Random Article


 
A ferver
 

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

 
 
Futegrafia
 

Treinador: Terrivelmente recebido em Stamford Bridge, quando foi apresentado como técnico interino no final de novembro de 2012, Rafa Benítez viveu momentos muito delicados que se agudizaram com a derrota diante do Corinthians na final do Mundial de Clubes. Soube resistir às críticas, aos apelos permanentes à sua destituição e a várias humilhações. A dois jogos de encerrar a sua curta passagem pelos blues para ceder o lugar ao desejado Mourinho, poderá conquistar mais um troféu europeu para o seu vasto currículo e tem praticamente nas mãos o 3º lugar na Premier League, posição que valerá a entrada directa na fase de grupos da Liga dos Campeões.
 
Plano A: Rafa Benítez é fiel ao 4-2-3-1. Na baliza, sempre que fisicamente apto, Petr Cech. Os laterais de primeira linha são Ashley Cole e Azpilicueta. Bertrand é alternativa válida, mas improvável, a Ashley Cole na esquerda. Quanto aos centrais, maior variabilidade - várias possibilidades dispostas por ordem de probabilidade para a final da Liga Europa: Ivanovic / Cahill; Ivanovic / David Luiz; Terry / Ivanovic; Terry / Cahill; David Luiz / Terry. No meio-campo, Ramires é praticamente certo. A acompanhá-lo, David Luiz é o jogador que mais intensidade mostra ter nesta fase da época. A hipótese mais forte para substituir David Luiz no meio-campo, caso o internacional brasileiro jogue a central, é Lampard. O trio de apoio ao ponta-de-lança tem como primeiras escolhas Oscar, Mata e Hazard. As dúvidas quanto ao estado físico do último abrem espaço para a possibilidade de Moses jogar descaído pela esquerda. Na frente, pela impossibilidade de Demba Ba jogar nas competições europeias 2012/13 pelo Chelsea, Fernando Torres será, com toda a certeza, a opção de Benítez.
 
Plano B: Colocado em prática, de início, no jogo da primeira mão frente ao Basileia (fora) e, nos últimos 10-15 minutos dos 3 jogos analisados, Rafa Benítez poderá optar por inverter o triângulo do meio-campo, passando de um 2-1 para um 1-2 (um médio, mais recuado, entre as linhas do quarteto defensivo e de meio campo, como suporte a um duo mais livre, posicionado à sua frente), originando algo próximo a um 4-3-3. David Luiz é o jogador mais bem cotado para tomar a posição entre-linhas, não sendo de excluir a remota possibilidade de Obi Mikel surgir como surpresa - em plano A ou em plano B. Aké tem sido chamado a jogo pelo treinador com alguma frequência quando é necessário alternar para este sistema. O resto da formação (defesa e ataque) não aparenta ter dinâmicas alternativas trabalhadas. A equipa projectada para quarta-feira tem por base o plano A, dado o historial táctico recente e já que é provável que Benítez conte com um meio-campo de 2 elementos por parte do Benfica.
 
As Figuras: Petr Cech, no Chelsea desde 2004/05 e com quase 26.000 minutos jogados, é um dos pilares emocionais da equipa e referência em todo e qualquer contexto. Possante no controle aéreo da pequena área e muito forte no controlo espacial da baliza, tem apenas como handicap alguma falta de confiança na abordagem a lances de futebol aéreo que pressuponham contacto físico. David Luiz, tremendamente versátil, é o motor do meio-campo. Afirmou-se, na presente época, como uma opção mais do que válida como médio-centro. Em grande momento de forma físico e psicológico. Ramires, o pulmão. Jogador imprescindível no meio-campo blue, pode actuar igualmente como extremo direito. Muito forte nas acções de pressão e desarme sobre o adversário, como também na capacidade de progressão com bola. Juan Mata, um dos jogadores que melhor combina criatividade e consistência no Mundo. Inteligente e preciso no momento da decisão. Nível muito acima da média na definição de jogadas (passe, cruzamento e remate).
 
Revelações: Eden Hazard e Oscar. Apesar de já serem considerados estrelas da equipa no Lille e no Internacional de Porto Alegre, a subida de patamar competitivo a que foram expostos com a transferência para o Chelsea levantou algumas dúvidas aos mais cépticos. A temporada de 2012/13 veio em forma de uma plena e inequívoca afirmação de ambos nos maiores palcos do futebol mundial.
 
Expectativas: O que resta da presente época para o Chelsea, deixa apenas em aberto a definição da posição final na Premier League. Estando o objectivo principal alcançado, dependem agora de si próprios para acederem directamente à fase de grupos da Champions League 2013/14. No contexto europeu, o objectivo passa pela conquista da Liga Europa. Dado o poderio financeiro, táctico, físico e técnico, devem ser considerados favoritos para o jogo da Final contra o Benfica.
 
 
Guarda-Redes
8.5


 
Defesa
8.0


 
Medio-Campo
8.5


 
Ataque
8.5


 
Sistema Táctico
8.0


 
Organização Defensiva
7.5


 
Transições Defensivas
6.5


 
Organização Ofensiva
9.0


 
Transições Ofensivas
8.5


 
Bolas Paradas Defensivas
8.5


 
Bolas Paradas Ofensivas
8.5


 
Total Score
8.2


 


0
Posted 14/05/2013 by José Pedro Teixeira

 
Quadro Táctico
 
 
Onze Provável

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

 

Jogos-Chave

08-05-2013 Chelsea 2-2 Tottenham

 

Como Começou:

08-05-2013 Chelsea 2-2 Tottenham

Como Acabou:

08-05-2013 Chelsea 2-2 Tottenham

05-05-2013 Manchester United 0-1 Chelsea

 

Como Começou:

05-05-2013 Manchester United 0-1 Chelsea

Como Acabou:

05-05-2013 Manchester United 0-1 Chelsea

02-05-2013 Chelsea 2-2 Basileia

 

Como Começou:

02-05-2013 Chelsea 2-2 Basileia

Como Acabou:

02-05-2013 Chelsea 2-2 Basileia

 

Análise

A equipa organiza-se num 4-2-3-1 móvel e dinâmico. Ritmo forte e constante, com grande intensidade das movimentações sem bola, tornam-no o momento mais forte da equipa. Futebol directo e futebol apoiado fazem ambos parte do modelo de jogo do Chelsea em organização ofensiva. O primeiro mais acentuado nas primeiras fases de construção (a partir dos centrais).

Na 1ª fase de construção, Ivanovic e Cahill procuram solução de passe sem demasiada condução de bola. O mais frequente é existirem duas opções voluntárias e uma opção involuntária. Ora passe directo num jogador solto, normalmente encostado a uma ala, ora passe curto e seguro para que os médios-centro iniciem a 2ª / 3ª fase. A opção involuntária passa pelo alívio em caso de pressão alta e agressiva de um adversário. Cahill pode ser particularmente vulnerável nesta situação. Dos dois centrais, Ivanovic é quem sobe e progride mais com bola. Também é este o mais seguro e assertivo na tomada de decisão.

O processo verdadeiramente criativo e enérgico de organização começa nos pés de David Luiz ou Ramires. Quando o primeiro joga a central, a intensidade é ainda mais forte a partir da 1ª fase de construção. A chave para anular a força ofensiva do Chelsea será pressionar rápida e agressivamente os dois brasileiros. Procurando, de preferência, a antecipação.

É daí para a frente que há maior variabilidade de movimentos. A imagem abaixo procura retratar uma situação comparando a posição momentânea do ponta-de-lança + 3 médios ofensivos (um deles em posse) + 1 interior + lateral esquerdo com aquela que seria a sua posição-base. De notar que a movimentação representada de Demba Ba é uma das deslocações características de Torres, que jogará na quarta-feira.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Apesar do overlapping do lateral ao extremo (subida do lateral, normalmente, nas costas do colega) ser frequente, não é explorado à exaustão. É de assinalar a capacidade de chegada a zonas de finalização por parte dos médios centro, quer sejam Ramires e Lampard ou Ramires e David Luiz. Todos podem surgir com a mesma probabilidade, embora fique sempre um mais recuado em cobertura posicional.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Para melhor se entender a mobilidade dos médios-centro do Chelsea, abaixo ficam os mapas de acção de David Luiz e Ramires no jogo frente ao Tottenham:

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

David Luiz vs. Tottenham (mapa de acção).

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Ramires vs. Tottenham (mapa de acção).

A definição em 4ª fase (últimos 30 metros) passa, muitas vezes, por uma movimentação característica de Torres ao deslocar-se, sem bola, para um corredor lateral, procurando arrastar consigo um central e abrindo, assim, espaço para penetração de um colega de equipa.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Apesar de Moses não ser particularmente voluntarioso na ajuda ao duo do meio-campo para construir de trás, é um elemento a ter em conta nas diagonais fora-dentro que faz para zonas abertas por Torres. Também o faz quando o lateral do seu corredor está a ocupar o seu território com posse. Muito forte fisicamente, rápido e perigoso no duelo com contacto.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Tanto Oscar como Mata são jogadores brutalmente criativos e imprevisíveis. Tecnicamente os mais fortes da equipa, são muito perigosos no 1×1 ofensivo e em qualquer situação em que haja a possibilidade de tocar e ir. Ambos finalizam muito bem. Oscar remata de zonas improváveis com muita precisão. Mata pode, em algumas situações, aproveitar bolas ganhas no ar por Torres – aproxima-se do ponta-de-lança para procurar ganhar segunda bola (“ressalto”) e sair a jogar ou afasta, em profundidade, para aproveitar flick aéreo (em desvio) do colega.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

O Chelsea procura terminar, com muita frequência, os lances de ataque com cruzamentos. Ainda assim, em processo de organização mais trabalhado, tentará criar situações de finalização através de movimentações aleatórias dos 4 homens da frente (e, por norma, de 1 médio-centro que sobe). Há que tomar atenção à óptima capacidade de remate de meia distância de quase todos os jogadores do Chelsea.

Torres é sempre um jogador a ter em conta. Pela inteligência em movimentações sem bola, bem como pela capacidade de atrair marcação com bola e soltar para um colega livre.

A reacção colectiva após recuperação de bola é a chave para determinar o tempo que o adversário terá para reagir à perda. A qualidade técnica da grande maioria dos jogadores assim o dita. É extremamente difícil que se consiga condicionar grandemente este momento de jogo do Chelsea, a menos que o portador da bola se trate de um dos centrais.

O estado anímico, estado físico, resultado e tempo de jogo ditam a opção tomada neste momento: ataque rápido ou organizado. O primeiro, se não for defendido com o máximo rigor, é muito perigoso. O adversário deve evitar ao máximo cair no engodo de deslocações cruzadas entre jogadores blues para que não se criem facilmente situações de finalização. A capacidade física sobre-humana de alguns jogadores, como Ramires, faz com que a falta em zona adiantada seja um recurso muito útil para travar o desdobramento da transição num ataque rápido.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Equipa organizada em 4-4-2, com bloco médio / médio-baixo / médio-alto, dependente do resultado. A primeira linha é constituída por dois elementos: Torres + 1. Normalmente, Mata (médio ofensivo centro). Em situação de igualdade ou vantagem, a primeira linha torna-se mais branda em termos de agressividade – posicional e física. Com a equipa galvanizada, será comum uma pressão muito alta e forte mas nunca em bloco. Ramires fá-lo com frequência e isto pode até ser um factor de desequilíbrio defensivo para o Chelsea. A segunda linha nem sempre é bem definida, particularmente em transição (ver Transição Defensiva).

A agressividade no interior do bloco é alta, particularmente no que toca a David Luiz e Ramires. Ambos procuram jogar em antecipação ao adversário que vai receber. Caso tal não seja possível, pressionam para impedir que o mesmo se vire com bola.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

A terceira linha (quarteto defensivo) mantém-se sempre profunda em organização, particularmente se empurrada por avançados adversários. Não parecem estar rotinados a utilizar a armadilha do fora de jogo, embora não tenham problemas em definir a mesma linha noutras situações.

O comportamento dos centrais é diferente entre si. Existe sempre um dos dois a cair mais forte na pressão uns metros à frente do colega. Na dupla apontada pelo Futebol Mundial para quarta-feira, será Ivanovic a fazê-lo, resguardando a menor qualidade técnica defensiva de Cahill numa posição mais recuada, onde se sente mais confiante. Cahill é, posicionalmente, o mais forte dos dois.

O maior problema da equipa, em organização defensiva, é o espaço muitas vezes deixado entre a primeira linha de pressão (2 elementos) e os 8 colegas de campo. Quando a segunda linha (meio-campo + extremos) é forçada a recuar ao ponto de se unir ao quarteto defensivo, torna-se frequente a abertura de um espaço explorável à frente da área.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

A dificuldade de definição de uma segunda linha de pressão (elementos do meio-campo + extremos) na reacção à perda de bola, pode abrir espaços em zona frontal muito perigosos para a defesa do Chelsea. É esta, talvez, a maior debilidade colectiva do Chelsea. Em ataque rápido, se a pressão mais forte dos dois médios-centro sobre um portador no corredor lateral não for compensada pela descida do extremo do lado oposto, gera zonas que podem ser aproveitadas pelo adversário.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

A eficiência deste momento depende muito do comportamento dos extremos. Em condições normais, Moses é o mais capaz dos colegas de posição a fazê-lo, embora a deslocação a maior ou menor velocidade dependa muito do estado anímico geral colectivo (e individual).

Como explorado no capítulo de organização defensiva, depende de Mata a ligação, sem bola, entre Torres e o resto do bloco defensivo. Quando o 4-4-2 se desdobra em 4-4-1-1 para defender, a equipa tem mais facilidade na recuperação de bola.

Tarefas divididas entre David Luiz e Mata.

David Luiz fica com zona frontal quase em exclusivo, até aos 35 metros de distância. Apesar de dever ser tido como referência a possibilidade real de remate, busca, algumas vezes, para surpreender a defesa adversária, a solicitação de colegas livres de marcação descaídos sobre um corredor. Quando remata, não tem zona preferencial de alvo.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Mata define com cruzamento para a área todos os livres laterais, tendo como referência máxima a cabeça de Ivanovic ou de Cahill. As bolas batidas sem tensão suficiente tendem a não causar grande perigo. Particularmente, se pouco descaídas num dos corredores: por vezes, livres praticamente frontais são levantados para a área por Mata.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Os cantos são batidos por Mata dos dois lados. Por regra, aproximam-se três (indicados abaixo) jogadores do guarda-redes adversário. O gesto feito por Mata indicando que baterá com efeito para fora ou para dentro parece definir a movimentação do 3º homem na proximidade do guarda-redes. Numa das imagens abaixo, é possível ver uma variação ao ataque clássico da bola: Cahill foge ao trio para procurar atacar a bola mais atrás.

Para além deste trio, é comum mais 2 jogadores atacarem a bola na zona da marca de penalty. Cantos batidos de forma tensa (comuns) muito perigosos.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Nos livres laterais ou que mostrem evidências de que a bola vai ser levantada na área, o Chelsea coloca poucos homens na barreira (por vezes, Cech abdica totalmente da presença de jogadores em livres laterais e situações específicas de jogo). Linha definida de forma consistente e com deslocação coerente depois da bola ser batida. Marcação mista zona-homem clássica.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Nos cantos contra, regista-se a presença regular de, pelo menos, dois elementos na aresta da pequena área do lado da bola – um deles é quase sempre Torres. O terceiro elemento ocupa a zona da marca de penalty. O ataque à bola nem sempre é o mais agressivo, embora a boa qualidade da marcação homem-a-homem diminua a probabilidade de que haja aproveitamento da situação por parte do adversário.

Todos os outros jogadores do Chelsea na área ocupam-se com marcação homem-a-homem. Não obstante, grande capacidade de todos eles para atacar o espaço, independentemente de fazerem o acompanhamento do adversário.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

Chelsea à lupa. Não, este não é o Chelsea mais fraco dos últimos anos.

 
foto de abertura © Reuters


José Pedro Teixeira

 
Estudante de Medicina, Treinador-Adjunto do U. A. Povoense (sub-19), Colaborador da Wyscout.


0 Comments



Be the first to comment!


You must be logged in to post a comment.