da sua defesa não será apanhado tantas vezes em contra-pé. Outro ponto-chave deste jogador é o excelente jogo aéreo. Para além de ser uma mais valia nas bolas paradas defensivas, surge, com facilidade, em situações de finalização nos cantos ofensivos da equipa. Manuel Machado terá que avisar os seus jogadores para estas duas hipóteses, igualmente prováveis de surgir em campo, do meu ponto de vista, no onze titular.

– Neste sector, devemos dividir as soluções da equipa entre flanqueadores e jogadores de centro do terreno. Os primeiros abundam em número e qualidade. Reyes, antigo jogador do Benfica, é o jogador a ter em conta. Pode estar desaparecido de qualquer jogo durante longos períodos de tempo, mas ninguém deve esquecer a sua capacidade para resolver jogos de um momento para o outro. Inicia os jogos, por norma, na esquerda do ataque, mas troca, frequentemente, de flanco. É mesmo nas suas incursões pelo lado direito que pode definir qualquer lance com sucesso, através de remates a curta ou média distância, após diagonais da ala para o centro. Possui, igualmente, uma tremenda visão de jogo, o que lhe possibilita executar passes verticais, de ruptura, em busca de Forlán e Adrián, tanto da esquerda, como da direita. Tem sido curioso observar o quão frutuosa tem sido, nos últimos jogos, a relação Reyes – Adrián. O dado a registar por Manuel Machado será a limitação óbvia de Reyes ao seu pé esquerdo. Juanfran, que chegou a vestir blanco em 2003/04 e 2004/05, foi cedido pelo Osasuna já durante a época passada, na qual ainda realizou 17 jogos. Actua preferencialmente à direita e é um jogador bastante regular. Tem um bom sentido de baliza, podendo alvejá-la com qualquer um dos pés, de forma satisfatória. Melhor, no entanto, com o pé direito. Não tão explosivo quanto Reyes, mas mais presente em momento ofensivo do que o seu colega espanhol. A 3ª opção válida para os flancos é Eduardo Salvio, também ex-Benfica, que será bem conhecido dos laterais vimaranenses. É um jogador com boa aceleração, embora não tenha um top speed de espantar. Boa finta curta e em progressão, consegue aparecer para finalizar em situações de cruzamentos do lado oposto com frequência. Assinalável porte físico para um extremo, de que pode tirar partido em 1×1. Arda Turan é a promessa que chega da Turquia por 12 milhões de euros e que pode retirar espaço ao colega anterior. Os seus 24 anos de idade poderão ajudar a acelerar o processo adaptativo ao futebol madrileno. Apesar de ter sido inscrito para a eliminatória, não deverá ser solução válida.

– No centro do terreno, Tiago e Gabi serão indiscutíveis. São jogadores com características não muito distintas; jogam com função de «box-to-box», lado a lado, com particular importância na definição do bloco de pressing, nomeadamente através de Gabi. Ofensivamente, existe uma alternância entre ambos na posse da batuta organizativa da construção ofensiva do Atleti. A referir ainda a boa capacidade de Tiago no jogo aéreo, podendo, como López, surgir de forma inesperada para concretizar lances de bola parada com a cabeça, e a óptima visão de jogo de Gabi que, aliada ao seu bom passe de média e longa distância, frequentemente encontram sucesso na procura de colegas nas costas da defesa adversária. Gabi reage bem à pressão alta do meio campo adversário, sendo eficaz em finta curta e a aproveitar os desequilíbrios defensivos adversários. Em 4x3x3, surge, igualmente, Paulo Assunção, ex-FC Porto. Faz da sua capacidade física e leitura de jogo os seus cartões de visita, mostrando um passe curto consistente e uma tremenda capacidade de desarme. Raramente é visto em incursões pelo meio campo ofensivo, embora possa iniciar lances de ataque de forma incisiva, procurando directamente os extremos. Mario Suárez tem sido experimentado num 4x3x3 quando o triângulo do meio campo possui o seu vértice direccionado para o ataque. Bom jogador de equipa, é, dos 3 elementos referidos do miolo do terreno, o que mais capacidade tem de surgir na região do «10». Possui um remate perigoso, acima de tudo, quando com espaço. Não reage bem a pressão alta, ao contrário do seu colega Gabi.

– Nesta secção, serão descritos apenas os avançados que se enquadrariam no “2” da formação 4x4x2 clássica, já que jogadores como Reyes e Salvio (que poderão surgir no “3” mais adiantado do 4x3x3) já foram referenciados e descritos. Aqui, há a destacar, novamente, Diego Forlán. A todas as características já referidas podem ainda acrescentar-se o seu espírito combativo (que pode condicionar a existência de um pressing muito alto, quer ao quarteto defensivo adversário, quer ao próprio guarda-redes). Com menos 9 anos de idade e com um estilo deveras diferente do uruguaio, Adrián pode ser considerado o ponta de lança «puro» moderno. De compleição física suficiente para lhe conceder um equilíbrio interessante entre poder físico de impacto (no um para um) e agilidade (que lhe permite surgir nos flancos, onde o seu estilo incisivo pode causar estragos), o espanhol procura, não raras vezes, as costas dos centrais em diagonais de dentro para fora. Um dado curioso, a ser seguido, é a tendência que tem de, cara-a-cara com o guarda-redes, rematar rasteiro e evitar picar a bola por cima do mesmo. Ao cuidado de Nilson. Para além disto, Adrián tem uma finta curta muito forte e explora bastante o jogo de costas para a baliza. Pode receber a bola no meio da área e fazer passes atrasados para a entrada de Reyes ou Forlán, na entrada da área. Será importante impedir que receba a bola, mais do que pressioná-lo depois de o fazer. Diego Costa, o brasileiro de 22 anos que pode explodir este ano, está lesionado e não estará disponível para a presente eliminatória.

– Sector já explorado numa das chaves. Será interessante perceber se, em caso de necessidade de câmbio de formação, de 4x3x3 para 4x4x2, Manzano abdicará de Assunção, ficando com Tiago ao lado de Gabi, ou de algum destes dois, ficando com um «box to box» ao lado de um pivot defensivo, com cheiro a trinco clássico. Se Manzano, em alguma fase de algum dos jogos, optar por um 4x4x2 com Gabi e Tiago, será vital que Manuel Machado se aperceba do espaço que surge entre o meio-campo e a defesa espanhola. São dois jogadores com grande tendência para jogar lado a lado, de forma quase geométrica.

– É nas bolas paradas defensivas que poderá estar uma chave importante para derrubar os «rojiblancos». Têm uma enorme tendência para colocar 10 jogadores dentro da área, com Diego Forlán na zona do círculo de meio-campo. Com isto, gera-se um espaço enorme que, frequentemente, faz com que a segunda bola seja do adversário. Será importante colocar bolas tensas na área dos «colchoneros» para que tenham a tendência de aliviar para a entrada da área, onde o Vitória deverá ter os seus melhores rematadores.

– Ofensivamente, o Atleti conta com Gabi, Reyes e Forlán para cobrar lances de bola parada. Forlán tem uma habilidade tremenda para concretizar livres directos a 20/25 metros, particularmente em região frontal ou ligeiramente descaídos para a esquerda. Quando descaídos para o lado oposto, Reyes poderá bater os livres, sendo que o espanhol não tem a precisão de remate do uruguaio. Os cantos não parecem ter, de momento, um marcador fixo, variando entre os três elementos anteriormente referidos.

 

foto de abertura © clubatleticodemadrid.com


José Pedro Teixeira

 
Estudante de Medicina, Treinador-Adjunto do U. A. Povoense (sub-19), Colaborador da Wyscout.