Posted 18/03/2011 by Rui Malheiro in Playmaker
 
 

Dinamo Kiev, PSV e Spartak: um primeiro olhar

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FC Porto-Spartak Moscovo, Benfica-PSV Eindhoven, Villarreal-Twente e Dinamo Kiev-Sp. Braga são os quatro jogos dos quartos-de-final da Liga Europa. Um primeiro olhar sobre os próximos adversários dos clubes portugueses.

 

Dinamo Kiev (equipa-base: 4x4x2)

Dinamo Kiev

A

atravessar o melhor período da temporada, o Dinamo Kiev aproveitou a paragem de Inverno do futebol ucraniano para fazer regressar ao clube o treinador Yuri Semin, responsável pelo último título em 2008/09, exercício também marcado pela presença nas meias-finais da Taça UEFA. Uma série de 5 triunfos consecutivos, interrompida, ontem, pela derrota em Manchester, trouxe uma nova alma aos Bilo-Syni, que, a 9 pontos do líder do Shakhtar no campeonato, apostam bastante numa campanha europeia de sucesso. Prova disso mesmo, é o facto de Semin estar a apresentar nos jogos da Liga algumas segundas escolhas, de forma a gerir o esforço das suas unidades mais importantes.

Yuri Semin, técnico que gosta de adaptar a equipa às especificidades de cada jogo, tem vindo a apostar no 4x4x2 clássico como modelo preferencial, mas recorre, sempre que acha necessário, a um 4x2x3x1 – abdicando, de início, de um dos avançados, para lançar o médio criativo Ninkovic – ou a um 4x1x3x2, principalmente em busca de um resultado. Muito rigoroso do ponto de vista táctico, Semin aposta numa defesa organizada num bloco médio-baixo, mesmo quando actua em casa, com duas linhas de quatro muito próximas. No entanto, são notórias algumas das principais debilidades da equipa: as dificuldades do sector defensivo a reagir a passes de ruptura para as suas costas ou para o espaço entre os centrais e os laterais; alguma inconsistência no eixo central, onde Semin procura ainda a melhor dupla – já utilizou Yussuf, Leandro Almeida, Kacheridi, Mykhalyk e Betão; e a inconsistência de Shovkovskiy, guarda-redes que alterna excelentes intervenções com falhanços inacreditáveis. Do ponto de vista ofensivo, a principal aposta da equipa passa pela exploração de ataques rápidos e contra-ataques, aspecto em que o Dinamo Kiev é extremamente perigoso, quer a tirar partido da velocidade e capacidade de condução dos alas Gusev e Yarmolenko, ambos com bons argumentos nos cruzamentos, quer através de um futebol directo em direcção aos avançados Shevchenko – 13 golos em 27 jogos oficiais em 2010/11 – e Milevskiy: estes, depois, procuram a baliza, tirando partido dos seus argumentos como finalizadores, ou temporizam, esperando pelo apoio dos alas – ambos muito fortes a protagonizar movimentos em diagonal – ou dos médio centro Eremenko e Vukojevic, dois jogadores com boa capacidade de remate de fora da área. Outro aspecto que o Dinamo Kiev costuma explorar são os lances de bola parada: principalmente pontapés de cantos e livres laterais.

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PSV Eindhoven (equipa-base: 4x2x3x1)

PSV Eindhoven

L

íder do campeonato holandês, com um ponto de vantagem sobre o Twente e três sobre o Ajax, o PSV Eindhoven procura, em 2010/11, alcançar um título que lhe foge há três anos. Orientados tecnicamente por Fred Rutten, antigo treinador de Schalke 04 e Twente, os «Camponeses» estão também a realizar um excelente percurso na Liga Europa: depois de se estrearem, na eliminatória de acesso à fase de grupos, com uma derrota diante do Sibir, somam uma impressionante série de 11 jogos consecutivos sem perder.

Fred Rutten dispõe a equipa num 4x2x3x1, mantendo a aposta num «onze» que praticamente não sofre alterações: o desgaste, principalmente no último mês, começa a notar-se, como também a falta de soluções de recurso para fazer uma gestão do esforço. Equipa com fragilidades do ponto de vista defensivo, ao mostrar-se algo vulnerável a ataques rápidos e contra-ataques do adversário, o PSV Eindhoven destaca-se, principalmente, pela sua grande capacidade ofensiva, explorando com grande astúcia ataques rápidos e contra-ataques, onde o húngaro Dzsudzsak – 15 golos e 12 assistências na Liga –, o sueco Toivonen – 13 golos e 8 assistências na Liga –, e o holandês Lens – 9 golos e 13 assistências -, jogadores que formam o tridente de apoio a Marcus Berg, avançado sueco que está a realizar uma época muito irregular, assumem grande protagonismo. Lens e Dzsudzsak são jogadores extremamente velozes e desequilibradores no 1×1, para além de explorarem muito bem movimentos em diagonal, o que lhes permite aparecer em zona de finalização. Ambos são fortes a criar situações de finalização, mas Dzsudzsak acrescenta ainda uma grande capacidade na execução de lances de bola parada: directos ou indirectos. Toivonen, por sua vez, é fortíssimo nos desdobramentos ofensivos e aparece, com grande facilidade, em zona de finalização: remate fácil de pé direito e forte no jogo aéreo. Muito alto e possante, surpreende pela mobilidade e bons movimentos curtos no um para um, para além de proporcionar várias assistências para situações de finalização: boa percepção das desmarcações em diagonal dos dois extremos.

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Spartak Moscovo (equipa-base: 4x2x3x1)

Spartak Moscovo

classificado na Liga Russa em 2010, o Spartak Moscovo arrancou para a nova temporada com o objectivo de sempre: conquistar o título que lhe escapa desde 2001, mas a estreia na Liga 2011/12 foi desastrosa – o Spartak, contrariando todas as expectativas, foi goleado na deslocação ao terreno do Rostov (0-4). Eliminado da Liga dos Campeões, ao não conseguir impor-se a Chelsea e Marselha na fase de grupos, o «Clube do Povo» soma 3 vitórias – 2 delas obtidas fora de casa – e 1 empate na Liga Europa, onde eliminaram o Basileia e o Ajax (4-0 na soma das duas eliminatórias).

Valery Karpin, antiga estrela do futebol russo, é, desde Abril de 2009, o técnico do clube. Defensor de um futebol marcadamente ofensivo, Karpin alterna a utilização de um 4x2x3x1 com um 4x4x2, por vezes desdobrável em 4x1x3x2, onde abdica de um dos médios centros para utilizar um segundo avançado. Aliás, o gosto pelo risco é uma das suas imagens de marca: a ganhar por 1-0 em Amesterdão a 35 minutos do fim da partida, abdicou de um médio centro (Ibson) e lançou mais um avançado (Welliton), subindo as linhas de pressão e não deixando de procurar o 2º golo. Aliás, o Spartak Moscovo é uma equipa que se sente muito confortável com bola, mostrando-se capaz de fazer uma boa circulação, tirando partido da capacidade de passe e visão de jogo dos médios, mas que se revela extraordinariamente perigosa no desenvolvimento de contra-ataques e ataques rápidos, aproveitando a capacidade de passe do brasileiro Alex, o jogador-chave da equipa, também um bom finalizador, como também a velocidade e acutilância dos alas McGeady e Dmitri Kombarov – jovem estrela do futebol russo, fortíssimo na exploração de diagonais. Welliton, melhor marcador da Liga russa em 2010, para além da sua capacidade de finalização, revela-se muito importante a criar espaços de penetração para os seus colegas de equipa, característica comum ao possante Dzjuba, outra opção para a frente de ataque. Outro jogador fundamental nos desdobramentos ofensivos é o lateral esquerdo Makeev, um jogador destro, muito veloz e capaz de produzir desequilíbrios no um para um, tirando também partido de um óptimo entendimento com Dmitri Kombarov. Do ponto de vista defensivo, o Spartak apresenta várias lacunas, tanto em defesa organizada como nas transições ataque-defesa, agravas pelas ausências por lesão do lateral-direito Parshivlyuk e do central argentino Pareja, dois habituais titulares que deverão regressar à competição em Abril. Kirill Kamburov, ala/extremo de origem, tem sido adaptado ao posto de lateral direito, mas é no centro da defesa que Karpin tem sentido mais problemas: o checo Suchý e Sheshukov – também opção para o meio-campo defensivo – alternam a titularidade ao lado do jovem argentino Marcos Rojo. Só duas fantásticas exibições do guarda-redes Dikan, com uma dezenas e meia de intervenções de grande nível, permitiram ao Spartak não sofrer golos diante do Ajax.

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Rui Malheiro

 
analista de futebol, scout e autor. freelancer. escreveu Anuário do Futebol 2008/09 e Anuário do Futebol 2009/10.