Posted 28/03/2011 by Rui Malheiro in Observatório
 
 

Bruno César

bruno_cesar
bruno_cesar

Bruno César (Corinthians)

 

Perfil

Março de 2011

Natural de Santa Bárbara d’Oeste, município brasileiro do interior do estado de São Paulo, começou por destacar-se ao serviço do União Barbarense, antes de rumar ao Bahia, onde atingiu grande destaque ao vencer, em 2005, o Campeonato baiano juvenil, competição em que marcou 23 golos. Contratado pelo São Paulo, Bruno César não vingaria ao serviço do «Tricolor» Paulista, o que conduziu à sua dispensa: passaria ainda, sem sucesso, pelo Palmeiras B e pelo Grêmio de Porto Alegre, antes de se afirmar, no início de 2009, ao serviço dos gaúchos do Ulbra. 2 golos em 3 jogos, no arranque do Campeonato Gaúcho 2009, conduziram-no ao Noroeste, clube ao serviço do qual disputou o Campeonato Paulista 2009. As suas boas exibições levaram o Santo André a contratá-lo para disputar a Série A do Campeonato Brasileiro: não se conseguiu impor, mas brilharia a grande altura, já em 2010, no surpreendente trajecto do «Ramalhão» no Paulistão – considerado o jogador revelação do Estadual, contribuiu, de forma decisiva, para o apuramento do Santo André para a final da competição. Desejado pelos grandes clubes do futebol brasileiro, rumou, em Maio de 2010, ao Corinthians: de grande revelação a principal figura do «Timão» no Brasileirão foi um pequeno passo, bem expresso nos 14 golos e 10 assistências que realizou em 31 jogos, o que lhe valeu a alcunha de «Tévez brasileiro», o troféu de jogador revelação e a nomeação para o prémio de melhor jogador do Campeonato. Contrariando todas as expectativas, Bruno César tem passado os primeiros meses da temporada 2011 no banco dos suplentes: um mau arranque de época custou-lhe a titularidade, o que levou a imprensa brasileira a especular sobre o relacionamento conturbado do jogador com o técnico Tite, que chegou a revelar publicamente que lhe estava a dar uma lição de vida, como também sobre alguns excessos fora dos relvados.

 

Bruno César Zanaki

Data de Nascimento: 03 – 11 – 1988
Nacionalidade: Brasil
Altura: 1.77
Peso: 73
Posição: Médio Ofensivo
Não é internacional pelo Brasil

ÉPOCA CLUBE JOGOS GOLOS
2009 Ulbra
2009 Noroeste
2009 Santo André 0 (2) 1
2010 Santo André
2010 Corinthians 30 (1) 14
2011 Corinthians 0 (0) 0
2011/12 Benfica 19 (7) 9
2012/13 Benfica

26-01-2011: Corinthians 0-0 Tolima (4x2x3x1)

 
Corinthians vs. Tolima

28-11-2010: Corinthians 2-0 Vasco da Gama (4x2x3x1 assimétrico/4x4x2)

 
Corinthians vs. Vasco da Gama

07-11-2010: São Paulo 0-2 Corinthians (4x3x1x2)

 
São Paulo vs. Corinthians

24-10-2010: Corinthians 1-0 Palmeiras (4x3x1x2)

 
Corinthians vs. Palmeiras

Março de 2011

Médio ofensivo canhoto, habituado a jogar a partir do centro, está longe de cingir-se ao papel de um «10» clássico: a sua tremenda mobilidade permite-lhe actuar a toda a largura do meio-campo ofensivo, de forma a explorar os seus movimentos de posições interiores para exteriores, como também as diagonais de espaços exteriores em direcção à área. Pouco talhado para assumir acções de organização de jogo ofensivo, trata-se, acima de tudo, de um definidor: procura, quase sempre, execuções a um-dois toques, exibindo grande objectividade e gosto pelo risco nas suas acções, como também um enorme à vontade – por vezes, exagerado – nos capítulos do passe e do remate, tornando-se mais acutilante à medida que se aproxima da área adversária.

Extremamente astuto a desmarcar-se e a protagonizar movimentações sem bola, sabe aparecer, com grande facilidade e sentido de oportunidade, em zona de finalização, dentro ou à entrada da área, mas também é capaz de surpreender com remates de fora da área, nos últimos 30-35 metros, tanto a partir de posições centrais como na sequência de movimentos em diagonal, explorando o seu grande sentido de baliza e remate forte com o pé esquerdo. Dentro da área, apesar de procurar, quase sempre, finalizações com o pé esquerdo, mostra, mesmo estando longe de ser um especialista, alguns argumentos em finalizações aéreas na sequência de acções de antecipação sobre os defesas adversários. Mesmo não sendo cego, o seu pé direito revela uma menor capacidade de definição.

Inteligente a criar linhas de passe, através das suas movimentações, para os seus colegas de equipa, não se esconde do jogo e está sempre disponível a receber a bola, revelando-se particularmente perigoso quando está de frente para a baliza adversária, pela facilidade com que descobre e inventa espaços, o que lhe permite realizar várias assistências para situações de finalização. Pouco talhado para fazer a bola circular e baixar o ritmo de jogo, opta, nos últimos 30-35 metros, por passes de ruptura, quase sempre definidos a 1-2 toques, mostrando uma boa leitura das desmarcações dos seus colegas de equipa e bons argumentos nos passes curtos e médios, tanto em direcção ao centro do ataque como em direcção às alas. No entanto, em algumas situações, acaba por assumir, quando tem à sua disposição soluções mais seguras e simples, a opção de maior risco, o que o leva a falhar alguns passes.

Quando abre sobre as alas, revela facilidade a colocar a bola na área através de cruzamentos, mas é particularmente perigoso quando ganha a linha de fundo e opta por passes/cruzamentos atrasados. Competente a funcionar como «pivot» ofensivo, principalmente à entrada da área, sabe jogar de costas para a baliza e proporcionar várias tabelas 2×1 – algumas delas através de toques de calcanhar – aos médios centro e aos avançados, possibilitando-lhes movimentos de ruptura de trás para a frente, mas também aos alas/laterais, decisivas para as suas penetrações na área na sequência de movimentos em diagonal. Também é capaz de se projectar ofensivamente e penetrar na área adversária através de combinações 2×1 com um dos avançados a funcionar como «pivot».

Capaz de assumir acções de condução de jogo ofensivo, principalmente a partir da 3ª fase de construção, trata-se de um jogador muito perigoso no desenvolvimento de ataques rápidos. Mesmo não se tratando de um sprinter, é rápido, ágil – roda muito bem sobre os adversários – e, sobretudo, capaz de imprimir acelerações nas suas deslocações, tirando partido da sua capacidade de arranque, características às quais alia uma boa capacidade técnica – eficaz na recepção e no controlo de bola – e bons argumentos a nível do drible, o que lhe permite criar desequilíbrios no um para um e ganhar faltas. No entanto, em algumas ocasiões, mesmo tendo espaço para explorar e progredir com bola, opta por um passe de ruptura em direcção aos avançados ou por visar a baliza adversária de fora da área, o que nem sempre se revela a melhor opção.

Muito bom executante de lances de bola parada, trata-se de um especialista na execução de livres directos, onde tira partido do seu remate forte – e cheio de efeitos – com o pé esquerdo, como também é um bom marcador de cantos e livres laterais, alternando cruzamentos por alto com cruzamentos a meia altura, uma das suas especialidades. É, igualmente, um bom marcador de grandes penalidades.

Pouco ou nada dado a trabalhos de recuperação e a correr atrás da bola, mostra-se algo negligente e pouco participativo do ponto de vista defensivo, aspectos em que terá que evoluir bastante para se adaptar à maior rigidez do futebol europeu, onde precisará de ganhar uma maior consciência e consistência do ponto de vista táctico e posicional.

 

Bruno César no Corinthians em 2010: jogo a jogo

 
Bruno César no Corinthians em 2010: jogo a jogo

 

Multimédia

 

 
foto © Agência Estado


Rui Malheiro

 
analista de futebol, scout e autor. freelancer. escreveu Anuário do Futebol 2008/09 e Anuário do Futebol 2009/10.