Posted 30/04/2013 by Francisco Pinho Sousa in Colunas
 
 

Do 33 a caminho da Luz a uma “cancha” louca passando por goleadores e um Professor com “alma”.

Do 33 a caminho da Luz a uma "cancha" louca passando por goleadores e um Professor com "alma".
Do 33 a caminho da Luz a uma "cancha" louca passando por goleadores e um Professor com "alma".

1. O 33 está a caminho… Mesmo a tremer um pouco, o líder Benfica não vacila. O 33º título está bem encaminhado para os “encarnados”. O Marítimo foi o que se esperava: oponente duro, rápido na maneira como se organiza a sair para o ataque e bem posicionado a defender. Um penalti e um auto-golo (e os Deuses da Sorte…) decidiram o jogo a favor do Benfica. A qualidade da exibição já nem conta: o importante passa mesmo por somar os 3 pontos todos os fins-de-semana (pelo menos até ao Dragão). Não brilhou muita gente na noite amena da Pérola do Atlântico mas há um rapaz que sobressai sempre: Nemanja Matic. Brutal a recuperar, a pautar os ritmos e a sair com a bola controlada, não deixando que ninguém a roube. Entra, de caras, num “onze” das revelações das maiores Ligas europeias desta temporada. Magnífico. Ele é a cara lutadora e brava deste Benfica, a cara que merece mesmo o tal título número 33…

2. Lucho, dragão de ouro. Já mais lento, mas sempre abnegado, Lucho é a imagem de um Porto que se quer manter vivo, que quer acreditar e que sonha ainda, apesar da possibilidade de título não ser mais do que uma imagem ténue. Para lá do golo apontado ao Vitória de Setúbal (com assistência magistral de James), há sempre mais a registar na exibição do capitão portista: a abnegação. Mesmo já não aguentando tão bem fisicamente e desaparecendo do jogo umas quantas vezes, El Comandante mantém a aura e a capacidade de, de um momento para o outro, transportar a equipa para um campo de classe e elegância que é difícil de atingir. Há quem diga que no actual esquema Lucho já atrapalha. É certo que falta rapidez, mas a coordenação e inteligência estão lá. Juntem-nas ao habitual espírito de sacrifício e temos jogador para todas as horas. Sejam boas ou más.

3. A “alma” de Jesualdo. Para mim, é indiscutível que o Sporting ganhou, com Jesualdo Ferreira ao leme, um verdadeiro condutor de homens. Condutor de vontades, de atitude, de perseverança. No fundo, um autêntico líder. E um líder é alguém que se quer com carisma, com alma. Acho que esta é mesmo a palavra-chave: alma. O Sporting de Jesualdo joga com alma (seja lá o que isso for…). Confiando no dicionário, alma significa a parte imoral do ser humano, o próprio corpo ou a consciência. Neste caso, fico-me pela oitava definição: alma é agente, motor principal; o que dá força e vivacidade. A coexistência da inteligência e maturidade do Professor e a vontade de aprender e de triunfar dos jogadores revelou-se fundamental para que o casamento funcionasse. O Sporting precisa de estabilidade e parece ter encontrado o homem certo. Será que Bruno de Carvalho irá renovar com Jesualdo? Para bem do Leão, era o melhor que tinha a fazer…

4. A “alma” dá força e vivacidade… Pois bem, é o que aparece descrito na tal oitava definição do Dicionário da Língua Portuguesa. Força e vivacidade. O que não faltou aos extremos do Sporting no encontro frente ao Nacional. Eles foram fogo em campo, quais puros-sangue latinos, correndo desenfreadamente pelo campo, procurando o melhor espaço, a melhor finta, o melhor cruzamento e o melhor remate. Bruma e Capel, Capel e Bruma. Brupel e Capruma (a dada altura já ia confusão tal na cabeça dos laterais do Nacional que até os nomes se misturavam…). No primeiro golo, Bruma dançou com Claudemir, abandonando posteriormente o par e cruzando para o mágico calcanhar do ex-sevilhista. Depois disso, continuou o recital de ambos no relvado do estádio com nome de honrado Visconde (que orgulho teria ele se fosse vivo e visse algumas das maravilhas destes rapazes). Ele eram fintas, mudanças de velocidade, conduções em aceleração, um sem-número de bonitos, porém, sem a eficácia desejada. Entretanto, Bruma ofereceu o “cálice da salvação” a Candeias, redimindo-se a caminho do fim, com um cruzamento imparável para a cabeça de Rojo, após canto de…Capel. Um final feliz numa história estonteante. O que este Leão precisava era de alma!

5. Portas fechadas à emoção. Compreendo que se puna a violência ou tentativas de tal. Mas parece-me que privar os adeptos de ir ao futebol ou, sequer, de vê-lo ou ouvi-lo na rádio, é tremendamente injusto para quem não prevarica (larga maioria) e quer estar sempre perto do seu clube. No domingo, aconteceu em Guimarães um jogo triste. Não pelo resultado e pela intensidade (2-2, entre duas das melhores equipas da nossa Liga, com uma 2ª parte vertiginosa), mas pela falta de público. O tal 12º jogador. Confesso que fiquei muito agradado com o acto dos jogadores vitorianos, que antes de entrarem em campo para defrontarem o Paços, foram à porta do estádio, agradecer ao milhar de indefectíveis que se deslocou só à porta do D. Afonso Henriques, para dar apoio à distância e, com um pouco de sorte, descobrir uma nesga que desse para assistir a um pouco do gracioso encontro lá disputado. Encontro esse que teve grandes golos (Tiago Rodrigues e Luís Carlos) e que veio confirmar que Baldé não engana, vai ser mesmo um tanque de ataque valioso num futuro próximo.

6. Vidal, o melhor jogador da época. A Juventus tem um grupo de jogadores absolutamente extraordinários, que irá revalidar o título nesta temporada. Fala-se muito em Pirlo, Marchisio, Vucinic ou até Lichtsteiner mas, para mim, o melhor jogador da época tem sido o chileno Arturo Vidal. Essencial no apoio defensivo, na transição, mostra incríveis qualidades na condução da bola e na maneira aguerrida como disputa cada lance. Este fim-de-semana, mostrou outra das suas mais-valias: a meia-distância. Após passe de Marchisio, pegou de primeira e atirou colocado, sem hipóteses para o keeper do rival da cidade, o Torino. No fundo, este golo, que garantiu quase em definitivo o título, foi um dos pontos altos de uma época extraordinária deste médio chileno. A Juventus já é um clube muito grande mas acredito que um dia possa acabar num dos grandes de Espanha ou Inglaterra. Ou até no país da moda, a Alemanha, onde já foi figura e cresceu como jogador, ao serviço do Bayer Leverkusen.

7. Goleadores do fim-de-semana: Bony, Pellè, Benteke, Huntelaar, Pazzini… Este fim-de-semana, dediquei-me a ver alguns goleadores que tem chamado a atenção esta temporada e outros que pareciam perdidos mas que regressaram às suas equipas em grande plano. Na Holanda, saltam à vista dois “9” de área, autênticos monstros sagrados do golo e autores de uma temporada para a história. Falo de um craque já referido aqui noutras semanas, Bony Wilfried, e do italiano Graziano Pellè. Bony, nome-maior do Vitesse, é golo puro. Seja de cabeça, seja com o pé direito, a sua potência física e capacidade de entrar nos espaços na perfeição faz dele um dos homens-golo da moda no futebol europeu. Só na Eredivisie, já leva 31 golos (este fim-de-semana mais um, na recepção ao Willem II). Tudo isto, em apenas 28 jogos. Arrasador. Quanto a Pellè, depois de um início promissor de carreira, foi-se perdendo por clubes modestos em Itália, até que chegou a oportunidade holandesa (para jogar no AZ Alkmaar). Entretanto, saiu para o histórico Feyenoord, onde esta época se tem revelado uma autêntica máquina de fazer golos (26 em 27 jogos). É alto (1,93m) mas relativamente coordenado nos seus movimentos. Não é muito rápido nem tecnicista mas a maneira como coloca a bola na baliza com o seu pé direito ou de cabeça fazem dele um ponta-de-lança muito interessante de seguir. Já com 27 anos, poderá estar à beira de ter a primeira oportunidade da carreira num clube grande. Depois da Holanda, trago goleadores de campeonatos maiores. Em Inglaterra, o espectáculo-Benteke continua. E vão 18, só na Premier. Esta segunda-feira, apontou um hat-trick na goleada ao Sunderland (6-1). Na Alemanha, reapareceu Huntelaar. Primeiro jogo desde a lesão que o vergou, em Março, no dérbi frente ao Borussia Dortmund. E logo respondeu com hat-trick, pleno de oportunismo, marca pura de um autêntico Caçador do golo. Na Série A, por fim, Pazzini voltou a mostrar que o Milan lhe tem feito muito bem. Um pouco afastado da equipa após a chegada de Balotelli, tem respondido com golos, daqueles com marca de homem de área. Bisou, no último domingo, frente ao Catania, revelando-se peça-chave da magnífica reviravolta milanista. A prova de como os homens-golo puros continuam bem vivos na velha Europa do futebol.

8. Diego, o mago da cidade da Volkswagen. Wolfsburgo foi uma cidade concebida em 1938 pelos nazis para albergar a fábrica de uma nova marca de automóveis do estado (a Volkswagen) e os seus trabalhadores. Hoje em dia, findo há muito o período autoritário na Alemanha, Wolfsburgo é uma cidade industrial, tranquila, ainda muito agarrada à marca da Volkswagen, é certo, mas com uma qualidade de vida interessante. Ainda mais interessante, certamente, porque no clube local joga um mago, um daqueles craques do futebol que nos enche a alma (novamente a dita cuja…) e nos faz ficar fascinados de cada vez que o vemos jogar (quase como se fosse sempre a primeira vez que o víssemos). Falo, claro está, de Diego Ribas da Cunha, mais conhecido como Diego. O número 10 do Wolfsburgo continua a espalhar magia com o seu pé direito, assistindo os seus companheiros, encontrando as melhores linhas de passe e, claro está, finalizando. Este fim-de-semana, numa onda mais underground, decidi acompanhar jogos menos importantes dentro das grandes Ligas. Assisti ao Wolfsburgo – Borussia Moenchengladbach e posso dizer que, com toda a certeza, não me arrependi. Foi um recital de Diego, aliás mais um, numa época de grande nível (9 assistências e 12 golos em 34 jogos, entre Liga e Taça). 2 assistências e 1 golo, pormenores de magia pura, que fazem da Volkswagen Arena (casa do Wolfsburgo) um dos estádios mais felizes do mundo. Isto é, Diego em estado puro. 28 anos, o auge da maturidade na sua carreira. É jogador para algo mais que o actual Wolfsburgo, com todo o respeito pelo clube. Para a próxima época, perspectivo saída para outro patamar competitivo, de novo. Merece.

9. Vendo o Spartak Moscovo. Boas sensações tem deixado a equipa de Valeri Karpin (suspenso no encontro deste fim-de-semana). Na última jornada, vitória sobre o Anzhi, por 2-0. Montada no habitual 4x2x3x1, a equipa do Spartak mandou quase sempre, assentando o seu jogo numa posse de bola objectiva, tentando aproveitar a verticalidade dos laterais (sobretudo o talentoso Kombarov) e os movimentos amplos dos alas Yakovlev e McGeady, assim como do brasileiro Ari. Kim Källström ajudou à festa, marcando, num remate colocado, ainda bastante cedo. Atrás, vai brilhando o italiano Bocchetti, grande reforço de Inverno da equipa moscovita. Implacável no desarme, por alto e por baixo, na saída de bola e muito forte posicionalmente. Tem progredido imenso. Na 2ª parte, o Spartak foi controlando, perante um Anzhi excessivamente dependente da magia de Willian e da capacidade finalizadora de Eto´o (nem um nem outro estiveram nos seus melhores dias…). Emenike, de regresso à equipa, forçou penalti, provocou expulsão do guarda-redes Gabulov e Kombarov aproveitou para decidir o encontro. Vitória clara, assente numa dinâmica interessante, com um duplo-pivot de excelência (Källström-Vukojevic), um central em excelente forma (Bocchetti), um dos laterais-esquerdos mais interessantes da Europa (Kombarov), uma dupla de alas correcta e desequilibradora e dois homens, que juntam mobilidade e capacidade de segurar bola e jogar em apoios (Ari e Dzyuba). A época já esteve bem negra para o Spartak. Hoje em dia, a Liga Europa parece certa. E veremos se ainda dá para chegar à Champions

10. Newell´s-Racing. Grande jogo na Argentina este fim-de-semana. Terminou 4-3, a favor da equipa do Newell´s Old Boys. Gosto muito de ver esta equipa jogar. Tacticamente correcta e muito competitiva, a formação de Rosario tem jogadores com muita qualidade técnica (Pablo Pérez, Tonso, Cruzado), tem um avançado completo e incisivo (Scocco) e elementos com experiência europeia que são claras mais-valias (Heinze ou Maxi Rodriguez). Do outro lado, brilhou um jovem do qual já falei aqui: Luciano Vietto. 3 golos e um recital de futebol. Completo, joga a toda a largura, tem técnica e é muito forte a aparecer nas zonas de finalização. 19 anos e já mostra muito futebol. Grande promessa a surgir do clube de Avellaneda.

 
foto de abertura © daylife.com


Francisco Pinho Sousa