Posted 29/11/2007 by Rui Malheiro in Especiais
 
 

Benfica – FC Porto: pedaços de história do Clássico

benfica_1934_35
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O PRIMEIRO CLÁSSICO EM LISBOA. Foi a 24 de Março de 1935 que Benfica e FC Porto se encontraram pela primeira vez em Lisboa para disputar um jogo da Liga, no velho Campo das Amoreiras, com arbitragem do lisboeta Manuel Marques. A partida, a contar para a 10ª jornada da prova, a apenas cinco jogos do final do Campeonato, levava um FC Porto extremamente moralizado a Lisboa, fruto de cinco vitórias consecutivas, que lhe garantiam a liderança da Liga, com 3 pontos de vantagem sobre Belenenses e 4 sobre Sporting e Benfica. O jogo, que criou enorme expectativa no País, levou 20.000 pessoas a encherem por completo o Campo das Amoreiras, sendo que do Porto viajaram dois comboios especiais repletos de adeptos. A recepção à equipa do FC Porto, quando os jogadores azuis e brancos entraram em campo, não foi a melhor: adeptos do Sporting e Belenenses juntaram-se à falange encarnada e criaram um ambiente de enorme agressividade, com gritos hostis de “fora, fora, fora”. O Benfica venceu por 3-0, com o médio Gaspar Pinto, beneficiando de um desvio do defesa portista Jerónimo, e o avançado Rogério Sousa a garantirem no último quarto de hora da primeira parte uma vantagem de 2-0 ao intervalo. Vítor Silva, avançado, concretizaria o 3-0 final, a 12 minutos do fim, relançando a luta pelo título, já que o Sporting, com uma vitória no Estádio do Lima, diante da Académica do Porto, por 3-2, e o Belenenses, que derrotou a Académica, nas Salésias, por 4-0, também aproveitaram o deslize do líder. Joseph Szabo, o luso-húngaro que orientava tecnicamente o FC Porto, queixou-se no final do jogo do ambiente hostil criado pelos adeptos dos três grandes clubes lisboetas, mas garantiu que o título não escaparia ao FC Porto, o que se concretizaria, na última jornada, com um empate em Lisboa, no Campo Grande, diante do Sporting, que necessitava de uma vitória para se sagrar Campeão Nacional.

 

FICHA DO JOGO:

BENFICA: Augusto Amaro – Gatinho, Gustavo Teixeira – Francisco Albino, Lucas, Gaspar Pinto – Torres, Fernando Cardoso, Vítor Silva, Rogério Sousa, Alfredo Valadas.
Treinador: Vítor Gonçalves.

FC PORTO: Soares dos Reis – Carlos Pereira, Jerónimo Faria – João Nova, Álvaro Pereira, Raul Castro – Waldemar Mota, António Santos, Lopes Carneiro, Pinga, Carlos Nunes.
Treinador: Joseph Szabo.

GOLOS: 32′ Gaspar Pinto (1-0) ; 40′ Rogério Sousa (2-0) ; 78′ Vítor Silva (3-0).

 
FC Porto 1934/35

O PRIMEIRO CLÁSSICO NA LIGA. Menos de dois meses antes da primeira viagem do FC Porto a Lisboa para defrontar o Benfica, as duas equipas encontraram-se, no Porto, para disputarem o primeiro clássico da história da Liga, num jogo a contar para a 3ª jornada, e que se disputou no Estádio do Lima. A partida, disputada a 3 de Fevereiro de 1935, e que se iniciou às 14:40, com um atraso de dez minutos em relação à hora prevista, foi arbitrada pelo conimbricense Manuel Oliveira. O FC Porto venceu por 2-1, com o avançado Lopes Carneiro, aos 15 minutos, a adiantar os portistas no marcador, fixando o resultado ao intervalo. O Benfica procurou reagir, mas, aos 58 minutos, Manuel Oliveira assinalou uma grande penalidade favorável ao FC Porto. O goleador Pinga chamado à conversão do castigo máximo, desperdiçou a oportunidade, mas numa decisão muito contestada pelos jogadores do Benfica, o árbitro conimbricense mandou repetir a penalidade. Pinga voltaria a falhar, permitindo a Augusto Amaro entrar na história do Benfica, ao ser o primeiro guarda-redes a defender uma grande penalidade em jogos na Liga, mas não conseguiu impedir que o avançado portista marcasse na recarga, colocando o FC Porto a vencer por 2-0. Era o seu terceiro golo no Campeonato. Alfredo Valadas, avançado do Benfica, ainda reduziria, dois minutos depois, marcando o 4º dos seus 13 golos na Liga 1934/35, mas o FC Porto conseguiria segurar a vantagem até ao final, mantendo a liderança da prova a par do Belenenses, com o Benfica a ficar a 2 pontos de ambos.

 

FICHA DO JOGO:

FC PORTO: Soares dos Reis – Avelino Martins, Jerónimo Faria – João Nova, Álvaro Pereira, Carlos Pereira – Lopes Carneiro, Waldemar Mota, Acácio Mesquita, Pinga, Carlos Nunes.
Treinador: Joseph Szabo.

BENFICA: Augusto Amaro – Gatinho, Gustavo Teixeira – Francisco Albino, Álvaro Pina, Gaspar Pinto – Domingos Lopes, Luís Xavier, Torres, Rogério Sousa, Alfredo Valadas.
Treinador: Vítor Gonçalves.

GOLOS: 15′ Lopes Carneiro (1-0), 60′ Pinga (2-0), 62′ Alfredo Valadas (2-1).

 

O PRIMEIRO JOGO. Em Abril de 1912, já com a vitória no Campeonato de Lisboa garantida a uma jornada do fim da prova, o Benfica deslocou-se ao Porto para efectuar um duplo confronto particular com o FC Porto: de manhã defrontaram-se as segundas categorias, com o Benfica a sair vencedor por 2-1 ; à tarde um jogos entre as primeiras categorias, em que o Benfica saiu também vencedor por um concludente 8-2. O primeiro registo de uma partida oficial reporta-se a 28 de Junho de 1931, quando Benfica e FC Porto defrontaram-se na final do Campeonato de Portugal 1930/31, numa partida disputada no Campo do Amado, em Coimbra, sob a arbitragem do lisboeta António Palhinhas. Vítor Silva, ao marcar dois golos, foi o “herói” encarnado, sendo que Denis apontou o outro golo do Benfica na vitória por 3-0.

 

FICHA DO JOGO DA FINAL DO CAMPEONATO DE PORTUGAL 1930/31:

BENFICA: Artur Dyson – Ralph Bailão, Luís Costa – João Correia, Aníbal José, Pedro Ferreira – Augusto Dinis, Emiliano Sampaio, Vítor Silva, João Oliveira, Manuel Oliveira.
Treinador: Artur John.

FC PORTO: Miguel Siska – Pedro Temudo, Avelino Martins – Felipe Santos, Álvaro Pereira, Euclides Anaura – Lopes Carneiro, Waldemar Mota, Norman Hall, Acácio Mesquita, Francisco Castro.
Treinador: Joseph Szabo.

GOLOS: 37′ Vítor Silva (1-0), 44′ Denis (2-0), 62′ Vítor Silva (3-0).

 

BENFICA DOMINA EM CASA. Este sábado, Benfica e FC Porto disputarão o 74º clássico em casa dos encarnados em jogos da Liga, que possuem uma clara supremacia: 40 vitórias, 22 empates e 11 derrotas, 155 golos marcados e 72 golos sofridos. Apesar do domínio portista das últimas duas décadas do futebol português, nos últimos 21 anos apenas por 4 vezes conseguiram alcançar triunfos na Luz: em 1991/92, por 3-2 ; em 1996/97, por 2-1 ; em 2002/03, por 1-0, era Camacho o treinador do Benfica ; e em 2004/05, também por 1-0. A maior vitória do Benfica ao FC Porto, em jogos em casa, ocorreu em Fevereiro de 1943, com um estrondoso triunfo por 12-2, com o avançado Júlio a destacar-se ao apontar 4 golos ; enquanto que os portistas, em jogos do Campeonato, apenas venceram uma vez por mais do que um golo de diferença: em Janeiro de 1951, uma vitória por 2-0, com um “bis” de Monteiro da Costa.

MAIS AZUL. É o FC Porto que tem vantagem no confronto directo com o Benfica se contarmos todos os jogos (146) disputados entre os dois clubes na Liga: os azuis e brancos somam 55 triunfos, enquanto que os encarnados venceram em 52 ocasiões, tendo-se registado 39 empates. É, contudo, ao Benfica que pertence o maior registo de golos (243) face aos 218 do FC Porto.

CAMACHO – 3 JESUALDO – 0. Depois de ter substituído Jesualdo Ferreira no comando técnico do Benfica, José António Camacho teve a oportunidade de “apadrinhar” a estreia do Professor no Sp. Braga, triunfando no Municipal bracarense por 3-1. Na época seguinte – 2003/04 – Camacho voltou a levar a melhor sobre Jesualdo: 2-0 na Luz e 3-0 em Braga. Contudo, Camacho nunca conseguiu vencer o FC Porto em jogos a contar para o campeonato: 3 jogos, 1 empate e 2 derrotas ; enquanto que Jesualdo, que já defrontou o Benfica em 12 ocasiões, soma 4 triunfos – apenas 1 na Luz, pelo Alverca (2-0) -, 3 empates – 2 na Luz, um pelo FC Porto (1-1) e outro pelo Sp. Braga (0-0) – e 5 derrotas.


Rui Malheiro

 
analista de futebol, scout e autor. freelancer. escreveu Anuário do Futebol 2008/09 e Anuário do Futebol 2009/10.