Posted 26/02/2013 by Francisco Pinho Sousa in Colunas
 
 

Da tranquila Luz até à agitação de Diego passando por Jackson, Dantas ou Michu.

Michu: Swansea City
Michu: Swansea City

1. Os mesmos de sempre e um regressado veterano de guerra. O Benfica deste fim-de-semana, pese embora o facto de defrontar a surpresa Paços de Ferreira, foi uma equipa super-tranquila e que venceu um jogo aparentemente difícil com enorme facilidade. Para isso, muito contribuiu a garra inicial demonstrada pelos encarnados, que, desde início, foram mais incisivos e, mesmo sem massacrar, conseguiram um resultado gordo (3-0). Mais uma vez brilharam algumas das principais figuras da época benfiquista: Salvio jogou, Matic destruiu e Enzo Pérez marcou. No entanto, uma das figuras maiores da noite foi um retornado. Neste caso, um retornado das trevas dos bancos de suplentes. Falo de Carlos Martins. Entrou ao intervalo para o lugar de Enzo. Logo se destacou com letal assistência para Cardozo, que só não deu em golo por culpa de Cássio. De seguida, marcou o canto que resultaria no 2º golo. Dinamizou jogo, descobriu linhas de passe e tentou a meia-distância. Finalmente, teve colaboração no lance do 3º golo. Uma noite em cheio, numa altura em que Jesus necessita de ter boas alternativas. A continuar assim, Martins é mais um “reforço” para a fase final da época.

2. Jackson: como ser vilão e herói na mesma história. Parece uma inevitabilidade: a cada fim-de-semana que passa tenho de falar de Jackson Martínez. Parasse ele de marcar golos, que porventura não falaria dele (se calhar até sim, falaria da estranha ausência de concretizações…). Mas Jackson não pára, é daqueles matadores infalíveis que parece nunca descansar, procurando sempre a próxima vítima a atacar. Este fim-de-semana, o Rio Ave foi o alvo da fúria goleadora do craque de Barranquilla. Isto depois de um penalti falhado, de forma algo displicente, ao tentar imitar o mito Panenka. Ou seja, primeiro vestiu fato de Darth Vader, sombrio e assustador, deixando toda a gente incrédula, para, logo depois, passar a ser uma espécie de Luke Skywalker, herói e salvador da nação portista numa noite complicada (este Rio Ave de Nuno Espírito Santo não tem complexos, defende com rigor e explora a contra-ofensiva com grande perigo). Jackson Martínez: what else?

3. O manifesto pró-Dantas do Estoril-Sporting. Júlio Dantas, nome forte da literatura portuguesa nos finais do século XIX e inícios do século XX, constatou outrora que não se é talentoso por ser moço, nem genial por se ser velho. Vem esta frase à memória depois de ver o Estoril-Sporting. Os leões não foram necessariamente talentosos (excepto o irreverente Bruma) por apresentarem uma equipa jovem, assim como os da Linha não foram geniais, apesar da maior experiência (bastou-lhes serem letais e aproveitarem 3 lances de bola parada). Foi um jogo interessante, onde se viu claramente que o Sporting, apesar da boa vontade de Jesualdo Ferreira em lançar jovens, precisa de mais pulso nalguns momentos, de mais experiência. A juventude teve os seus bons momentos (arrancadas de Bruma) mas também teve os seus deslizes comprometedores (depois do belo jogo em Barcelos, Zezinho errou mais neste encontro). Do outro lado, grande aproveitamento estorilista. Erro de marcação após canto curto, Jefferson empata. Erro de Patrício, cometendo penalti, marca Steven Vitória. Por último, magnífico livre directo de um dos bons médios-centro, de características ofensivas, que vão aparecendo na nossa Liga (Carlos Eduardo). O Estoril não precisou de ser genial para bater um leão intermitente.

4. Éder(bayor). Outro dia discutia Éder com um amigo meu. Quase como se fôssemos dois intelectuais discutindo Júlio Verne num qualquer café parisiense. Dizia ele que Éder não lhe enche as medidas, que é um avançado perdulário e que deveria marcar muito mais golos para as oportunidades de que dispõe. Eu servi de advogado do diabo (de Éder, neste caso). Além dos números (13 golos para já, só na Liga), falei-lhe da dimensão ofensiva do internacional português, na melhoria em termos de movimentos, na recepção de bola e do aumento da capacidade de concretização em frente às balizas adversárias. Éder está a ser, sem dúvida, uma das figuras da Liga 2012/13. Neste estranho e irregular Braga vai sobressaindo a veia goleadora do ponta-de-lança de origem guineense que, este fim-de-semana, no derby frente ao Vitória de Guimarães, voltou a salvar a pele de um fragilizado José Peseiro.

5. Demolidor Bayern. É incrível a capacidade de destruição que este panzer da Baviera possui. Depois da vitória sem espinhas frente ao Arsenal, na passada semana, o Bayern voltou à Bundesliga com fome de golos. Como se fosse um gigante que se alimenta de pequenas presas, indefensáveis e amedrontadas. Este fim-de-semana, a vítima do predador foi o Werder Bremen. Resultado: 6-1. Uma orgia de golos digna de jogo de hóquei de patins. Robben, Ribery, Shaqiri, Gomez e até os médios Javi Martinez e Luiz Gustavo mais o aditivo lateral Lahm desfizeram por completo a humilde defensiva nortenha. Um conjunto de jogadores poderosos (de pensar que no banco e bancada estavam ainda elementos como Mandzukic, Kroos, Schweinsteiger ou Alaba), uma ideia de futebol apelativa (grande segurança com bola no pé, circulando-a de uma maneira quase perfeita, capacidade de atacar organizado e/ou em transição) e golos, muitos golos. Guardiola prepara-se para receber um colosso das mãos do veterano Jupp Heynckes (cumpriu o encontro 1000 na Bundesliga, enquanto jogador e treinador).

6. O Swansea de Michu. Pode parecer injusto para um conjunto de jogadores de grande qualidade (Dyer, Britton, Routledge ou De Guzmán, por exemplo) mas creio que este é mesmo o Swansea de Michu. O jogador espanhol é a referência maior do conjunto galês que levantou, no último domingo, a Capital One Cup (Taça da Liga inglesa). Jogando como “falso 9” e partindo desde trás, é o centro das atenções de quem o marca, dos seus companheiros e de quem está de fora, a assistir ou analisar o jogo. Michu é um jogador alto, aparentemente tosco, mas que define cada vez melhor (o movimento técnico no golo deste fim-de-semana é sublime). Leva muitos golos apontados, apresentando um registo de “9”, sendo que não passa de um “falso 9”. Laudrup, ex-jogador de craveira e agora destinado a ser um dos grandes dos bancos, enquadrou-o na perfeição no “onze” dos Cisnes. Tão bem o enquadrou que ele passou a ser o centro do jogo do Swansea. Se não saírem entretanto, quero muito ver a dupla Michu-Laudrup nas competições europeias. Um em campo, outro no banco, dois intérpretes de bom futebol.

(PS: de repente, veio-me à cabeça o que seria colocar o Laudrup-jogador junto a Michu. Assistência teleguiada perfeita do dinamarquês, para Michu finalizar num leve e fino golpe. Seria igualmente magnífico de se ver…).

7. A armada francesa de Newcastle (e um intruso senegalês). Domingo, 24 de Fevereiro de 2013. A data fica para a história do Newcastle United: comemorou-se o “French Day”. Vários adeptos levaram bandeiras francesas e a instalação sonora do St.James´Park entoou o hino gaulês. Tudo isto como forma de homenagear e motivar os vários jogadores franceses da equipa do Newcastle, eles que têm contribuído para a recuperação do Toon no campeonato inglês. Debuchy à direita, inexcedível a defender e a apoiar ofensivamente, Cabaye, mestre a abrir linhas de passe, Gouffran, agitando o jogo com a sua técnica na esquerda, e Sissoko, qual vagabundo, jogando a toda a largura, mostrando capacidade de sair em apoio e dando dimensão física ao meio-campo dos magpies. A estes 4 craques junta-se um senegalês com muito apetite pela baliza: Cissé. A execução no 2º golo do Newcastle ao Southampton (vitória por 4-2) é de antologia: remata de primeira, sem deixar cair e de fora da área. Colosso.

8. Inter-AC Milan. Era um dos grandes jogos do fim-de-semana. Empataram 1-1, numa bela disputa futebolística. Primeira parte pertenceu por completo ao Milan, asfixiante na pressão exercida sobre o último reduto interista, com especial atenção para as subidas de Muntari, com Boateng também muito activo nesse papel de recuperador de bola. Nas laterais, Abate e De Sciglio alargavam, criavam linhas de passe e cruzavam, quase sem oposição. No meio, apareciam as setas Balotelli e, sobretudo, El Sharaawy, que marcou o golo dos rossoneri (belíssima trivela, após recuperação e assistência magistral de Boateng). Do outro lado, um Inter tímido e curto na 1ª parte deu lugar a um Inter mais alegre e criativo no 2º tempo. Cassano soltou-se mais, assim como Palacio e Guarín. O Milan, por sua vez, pressionava menos em cima, o que deixava mais espaço para respirar à equipa de Andrea Stramaccioni. O golo chegou, de forma supreendente, através dum cruzamento de Nagatomo, direitinho à cabeça do médio-ala Schelotto (recrutado em Janeiro à Atalanta). Apesar da 1ª parte sufocante do Milan, o empate acaba por ser um resultado justo. Ao fim de 24 derbies, novo empate entre os donos de San Siro. Assenta-lhes bem.

9. Feyenoord-PSV. Grande clássico também na Holanda. O Feyenoord derrotou o PSV Eindhoven (2-1), depois de uma 2ª parte a roçar o brilhante. No 1º tempo, jogo menos aberto, com o Feyenoord a mandar e o PSV a defender, organizado, embora com dificuldades para parar os irreverentes extremos Schaken e Boëtius (grande jogo do menino de 18 anos). Forasteiros em vantagem, depois de erro inusitado do craque Jordy Clasie. No entanto, tudo mudou nos últimos 45 minutos. O Feyenoord mandou por completo. Boëtius destruiu a defesa com os seus dribles, repentismo e velocidade, Clasie construiu e Schaken e Pellè finalizaram. Tudo perfeito para os de Roterdão. Uma vitória justíssima que equilibra imenso a luta pelo título no país das Tulipas.

10. Diego Costa. Para finalizar a habitual ronda de fim-de-semana, falo-vos de Diego Costa. O avançado brasileiro do Atlético de Madrid está num momento de forma excepcional. Dá tudo em campo, não desiste de um lance. Rápido, pega na bola, foge com ela e nunca mais ninguém o vê. Excelente complemento para Falcao. É um jogador muito combativo e com grande pujança física. Em 4x4x2, é um avançado ideal para jogar em apoio. Prefiro vê-lo junto a Falcao do que sozinho, jogando só com o apoio de dois alas. Uma parelha dos diabos, capaz de proporcionar grandes dores de cabeça aos defesas adversários e muito golos para o Atleti.

 
foto de abertura © EPA


Francisco Pinho Sousa