Posted 12/03/2013 by Daniel Pires in Business FC
 
 

Deloitte Football Money League 2011/2012. 1º – Real Madrid.

Deloitte Football Money League 2011/2012. 1º – Real Madrid.
Deloitte Football Money League 2011/2012. 1º – Real Madrid.

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elo oitavo ano consecutivo, o Real Madrid é o clube de futebol que mais receitas gera no mundo. E pela primeira vez, na época passada, o clube espanhol superou a barreira dos 500 milhões de euros. De há 5 anos para cá, os valores de receitas do Real Madrid foram sempre em crescendo. Vejamos:

 

2008 – 366 M€ (Vencedor da Liga Espanhola, Oitavos-final da Champions League, Oitavos-final da Taça de Espanha)

2009 – 401 M€ (2º Classificado da Liga Espanhola, Oitavos-final da Champions League, 4ª ronda da Taça de Espanha)

2010 – 439 M€ (2º Classificado da Liga Espanhola, Oitavos-final da Champions League, 4ª ronda da Taça de Espanha) – Entrada de Cristiano Ronaldo no clube

2011 – 480 M€ (2º Classificado da Liga Espanhola, Meias-finais da Champions League, Vencedor da Taça de Espanha) – Entrada de José Mourinho no clube

2012 – 513 M€ (Vencedor da Liga Espanhola, Meias-finais da Champions League, Quartos-final da Taça de Espanha)

 

Como é que um clube que em 5 anos ganha dois campeonatos e uma taça consegue atingir estes números e estas proporções em termos de receitas? Mediatismo, história ou gestão?

Digamos que uma mistura das três. O Real Madrid é um dos clubes mais titulados da Europa e o mais titulado de Espanha. A conquista incessante pela 10ª Champions tem sido um critério e um objectivo ao longo dos anos, desde a vitória frente ao Bayer Leverkusen, em 2002. Não foi à toa, que em 2011, o clube madrileno resolveu contratar José Mourinho para atingir esse objectivo que persegue, e que o português conquistou no Santiago Bernabéu, com o Inter de Milão. A história favorece os madrilenos, quanto mais não seja pelos cinco títulos conquistados e pela “imponência” própria criada pelo clube nos anos 50/60, que depois se foi desenvolvendo ao longo dos anos.

No que ao mediatismo diz respeito, ter jogadores no clube como Zidane, Figo, Roberto Carlos, Ronaldo, Beckham, Cristiano Ronaldo e Raúl, só para citar alguns mostra não só o poderio financeiro do clube, mas também a forma de pensar o negócio, desde que Florentino Pérez assumiu o clube, no final da década de 90. Uma visão estratégica que visava a contratação de estrelas, para assim obter o retorno esperado, em resultados e em investimento.

Por fim, a gestão. E é nesse campo que o Real Madrid tem investido. Não só com as contratações mundiais (Cristiano Ronaldo é um fenómeno à escala mundial), mas também com uma rede de investimentos, onde as tourneés asiáticas são um bom exemplo, como iremos ver nos resultados da época. A própria estrutura do clube se tornou mais profissional, pronta a responder aos desafios do futebol moderno, visando também a componente de negócio que está adjacente a um simples pontapé na bola.

Estes três grandes vectores moldaram o Real Madrid, tornando-o no clube com mais receitas no Mundo. Na época 2011/2012, o Real Madrid foi campeão espanhol totalizando 100 pontos (recorde), marcando 121 golos e vencendo 32 dos 38 jogos que compõem a liga espanhola.

Olhando com maior precisão para a distribuição das receitas, temos o seguinte:

Bilheteira – As receitas de bilheteira do Real Madrid aumentaram 2,6 M€, cifrando-se nos 126,2 M€. A anunciada reestruturação do Santiago Bernabéu fará com que as receitas aumentem ainda mais, já que a capacidade do estádio também vai aumentar. Com esse aumento da capacidade, quer os fans, quer os parceiros “corporate” terão mais e melhores soluções para poderem ver os jogos do Real Madrid no Bernabéu.

Direitos de TV – O Real Madrid tem contrato com a Mediapro (curiosamente, uma empresa catalã) até 2014/2015. Em 2011/2012, os direitos adquiridos com a Mediapro, juntando os direitos dos jogos da Champions League e os amigáveis (disputados em locais como a China, o Kuwait ou os EUA) traduziram-se num aumento de 15,7 M€ (cerca de 9% em relação ao ano passado) para um total de 199,2 M€.

Merchandising – Também aqui, o aumento foi considerável. Cerca de 9%, que representam 14,8 M€ adicionais, prefazendo um total de 187,2 M€. Para este valor contribuíram, além da venda das camisolas e de todo o material promocional do clube, os recentes acordos fechados pelo clube com a Emirates Airlines e com o BBVA. A força negocial do clube faz com que os negócios sejam feitos com marcas globais (a título de exemplo, a BBVA é uma das marcas oficiais da NBA). Para além disso, também foi assinado um novo acordo com a Adidas para a questão dos equipamentos até à época de 2019/2020 e no final desta época, será anunciado o novo patrocinador da camisola, uma vez que acaba o contrato com a Bwin.

Tudo isto são razões para que no próximo ano, e apesar de, nesta altura, a conquista do campeonato ser uma miragem, o Real Madrid se mantenha como líder da Football Money League, já que está bem encaminhando na Champions League e pode vir a ganhar mais uma Taça do Rei, além do projecto de expansão do Bernabéu. Tudo factores que potenciam ainda mais o maior clube espanhol.

 
foto de abertura © kinghdwallpaper.com


Daniel Pires

 
35 Anos. Produtor de TV. Pós-Graduado em Marketing Desportivo. Licenciado em Marketing. Apaixonado por futebol.