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A ferver
 

Santos Sub-19. Um aquário de talentos.

 
 
Futegrafia
 

Enquadramento: Num aquário de peixes de água doce ansiosos por um dia se tornarem em verdadeiros exemplares de «Ney-Mar» alto e atravessarem o Atlântico rumo ao Velho Continente, a Copa São Paulo Júnior, pela sua dimensão e tradição à escala global, assume particular importância no calendário do futebol mundial.
 
Treinador: Ex-Guarda-Redes, nascido em Santos, Claudinei Oliveira respira e vive o «Alvinegro Praiano» desde muito cedo. Pertencente às categorias de base do clube entre 1986 e 1989, Claudinei defendeu as balizas de equipas como Portuguesa Santista/SP, Nacional de Uberaba/MG, São Bento/SP, Remo (PA), encerrando a sua carreira como guardião em 2003 ao serviço da Ferroviária/SP. Retornado, em 2006, aos quadros do Santos para trabalhar no projecto «Nasce um Peixe», Claudinei Oliveira acabou por assumir os comandos dos Infantis Sub-15 em 2009, tornando-se Campeão Paulista. Em 2010, depois de convidado para treinar os Juvenis do «Santástico», levou a equipa até ao título de Campeã Paulista Sub-17. Já no plano Júnior e depois de se ter tornado Campeão Paulista Sub-20 em Dezembro último, Claudinei Oliveira acaba de coroar o seu bom percurso pelas bases com o título mais apetecido: o de Campeão da Copa São Paulo Júnior 2013.
 
Mercado: Deixando fora da convocatória estrelas de berço como Victor Andrade ou Gabriel ‘Gabigol’ Almeida, Claudinei Oliveira apostou em Givanildo ‘Giva’ da Silva (avançado, ex- EC Vitoria da Bahia), Léo Cittadini (criativo, ex- Guarani) ou Stéfano Yuri (avançado/ponta de lança, ex- Uberlândia ES), todos eles contratados há sensivelmente um ano pelo «Peixe».
 
Plano A: Claudinei Oliveira utilizou como sistema base o 4x4x2 losango desdobrável em 4x1x3x2, denotando preocupação em manter o equilíbrio na distribuição de tarefas em 5x5, arriscando 4x6 com a investida de um defesa lateral pelo flanco ou com o quarto médio a fazer a abordagem central – utilização de remates de média distância. Sem posse a equipa recupera o 4x4x2 simples com eficácia, podendo, a espaços, apresentar-se também em 4x5x1 com um dos avançados a ajudar alternadamente no processo defensivo. Identificados com os princípios e dinâmicas tácticas, notou-se reconhecimento de processos por parte de todos os jogadores, confiantes nas matrizes e ideias de jogo do seu treinador depois do sucesso alcançado no Paulista Sub-20.
 
Plano B: Em situação de desvantagem, a equipa assumiu 4x1x2x3 com a entrada de mais um avançado ou um dos médios de maior propensão ofensiva a colar, fazendo linha com os homens da frente. Mais em desespero, e durante um curto espaço de tempo, foi ainda possível observar a tentativa de disposição em 3x4x3, que se revelou pouco efectiva.
 
As Figuras: Gabriel Gasparotto (guarda-redes), Jubal (defesa central), Emerson (lateral esquerdo), Pedro Castro (médio centro), Giva (avançado), Léo Cittadini (médio ofensivo), Leandrinho (médio centro/médio ofensivo), Lucas Otávio (médio defensivo/médio centro).
 
Revelações: Neilton (avançado), Stéfano Yuri (avançado/avançado centro).
 
Expectativas: Depois de na Copinha 2012 ter deixado uma pálida impressão das suas bases ao cair frente ao Desportivo Brasil, não indo além dos Oitavos-de-Final da competição, o «Peixe» surgiu determinado em deixar melhor imagem dos seus quadros de formação nesta edição da Copa São Paulo Júnior. Consagrando-se Campeão Paulista Sub-20 em Dezembro último, numa vitória alcançada sobre o seu arqui-rival São Paulo FC, o Santos, de Claudinei Oliveira, chegou a esta Copinha 2013 bem credenciado, assumindo-se como um dos favoritos à vitória final no torneio.
 
 
Guarda-Redes
7.5


 
Defesa
7.0


 
Medio-Campo
8.0


 
Ataque
6.5


 
Sistema Táctico
8.0


 
Organização Defensiva
7.0


 
Transições Defensivas
7.0


 
Organização Ofensiva
6.0


 
Transições Ofensivas
7.0


 
Bolas Paradas Defensivas
7.0


 
Bolas Paradas Ofensivas
8.0


 
Total Score
7.2


 

Pontos Fortes


- Losango intermédio rotativo e dinâmico bem consolidado permitindo que a equipa coloque transições de forma automática.
- Lances de bola parada ofensivos: possuem especialistas na execução, dimensão física e bons cabeceadores.
- Potencial técnico relevante com boas perspectivas de materialização e consolidação da maioria dos seus elementos do «onze-base».

Pontos Fracos


- Em momentos de desinspiração ou anulação do elemento organizador e criativo, a equipa demonstrou-se demasiado susceptível em arranjar soluções alternativas que permitissem manter o nível de performance ideal.
- Sem referência de um «homem-golo» e vivendo de momentos de mera inspiração individual das suas unidades atacantes, a equipa denotou em algumas partidas falta de verticalidade, desorganização ofensiva e respectiva materialização do seu fluxo de jogo em golos.
- Poucas soluções de banco capazes de manterem os mesmos índices técnicos, obrigaram a adaptações arriscadas que só resultaram efectivamente devido ao bom espírito de sacrifício dos seus elementos durante a competição.


Introdução

Num aquário de peixes de água doce ansiosos por um dia se tornarem em verdadeiros exemplares de «Ney-Mar» alto e atravessarem o Atlântico rumo ao Velho Continente, a Copa São Paulo Júnior, pela sua dimensão e tradição à escala global, assume particular importância no calendário do futebol mundial.

Nota: As avaliações foram feitas tendo em conta o escalão Sub-20.

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Posted 06/02/2013 by Joachim Rodrigues

 
Quadro Táctico
 
 
Onze-Base

Santos: Copinha 2013 (equipa tipo)

 

Gabriel Gasparotto, 19 anos, foi dono e senhor das redes santistas ao longo de toda a competição. Guardião de grande envergadura física – 1.96 – revelou controlo espacial da baliza sem perder rapidez nas suas acções, realizando defesas com grau de dificuldade elevado e assumindo-se como uma das chaves do sucesso do «Peixe» nesta Copa São Paulo Júnior 2013. Particularmente importante nas eliminatórias dos Oitavos e Quartos-de-Final frente a Grêmio Osasco e Audax, ultrapassadas apenas após marcação de grandes penalidades, com Gasparotto a efectuar defesas decisivas em ambas as séries, o ítalo-brasileiro manifestou-se ainda um guarda redes animicamente capaz para ocupar uma posição em que técnica e experiência se cruzam constantemente. Podendo evitar alguns excessos de confiança com influência na definição dos tempos de abordagem correctos a certos tipos de lance, bem como, algumas falhas de concentração, Gabriel Gasparotto é um goleiro de potencial assinalável para maximizar nos próximos anos. Guido de Andrade foi o seu suplente e não efectuou qualquer minuto.

– A dupla de centrais foi constituída alternadamente por Jubal, Gustavo Henrique e Walace. Com uma média de altura a rondar um metro e noventa centímetros, a zona central da defesa santista revelou poder não só no jogo aéreo defensivo como também no ofensivo, com os seus elementos a subirem até à àrea contrária constantemente para darem sequência de cabeça a lances de bola parada – Gustavo Henrique possui um forte remate de média distância com o seu pé direito e pode bater livres em zona frontal ou grandes penalidades. Dos três, foi Jubal quem demonstrou maior solidez no momento defensivo. Inteligente a colocar-se, veloz na reacção e suficientemente ponderado nas suas decisões, revelou-se um dos melhores defesas de todo o torneio. Gustavo Henrique, que participou de forma efectiva apenas nos quatro jogos iniciais dos oito totais que o Santos disputou ao longo da competição, revelou maiores dificuldades na marcação e reacção a adversários com baixo centro de gravidade que tenham capacidade de colocação de acelerações em distância curta ou utilizem rápidas mudanças de direcção, tomando, por vezes, decisões precipitadas ou evidenciando falhas de concentração. Walace, por seu turno, demonstrou conseguir aliar velocidade de reacção e robustez física, ainda que necessite de definir melhor os seus tempos de abordagem aos lances, assim como, apresentar outro tipo de garantias a nível da concentração, gestão e ponderação das suas decisões sob pressão. Com capacidade para fazerem condução em progressão e colocarem essencialmente passes médios – nem sempre eficazes -, foi possível observar a relativa importância de todos os elementos nos primeiros momentos de construção ou saída organizada. Sendo seis os golos sofridos em oito jogos, os três jogadores que pisaram na zona central da defesa ao longo do torneio evidenciaram potencial suficiente para merecerem aposta ou oportunidade profissional nos próximos tempos.

– Na lateral direita foi Douglas o jogador com maior rodagem até à lesão sofrida nos Quartos-de-Final. Fisicamente disponível no vaivém constante sobre o flanco, com capacidade na condução em progressão rápida e em movimentação 1×2, foram várias as vezes que surgiu no apoio ofensivo, onde demonstrou competência suficiente no cruzamento, podendo também arriscar o remate forte de média distância – destro, mas sabe usar o esquerdo em recurso. Defensivamente, conseguiu ser suficientemente sólido, rápido na reacção a entrar na antecipação ou desarme, pecando apenas por algumas falhas de concentração e perdas de bola desnecessárias sob pressão, devendo, ainda, continuar a trabalhar o seu posicionamento e gestão de tempos defesa-ataque-defesa. Na lateral esquerda, surgiu Cláudio Canavarros até às Meias Finais da competição, altura em que Emerson entrou para as escolhas de Claudinei Oliveira. Canavarros, que foi foi um dos elementos santistas mais utilizados ao longo da competição e actuou ainda, por uma ocasião, adaptado a lateral direito, demonstrou capacidade em utilizar os dois pés. Fisicamente disponível e rápido, foram algumas as ocasiões em que evidenciou falta de solidez defensiva, ora por falhas de concentração, ora por deficiências no posicionamento, com jogadores adversários a aparecerem nas suas costas por diversas vezes. No plano ofensivo, apresentou apenas participação relativa, sem eficácia efectiva na definição das suas jogadas. Emerson, por seu turno, nos dois jogos que efectuou na competição, conseguiu imprimir desde logo outro tipo de disponibilidade, dinamismo e agressividade ao flanco esquerdo da equipa, balanceado e equilibrado. Apresentou argumentos na antecipação e rapidez de reacção para fazer o desarme no plano defensivo. No momento ofensivo, através da sua capacidade de aceleração para sair em movimentação 1×2 ou provocar o desequilíbrio em lances de um para um, atingiu as imediações da área contrária com facilidade, evidenciando calibre no cruzamento e remate forte de média distância com o seu pé esquerdo. Se Douglas e Emerson manifestaram potencial técnico suficiente para serem aproveitados pelo profissional, Canavarros, pese a sua vontade e determinação, precisará de demonstrar mais do que aquilo que revelou nesta Copa São Paulo Júnior.

– Na esquematização táctica delineada por Claudinei Oliveira os defesas laterais assumiram particular importância. Sem extremos puros, são eles quem muitas vezes conferem profundidade ao flanco. Dotados de força de braços, tiveram ordens para efectuar arremessos de linha lateral longos para a grande área.

– Claudinei Oliveira iniciou e finalizou esta Copa São Paulo Júnior com o quarteto base do seu losango a ser formado por Lucas Otávio/Leandrinho/Pedro Castro/Léo Cittadini. Se neste formato a dinâmica intermédia tendeu para 1×3, já com a introdução de Alison ou Paulo Ricardo, a dinâmica aproximou-se mais do equilíbrio 2×2.

– Enquanto Lucas Otávio e Leandrinho assumiram funções de destruidores-construtivos, Pedro Castro fez o papel de organizador e Léo Cittadini desempenhou funções de criativo. Num losango rotativo, em que ficou patente uma clara identificação dos jogadores com as dinâmicas de equilíbrio definidas por Claudinei Oliveira, a equipa apresentou bons graus de eficácia nas transições defesa-ataque-defesa. Lucas Otávio e Leandrinho com perfis de meias – este último acabou por ser considerado melhor jogador da competição pela Federação Paulista de Futebol -, desempenharam, de forma competente, as suas funções de primeiro e segundo volante, respectivamente, permitindo que a equipa conseguisse recuperações de bola sem perder demasiada agilidade, velocidade e critério na transição ao fazerem, de forma eficaz, as aproximações ao momento ofensivo sem descurarem em demasia os timings de restauro táctico no momento de perda. Pedro Castro, um dos capitães de equipa, evidenciou personalidade e conseguiu manter a harmonia dos processos intermédios. Fisicamente resistente – 1.80/77 – denotou qualidade na condução em progressão e colocação de passes curtos e médios, utilizando também o longo, onde se revelou menos efectivo. Léo Cittadini, por seu turno, foi o grande dinamizador ofensivo, envergando a mítica camisola «10». O esquerdino confirmou os seus créditos, evidenciando, ao longo da prova, pormenores de finos e relevantes recortes técnicos. Alison, que ficou conhecido como um dos jogadores mais azarados da história, ao se lesionar gravemente trinta segundos após a sua estreia com a camisola profissional santista, regressou recentemente à competição e foi uma das referências anímicas da equipa, envergando também a braçadeira de capitão. Médio de cariz mais defensivo, mas com capacidade na condução em progressão, forneceu combatividade e resistência ao meio campo. Com versatilidade, ocupou ainda as posições de lateral direito e lateral esquerdo ao longo do torneio. Paulo Ricardo, que teve utilização mais efectiva apenas na Meia Final frente ao Palmeiras, deixou alguns bons apontamentos. Jardson Monteiro, Lucas Crispim e José Cracco Neto tiveram participações meramente esporádicas nesta Copa São Paulo Júnior 2013.

– Com todos os elementos do losango base a apresentarem argumentos a nível do remate, ressalva especial para a média-distância calibrada no binómio potência/precisão de Pedro Castro (destro) e Léo Cittadini (esquerdino), eles que são também os especialistas na execução de bolas paradas, colocando cruzamentos com grande eficácia em bolas paradas laterais ou utilizando o seu bom remate em bolas paradas centrais.

Léo Cittadini, Pedro Castro, Leandrinho ou Lucas Otávio deixaram, ao longo desta Copinha, indicações de relevo que podem e devem ser aproveitadas num plano superior. Alison, consoante o estado em que se encontrar a sua consolidação física e psicológica, depois da grave lesão sofrida num dos dias mais importantes na carreira de um futebolista, o da sua estreia profissional, também deve ser tido em conta.

– Com 17 golos em 8 jogos disputados, o Santos ressentiu-se, em algumas partidas, do facto de não ter um avançado talhado exclusivamente para o momento final. Se Stéfano Yuri foi o mais próximo do que se pode definir como ponta de lança, com capacidade para jogar como referência ou saindo das zonas mais próximas da baliza para fazer jogo de costas, já Giva, Neilton ou Diego Cardoso apresentam perfil de avançados, com o seu futebol a não viver exclusivamente de e para o golo. Utilizando a mobilidade como arma, os três tiveram responsabilidades também na criação de desequilíbrios e dinâmicas ofensivas capazes de baralharem as marcações adversárias, perdendo, por vezes, alguma verticalidade.

– Vivendo, muitas vezes, de momentos de inspiração individual, mais do que de processos ofensivos organizados e efectivos e bem delineados para desmontarem os sistemas defensivos contrários, Giva foi o jogador em maior destaque, ora a assistir companheiros, ora a aparecer na cara do golo. Aliando potência física com velocidade, mobilidade e remate forte, revelou-se eficaz nos diferentes momentos atacantes. O baixinho e veloz Neilton, que iniciou o torneio como suplente, foi a arma secreta de Claudinei Oliveira, aparecendo na fase decisiva – três golos nas Meias Finais diante do Palmeiras e um golo na Final diante do Góias – em grande destaque. Diego Cardoso, atacante ágil, rápido e astuto em alguns dos seus movimentos, pecou por falhas de concentração no momento final que tornassem as suas acções eficazes. Stéfano Yuri, fisicamente disponível e forte – 1.87/77 –, revelou-se como o único avançado mais dentro do perfil de ponta de lança, com bom jogo de costas para a baliza e oportuno a aparecer no golo – nem sempre eficaz -, e importante, principalmente, durante a primeira fase da competição no confronto com equipas de linhas mais baixas que anularam a mobilidade santista e obrigaram a utilização de um jogo mais directo.

– Se Giva e Neilton – este último a precisar de descolar da imagem Neymar e ganhar personalidade própria – parecem preparados para fazerem a transição final e definitiva, Stéfano Yuri e Diego Cardoso devem continuar a trabalhar e materializar de forma mais consistente o potencial evidenciado ao longo desta Copa São Paulo Júnior.

 

 
foto de abertura © globoesporte


Joachim Rodrigues

 


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