Posted 31/05/2013 by Francisco Pinho Sousa in Colunas
 
 

De uma Vitória estrondosa até uma final louca passando por Wembley, Navarra ou Oslo.

A vitória do Vitória de Vitória: Vitória Sport Clube, de Guimarães, o vencedor da Taça de Portugal 2012/13.
A vitória do Vitória de Vitória: Vitória Sport Clube, de Guimarães, o vencedor da Taça de Portugal 2012/13.

1. A vitória do Vitória de Vitória. Pareceu-me uma aliteração adequada face ao tremendo sucesso conseguido pelo Vitória de Guimarães, de Rui Vitória, no passado domingo, no estádio do Jamor. À 6ª tentativa, o emblema vimaranense conseguiu triunfar numa final da Taça de Portugal. Isto tudo numa final com contornos épicos: 1ª parte sem grande chama, mas com Benfica ligeiramente superior. No 2º tempo, boa entrada do Vitória, mas com os encarnados a quebrarem bem o ritmo de jogo. E eis que, em singelos 2 minutos, a história do Vitória e de Vitória mudou para sempre. Dois golos repentinos viraram o jogo e colocaram a Taça a caminho do Toural. Soudani e Ricardo foram os heróis da soalheira tarde do vale do Jamor. Curiosamente, dois jogadores que se preparam para abandonar o clube no final da época (Soudani vai para o Dinamo Zagreb, Ricardo ruma até ao Dragão). Eles foram os obreiros da vitória, através dos golos e das endiabradas arrancadas (mais no caso de Ricardo…), mas não foram os únicos craques do triunfo vitoriano: os centrais Paulo Oliveira e El Adoua brilharam intensamente (o jovem português foi quase perfeito em antecipação, lendo todos os lances de uma maneira muito eficaz e mostrando-se muito rápido), André André formou uma dupla intensa e lutadora com Leonel Olímpio e o craque Tiago Rodrigues fez um jogo táctico excepcional (anulou Matic em várias situações) e foi essencial a usar a sua belíssima visão de jogo. No fundo, a prova de como a aposta na prata da casa e em jovens de divisões inferiores correu na perfeição. Muito mérito de Rui Vitória, um treinador cavalheiro, audaz, tacticamente sábio e com espírito de sacrifício notável. Gandhi disse um dia que uma vida de sacrifício é o cume supremo da arte; é uma vida cheia de alegria verdadeira. O sacrifício do Vitória (e de Vitória) valeu mesmo a pena e trouxe consigo a maior alegria da história do clube (e dos seus dedicados adeptos).

2. Um Benfica angustiante. Wilhelm Ekelund, escritor sueco do século XX, tem uma frase muito interessante para descrever a fase final da época do Benfica: a origem de toda a angústia é a de ter perdido o contacto com a verdade. O Benfica perdeu o contacto com a verdade, virou equipa falsa, apagada, sem chama, longe daquela formação audaz, veloz, vertiginosa, que nos proporcionou momentos de futebol bastante agradáveis ao longo de toda a temporada. A final da Taça foi só mais um triste exemplo de como a época que podia ter sido perfeita, se tornou numa época de pesadelo, com insultos, cuspidelas e tentativas de agressão a um homem que ainda há uma semana gozava de um crédito invejável junto dos adeptos encarnados. O jogo do Benfica teve bons momentos, mas foram escassos. A equipa jogou a medo, com um semblante triste, não afastando em definitivo os fantasmas que a assolavam. E tanto se notou esse medo que, em 2 minutos, tudo o que parecia bem encaminhado se perdeu (mais uma vez…). Culpas? Penso que as teremos que repartir. Jorge Jesus é o líder, logo porventura o maior culpado. A maneira como entrou a medo no Dragão, como menosprezou o jogo com o Estoril ou como “achou” que o 1-0 do Jamor era suficiente fez-nos ver a imagem de um técnico volátil e, quiçá, pouco racional em alguns momentos decisivos. Mas, obviamente, a equipa também tem as suas culpas. Não foi Jesus que fez uma marcação errada no canto de Ivanovic em Amesterdão. Não foi ele que ofereceu dois golos de bandeja em 2 minutos numa final decisiva. No fundo, o que quero dizer é que a culpa nunca morre solteira. O futebol é um jogo colectivo e deve ser entendido como tal, embora se devam abrir algumas (naturais) excepções para destaques individuais. Neste caso, é notória uma falha colectiva, que depois resulta em falhas individuais. A equipa joga receosa, parecendo fazer aquilo que não gosta (jogar de forma pragmática, quase abdicando de atacar), logo surgem os deslizes deste ou daquele jogador, nervosos por sentirem que o castelo se pode desmoronar a qualquer momento. Em suma, creio que a derrota benfiquista no Jamor se deveu à falta de confiança e ao desânimo colectivo. O risco de perder esteve sempre nas cabeças, mais do que o de querer resolver a contenda e arrecadar a Taça. Foi, de facto, angustiante.

3. Uma final frenética, com várias histórias. Depois do aborrecimento da final de 2012 (escrevi, na altura, que dificilmente veríamos uma final tão pouco entusiasmante nos tempos mais próximos), a Liga dos Campeões teve no seu jogo decisivo um dos pontos altos da temporada. Frente-a-frente, as duas melhores equipas alemães e, por consequência, as duas melhores da época da Champions. Em Wembley, Bayern e Borussia Dortmund foram a representação fiel do estado actual do futebol alemão: grande ambiente nas bancadas, jogo intenso, física e tacticamente, veloz e cheio de vida. Estivemos, sem dúvida, perante dois grandes finalistas, que encararam esta final como a hipótese de mostrarem ao mundo o crescimento da Bundesliga, também enquanto exemplo a seguir por outras Ligas europeias. O Bayern ganhou, mesmo no final, com um golo daquele rapaz que não parecia estar talhado para as finais (Arjen Robben). Foi justa a vitória? Creio que sim, apesar da belíssima entrada em jogo do Dortmund. A equipa de Jürgen Klopp comeu o meio-campo, com Bender e Gundogan a revezarem-se na tarefa de pressão sobre os elementos que dariam saída de bola ao Bayern (Schweinsteiger e Javi Martínez). Depois, na frente, Lewandowski e Reus davam a mobilidade e verticalidade necessária para criar desequilíbrios. Porém, ao Borussia faltou maior eficácia e, passados esses 25 minutos de pressão intensa, o Bayern lá se começou a soltar. Javi Martínez ficou mais livre para a saída de bola, começou a arrumar a casa e os bávaros cresceram. Foram criando ocasiões mas Weidenfeller fez uma das exibições da sua vida (foi o melhor do BvB). Ao intervalo, nulo no marcador, justo tendo em conta que ambas as equipas haviam repartido domínio e oportunidades. Na segunda parte, o Borussia tentou entrar forte mas o Bayern respondeu bem. Robben, Ribéry, um mais esclarecido Muller e o goleador Mandzukic proporcionaram autênticos momentos de terror à defensiva do Borussia. O golo chegou (marcou Mandzukic), sendo que se seguiu resposta da equipa de Klopp: Reus, com a sua verticalidade, entrou pela área em velocidade e sofreu penálti, convertido por Gundogan. Faltavam, sensivelmente, 20 minutos para o fim. E então, o que aconteceu? Daí para a frente, só deu Bayern. Velocidade, aproveitamento dos espaços e do cansaço da defesa do Borussia. Diz o provérbio, água mole em pedra dura, tanto bate, até que fura. Neste caso, nem a água era assim tão mole, nem a pedra dura. Mas a insistência e maior vivacidade do Bayern valeu um grande triunfo, conquistado em cima do minuto 90. Um prémio para a época enorme desta equipa, de jogadores como Ribéry, Lahm, Robben, Alaba ou Mandzukic e, sobretudo, para um veterano técnico, daqueles que ama o futebol e gosta de fazer as suas equipas jogar com notável capacidade ofensiva (Jupp Heynckes). Uma grande final, entre duas grandes equipas e dois grandes treinadores. Todas deveriam ser assim, mas sabemos como o futebol não tem de ser sempre belo.

4. Lazio a toda a linha. Um grande dérbi romano fechou a temporada de futebol em Itália. Mais uma vez, a Lazio levou a melhor sobre a grande rival AS Roma e logo no jogo mais importante da época, para ambas as equipas: a final da Taça de Itália. A Lazio, montada numa espécie de 4x5x1, foi sempre a equipa mais sólida em campo, mostrando grande capacidade táctica e defensiva. Do outro lado, uma Roma que melhorou a defender no pós-Zeman mas que perdeu criatividade ofensiva. Totti ou Lamela já não são os mesmos da melhor fase da época. É certo que a Lazio fechou muito bem o espaço por onde entram esses elementos, mas faltou-lhes alguma clarividência. Na segunda parte, a equipa laziale melhorou, com Onazi incansável a fechar o espaço defensivo (fundamental pela agressividade, embora, por vezes, exagere nas faltas cometidas) e Hernanes a subir um pouco mais para junto de Mauri. Nos flancos, Candreva (alarga imenso o jogo e tem uma capacidade técnica notável) e Lulic (incansável, a fechar e a sair com bola) estiveram soberbos e construíram o lance do golo (que começou com grande desmarcação de Mauri para Candreva, diga-se). Atrás, o impecável Biava e um grande keeper, Marchetti, quase sempre atento e bem em antecipação. Espírito de sacrifício notável e capacidade táctica assinalável. A Lazio de Petkovic foi algo irregular mas nos jogos contra a Roma não falhou. Com isto, ganhou um título e o acesso à fase de grupos da Liga Europa. E não é coisa pouca, com toda a certeza.

5. Osasuna é de Primeira. Mais uma época a chegar ao fim e mais uma manutenção garantida pela equipa do Osasuna. Muito mérito para o técnico José Luis Mendilibar. O Osasuna terá, porventura, um dos plantéis menos atractivos da Liga espanhola, no entanto, tem a fibra e a garra que tem faltado a outras equipas (Maiorca ou Celta, por exemplo). Além disso, ajuda muito ter um elemento com experiência como Patxi Puñal que, aos 37 anos, continua a ser uma lenda do clube, trabalhador incansável e autor de golos decisivos como o do passado domingo frente a um decepcionante Sevilha (podem crer que a época do Sevilha dava para um capítulo longo…). Montada em 4x2x3x1, a equipa de Navarra costuma apostar numa estratégia defensiva, para depois sair em contra-ataque. Essencial a acção dos alas Masoud, De las Cuevas e, sobretudo, Cejudo, que entrou para o lugar de De las Cuevas na segunda parte. Atrás, uma linha defensiva experiente, nem sempre flexível, mas que, em certos jogos, se revela unida e consistente (Marc Bertrán-Rubén-Arribas-Damiá). Depois, temos os extremos do campo: na baliza, um dos melhores do campeonato, Andrés Fernández, falado inclusive, em tempos recentes, para o Real Madrid. No ataque, Kike Sola costuma ser a opção principal. Avançado móvel, não é um goleador-nato, mas tem um registo interessante (9 golos). Tem como alternativas Armenteros, Nino ou Joseba Llorente. Uma equipa sem grandes nomes, composta por muitos jogadores espanhóis, todos com uma enorme paixão e carácter. O Osasuna é mesmo uma daquelas equipas onde ninguém, mesmo ninguém, vira a cara a luta. Merecem o lugar entre os melhores!

6. Brasileirão: De um Cruzeiro goleador a um Inter em construção passando pelo Santos-Flamengo. Começou o Brasileirão. Tive a oportunidade de assistir a 3 jogos no último fim-de-semana. Começo pelo Cruzeiro-Goiás, jogo que terminou com a goleada dos mineiros (5-0) e a conquista da liderança à 1ª jornada. Embora me pareça que faltam mais soluções, o Cruzeiro tem, claramente, um “onze” de candidato ao título. Dedé, Nilton, Diego Souza, Borges ou Dagoberto são elementos de grande valor e que poderiam actuar perfeitamente numa boa equipa europeia. A primeira parte do Cruzeiro foi avassaladora (4-0 ao intervalo). Pressionante, pegando bem no jogo, a equipa de Belo Horizonte foi extremamente incisiva e aproveitou bem as falhas defensivas tremendas da equipa do Goiás (3 golos consentidos após pontapés-de-canto). Uma exibição promissora, que deixou óptimos indicativos para o que resta de campeonato. Ainda no domingo, aconteceu o jogo da jornada: Santos-Flamengo. Em casa emprestada, o estádio Mané Garrincha de Brasília, numa espécie de último grande teste antes da Taça das Confederações. O resultado foi 0-0. Santos muito frouxo, com um Neymar pouco decisivo, em vésperas da viagem para Barcelona. Do outro lado, o Flamengo dispôs das melhores ocasiões mas foi muito perdulário. Ficaram, ainda assim, bons apontamentos do conjunto orientado pelo ex-jogador Jorginho. Por último, o primeiro jogo do campeonato, disputado sábado, em Salvador da Bahia: Vitória vs. Internacional. Grande entrada da equipa da casa com 2 golos antes do quarto-de-hora. Notórias dificuldades do novo Inter de Dunga, equipa que está a passar por um processo de adaptação. No entanto, os gaúchos responderam muito bem, liderados por um enorme Fred (miúdo muito talentoso), ladeado pela experiência, qualidade e presença de elementos como D´Alessandro ou Forlán. O resultado final foi 2-2 (Forlán fez o primeiro após assistência de Fred, que faria o segundo). A impressão que fica é que este Inter, assumindo os jogos e melhorando bastante em termos defensivos, pode ser uma equipa a ter em conta. Se Dunga não trabalhar bem estes aspectos poderá vir a ter um ano bastante complicado. Veremos.

7. Vålerenga-Rosenborg. Perante a quase ausência de grandes jogos no sábado (motivada pela final da Champions League), decidi investir um pouco de tempo nos campeonatos mais underground. Um deles, o campeonato norueguês. O cartaz pareceu-me apelativo: o histórico da capital Oslo, Vålerenga, contra o clube mais laureado da Noruega nos últimos anos, o Rosenborg. Vålerenga afundado na parte baixa da tabela; Rosenborg procurando aproximar-se do líder Strømsgodset. O Rosenborg venceu por 2-1, mas o jogo nem sempre esteve fácil. Na primeira parte, o Vålerenga, liderado por um inspirado Diego Calvo (bons movimentos de fora para dentro, procurando o potente pé direito), criou mais perigo e poderia ter-se colocado em vantagem. No entanto, a resposta do Rosenborg no segundo tempo foi bastante concludente. Svensson soltou-se, Selnaes juntou-se a ele, vindo do banco, e transfiguraram por completo o encontro. O Rosenborg começou a encontrar mais espaços e aproveitou na perfeição: Reginiussen, de cabeça, e o promissor Svensson, num pontapé fortíssimo à entrada da área, decidiram o encontro. Do outro lado, resposta já tardia, com um golo que não valeria para nada. Conclusão: foi um jogo interessante de seguir. Falta algum valor colectivo à Liga norueguesa, mas vão sempre surgindo jogadores muito interessantes: Svensson, Diego Calvo, Selnaes, Dockal ou Diskerud são nomes a seguir. Tentem ver um jogo, mas escolham bem!

8. O Saint-Étienne forasteiro joga sempre a medo. Tem sido uma tendência da equipa de Christophe Galtier esta temporada: nos jogos teoricamente mais complicados, fora de portas, o Saint-Etienne nunca arrisca demasiado, jogando quase sempre para o empate. A equipa entra demasiado conservadora, não explorando bem as suas virtudes ofensivas (que até são bastantes). Este fim-de-semana, na deslocação ao terreno do Lille, só não foram goleados porque a equipa de Rudi Garcia esteve brutalmente perdulária em frente à baliza. Creio que todo este conservadorismo nunca me foi deixando muitas dúvidas sobre a capacidade da equipa ficar em 3º lugar. Seria difícil conseguir esse objectivo, não tendo ousadia nos momentos certos.

9. Crystal Palace de regresso ao convívio com os gigantes. Prémio justo para o Palace esta subida à Premier League. Na final de Wembley, com Mourinho nas bancadas, o Crystal Palace mostrou, especialmente a partir do segunfo tempo, que era a equipa que mais ambicionava chegar ao escalão principal. A estrela Wilfried Zaha levou, literalmente, a equipa ao colo, numa exibição magnífica, repleta de grandes momentos, em velocidade, no um-para-um, fazendo a cabeça em água aos seus adversários. Foi claramente o melhor jogador da época no Championship. Mas não foi a única figura da época do Palace: o lesionado Murray (goleador da equipa durante toda a época), os médios Digkacoi (lesionou-se cedo na final) e Jedinak, os laterais Ward e Moxey, a experiente dupla de centrais (Gabbidon-Delaney), o jovem Williams, o “10” Garvan ou suplentes decisivos como Bolasie ou O´Keefe. Isto tudo sem esquecer a experiência do argentino Julian Speroni na baliza. Na fase regular, o Palace não conseguiu ser tão forte quanto o Watford. Porém, nesta final, mostrou-se superior e mereceu o destino final. Mérito enorme do técnico Ian Holloway, que consegue a 2ª subida da carreira, depois de ter levado o Blackpool, em 2010, à Premiership.

10. Um guarda-redes louco que virou o destino de uma final. Aconteceu, no último fim-de-semana, no México: no jogo decisivo da final do Clausura, entre América e Cruz Azul, o guardião do América, Moisés Muñoz, subiu numa bola parada e cabeceou, com a bola a sofrer ligeiro desvio, é certo, para o fundo das redes, dando a chance à sua equipa de jogar o prolongamento e os penalties: viriam a ganhar por 4-2 na lotaria final. Foi, de facto, um jogo incrível. Jogando com 10 desde o minuto 13 (expulsão do médio Jesús Molina), o América parecia condenado ao insucesso. Os contra-ataques velozes do Cruz Azul, e consequentes oportunidades de golo, poderiam ter resolvido facilmente o jogo. No entanto, o América foi-se aguentando e, nos últimos minutos, em dois lances de bola parada, conseguiu anular a vantagem do Cruz Azul (conquistada na primeira parte, graças a um belo golo de Teófilo Gutiérrez). Depois, no prolongamento, o América jogou com a superioridade psicológica e poderia ter resolvido a contenda. Não conseguiu, mas os danos do outro lado eram tão notórios que, chegados às grandes penalidades, os jogadores do Cruz Azul falharam as duas primeiras e mostraram que o América tinha o caminho aberto para completar uma reviravolta épica. Um título especial, conquistado por uma equipa lutadora e com bons valores (belíssima dupla de ataque, com o tanque Chucho Benítez e o jovem Jímenez, e meio-campo de qualidade composto por elementos como Medina ou Sambueza).

 
foto de abertura © Enric Vives-Rubio/PÚBLICO


Francisco Pinho Sousa