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A ferver
 

Videoton. O sonho comanda a vida.

 
 
Futegrafia
 

Enquadramento: Vice-campeão húngaro em 2011/12, ao vencer 15 dos últimos 17 jogos da Liga, o Videoton iniciou a nova temporada com a conquista da Supertaça, a segunda de Paulo Sousa desde que assumiu o comando técnico do clube, diante do campeão Debrecen. Apostado em colocar a formação de Székesfehérvár na fase de grupos da Liga Europa, uma das metas que estabeleceu na sua investida pela Hungria, Paulo Sousa viu o seu «Vidi» eliminar Slovan Bratislava, AA Gent e Trabzonspor, concretizando um sonho que, à partida, parecia quase impossível, somando apenas 1 golo sofrido em 570 minutos de competição. Apesar da forte aposta na competição internacional, o Videoton não descurou o campeonato e, após 7 jornadas, segue no 4º lugar, a apenas 3 pontos do líder MTK.
 
Treinador: Paulo Sousa. Depois de um percurso notável como jogador, deu os primeiros passos como treinador nas Selecções inferiores portuguesas e no Championship, segundo escalão do futebol inglês, onde treinou QPR, Swansea City (7º classificado em 2009/10) e Leicester City. No verão de 2011, assumiu o comando técnico do Videoton, campeão húngaro em 2010/11. Até agora, venceu 2 Supertaças, 1 Taça da Liga e conduziu a equipa à fase de grupos da Liga Europa. Para o percurso ser perfeito, faltou o triunfo na Liga 2011/12, ainda que os 64 pontos conquistados tenham superado o registo pontual do título em 2010/11 (61 pontos).
 
Mercado: O primeiro triunfo de Paulo Sousa foi garantir a manutenção do «onze base» do exercício anterior, assim como das principais alternativas. Sem grande capacidade para investir no «Mercado», conseguiu, de forma cirúrgica, aumentar as soluções nas posições mais débeis da equipa. Kaká (central, ex-APOEL e Sporting de Braga), Stopira (lateral esquerdo, ex-Feirense) e Renato Neto (médio centro, ex-Sporting) são os principais reforços para a nova temporada.
 
Plano A: O 4x2x3x1 é o sistema táctico utilizado pelo Videoton, ainda que, principalmente nos jogos de maior grau de dificuldade, a equipa parta de um 4x5x1 ou 4x4x1x1 em momento defensivo. Os processos estão bem assimilados pelos jogadores, fruto de um trabalho de continuidade, algo que ficou bem espelhado nos resultados obtidos na segunda metade do exercício anterior e no arranque desta temporada.
 
Plano B: Paulo Sousa não abdica do 4x2x3x1. Em situação de desvantagem no marcador, o técnico português tem vindo a apostar, na Liga húngara, num 3x5x2, desdobrável 3x2x3x2, abdicando de um defesa para lançar um avançado. Na Liga Europa, muito provavelmente, não correrá tantos riscos e deverá abdicar de um médio para lançar um avançado, aproximando-se de um 4x4x2. Em situação de vantagem, mantém o 4x2x3x1 ou aproxima-se mais do 4x5x1. Poderá recorrer, em algumas situações, à utilização de um 3º central, passando a jogar em 5x4x1, mas não é habitual vê-lo recorrer a esse tipo de solução, mesmo quando o adversário procura um futebol mais directo.
 
As Figuras: Paulo Vinicius (defesa central), Nikola Mitrovic (médio centro), Nemanja Nikolic (avançado).
 
Revelações: István Kovács (médio ofensivo), Adam Gyurcsó (médio ala/extremo).
 
Expectativas: O objectivo de qualificar o Videoton para a fase de grupos da Liga Europa está atingido. À partida, a formação húngara surge como a equipa mais débil do grupo e a qualificação para a próxima fase da competição seria um feito absolutamente extraordinário. Enquanto for matematicamente possível, até pela valorização do clube, dos jogadores e da equipa técnica, certamente lutará por manter a chama acesa, mesmo que isso venha a implicar, pela falta de soluções para fazer grandes rotações de jogo para jogo, a perda de pontos na competição interna.
 
 
Guarda-Redes
6.0


 
Defesa
6.5


 
Medio-Campo
6.5


 
Ataque
5.0


 
Sistema Táctico
7.5


 
Organização Defensiva
6.5


 
Transições Defensivas
6.5


 
Organização Ofensiva
5.0


 
Transições Ofensivas
6.0


 
Bolas Paradas Defensivas
5.5


 
Bolas Paradas Ofensivas
6.5


 
Total Score
6.1


 

Pontos Fortes


- Habituado a assumir um papel dominador na Liga húngara, o Videoton mostrou capacidade para se adaptar a uma nova realidade nas competições europeias, mesmo não abdicando do 4x2x3x1.
- Tacticamente muito consistente, em igualdade ou a segurar a vantagem, mostra bons argumentos na organização defensiva e nas transições defensivas, aproximando as linhas, apostando, do ponto de vista ofensivo, nos ataques rápidos.
- Lances de bola parada ofensivos muito bem trabalhados: efeito surpresa em pontapés de canto e livres laterais.

Pontos Fracos


- Faltam jogadores capazes de promover desequilíbrios no um para um e denota-se também a falta de experiência da maior parte do plantel num patamar competitivo mais elevado.
- Quando precisar, em situação de desvantagem no marcador, de assumir o jogo, poderá sentir algumas dificuldades em criar oportunidades de golo, sobretudo em finalizações dentro ou à entrada da área, como também ficará mais exposto do ponto de vista defensivo.
- Algumas limitações nos duelos aéreos, visíveis na defesa de bolas paradas defensivas ou quando o adversário procura um futebol directo em direcção à área: do quarteto de defesas habitualmente utilizado, o jogador mais alto (Paulo Vinicius) mede 1.83.


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Posted 19/09/2012 by Rui Malheiro

 
Quadro Táctico
 
 
Onze-Base

Videoton 2012/13: 4x2x3x1

 

Mladen Bozovic, 28 anos, internacional AA pelo Montenegro, é o titular indiscutível. Muito alto (1.98) e poderoso do ponto de vista físico, não deixa de revelar bons argumentos a nível dos reflexos, da agilidade e da elasticidade, o que lhe permite realizar algumas defesas de elevado grau de dificuldade. Contudo, nem sempre se revela consistente, evidenciando alguns erros, por excesso de confiança, nas saídas aéreas, como também patenteia lacunas a jogar com os pés. O eslovaco Tomas Tujvel, 29 anos, é o seu habitual suplente.

– Dupla de centrais coesa e que se complementa: o português Marco Caneira, 33 anos, relançou a sua carreira no futebol húngaro, enquanto que o brasileiro Paulo Vinícius, 22 anos, descoberto por Paulo Sousa no River Plate Montevideo, parece talhado para patamares competitivos mais elevados. Se Caneira compensa com a sua capacidade de liderança, bom sentido posicional e agressividade, as lacunas que evidencia a nível da velocidade e da agilidade, Paulo Vinícius é um central rápido, agressivo e pressionante, o que lhe permite impor-se em acções de antecipação e de desarme. Ambos, apesar de não serem muito altos, revelam bons predicados no futebol aéreo, não só em momento defensivo, como também a dar sequência a lances de bola parada ofensivos. O brasileiro Kaká, 31 anos, contratado ao APOEL, depois de ter sido finalista vencido da Liga Europa, ao serviço do Sporting de Braga, em 2010/11, garante a Paulo Sousa uma boa alternativa a esta dupla: por vezes, excessivamente agressivo, é um central de processos simples, forte no jogo aéreo e eficaz na antecipação.

– Na lateral direita, o espanhol Álvaro Brachi, 26 anos, é o titular indiscutível. Competente nos processos defensivos, ainda que se revele mais forte no desarme do que na antecipação, compensa algumas lacunas na resposta a acelerações dos adversários com agressividade e uma entrega total ao jogo. Disponível do ponto de vista físico, sabe integrar as acções ofensivas, ainda que se destaque mais pelo forte remate de pé direito do que pela capacidade no passe e nos cruzamentos, aspectos em que não é mais do que razoável. Na lateral esquerda, o internacional cabo-verdiano Stopira, 24 anos, contratado, este Verão, ao Feirense, agarrou a titularidade. Competente do ponto de vista defensivo, em acções de antecipação e de desarme, ainda que, por vezes, se desconcentre e seja batido no um para um, a sua enorme disponibilidade física, velocidade e poder de aceleração garantem-lhe a incorporação em acções ofensivas, ainda que se revele mais eficaz no passe do que nos cruzamentos, aspecto que deverá limar. O jovem Roland Szolnoki, 20 anos, internacional sub-21 pela Hungria, surge como principal alternativa para as duas laterais, tendo ganho a corrida a Héctor Sánchez, 27 anos, lateral esquerdo espanhol que tem vindo a ser perseguido por alguns problemas físicos.

– A dupla de médios centro deverá ser formada por Balázs Tóth, 30 anos, internacional AA húngaro com vários anos de experiência no futebol turco, holandês e belga, e pelo sérvio Nikola Mitrovic, 25 anos, uma aposta ganha de Paulo Sousa que o contratou, no verão de 2011, ao Újpest FC. Tóth, apesar de não se destacar pela estrutura imponente (1.74/71), é muito disponível e forte do ponto de vista físico, como também agressivo e pressionante, o que faz com que cometa várias faltas. Mais forte no desarme do que na antecipação, apesar de se tratar de um jogador de processos simples e práticos, revela predicados razoáveis no passe e, em algumas situações, penetra no meio-campo ofensivo. Mitrovic, por sua vez, concilia argumentos do ponto de vista defensivo, tanto no desarme como na antecipação, com o seu jogo cerebral: capaz de assumir acções de organização e condução, patenteia bons atributos no passe e uma óptima visão de jogo, como também um forte remate de pé direito, em lances de bola corrida ou bola parada. O brasileiro Renato Neto, 20 anos, emprestado pelo Sporting, será a principal alternativa a esta dupla. Mais imponente do ponto de vista físico do que os seus colegas de sector, mostra-se forte na antecipação e muito razoável no desarme, como também revela bons predicados no jogo aéreo, em momento defensivo ou a dar sequência a lances de bola parada ofensivos. Agressivo e pressionante, consegue integrar acções ofensivas, conciliando argumentos no passe – melhor no curto e no médio do que no longo – com um remate forte de pé direito (ainda que nem sempre enquadrado).

György Sándor, 28 anos, capitão do «Vidi», é o médio ofensivo. Capaz de assumir a condução de jogo ofensivo, concilia uma boa visão de jogo a argumentos no passe – faz óptimos passes de ruptura -, mas peca por alguma intermitência a nível exibicional, um dos factores que contribuiu para que não atingisse um patamar mais elevado na sua carreira. No entanto, é um jogador móvel e perspicaz a desmarcar-se, o que lhe permite aparecer, com alguma facilidade, em posições de finalização: possui um remate forte de pé direito, que utiliza de dentro ou de fora da área, como também evidencia alguma capacidade nas finalizações aéreas. A principal alternativa para a sua posição é István Kovács, 20 anos, internacional sub-21 húngaro que Paulo Sousa contratou, em janeiro passado, ao Szombathelyi Haladás. Jogador muito promissor, também capaz de actuar pelos flancos, destaca-se pela mobilidade e capacidade de progressão com bola, ainda que, em algumas situações, acabe por ser desarmado, até porque fisicamente é algo leve. Agitador e acutilante, mostra bons argumentos no passe – faz várias assistências para situações de finalização – e razoáveis como finalizador.

– Nas alas, o português Filipe Oliveira, 28 anos, à direita, e o espanhol Walter Lee Fernández, 23 anos, à esquerda, são as opções mais naturais, ainda que, em alguns jogos, possam trocar de alas. Filipe Oliveira, que já passou pelo Parma, Sporting de Braga e Chelsea, relançou a sua carreira, na última temporada, na Hungria. Versátil e tacticamente cumpridor, o que lhe permite dar um importante contributo à equipa do ponto de vista defensivo, não se trata, do ponto de vista ofensivo, de um jogador desequilibrador neste patamar. Contudo, oferece à equipa argumentos na condução e a sua mobilidade permite-lhe aparecer, várias vezes, em situações de finalização, de forma a tirar partido do seu remate de pé direito. Walter Fernández, que na Hungria é conhecido por Walter «Lee», é um produto das escolas do Barcelona, que chegou, em tempos, a ser apontado como uma grande promessa do futebol espanhol. Encontrou na Hungria o espaço para explanar o seu futebol, virtuoso do ponto de vista técnico e capaz de desequilibrar no um para um, ainda que, em algumas ocasiões, acabe por perder objectividade e seja desarmado, até porque lhe falta alguma capacidade de choque. Menos finalizador do que Filipe Oliveira, o canhoto de Barcelona destaca-se mais no capítulo das assistências para situações de finalização, quer através de cruzamentos, quer através de passes de ruptura. Ádám Gyurcsó, 21 anos, que já se estreou pela Selecção AA húngara, é a principal alternativa ao duo, podendo jogar a partir dos dois flancos. Jogador com grande potencial, que tem vindo a ser trabalhado por Paulo Sousa, distingue-se pela mobilidade, velocidade e poder de aceleração, o que aliado a argumentos interessantes no capítulo do drible, permitem-lhe criar desequilíbrios no um para um e explorar diagonais em direcção à área, ainda que peque, em algumas situações, pelo excesso de individualismo, o que o leva a perder o tempo de decisão. Contudo, é um jogador com argumentos no último passe e com alguns predicados na finalização. Zsolt Haraszti, 20 anos, contratado no último defeso ao Paksi FC, é outra opção para os flancos, principalmente o direito.

– No ataque, o sérvio Nemanja Nikolic, 24 anos, deverá ser a principal opção de Paulo Sousa. Avançado móvel e agressivo, capaz de oferecer profundidade ao jogo ofensivo da equipa, aparece, com grande facilidade e sentido de oportunidade, em zonas de finalização, a partir de acções com e sem bola, de forma a tirar partido do seu remate – o direito é o que melhor define – e bom jogo aéreo. Para além disso, sabe segurar a bola e jogar de costas para baliza, patenteando argumentos no passe curto e médio, o que lhe permite fazer algumas assistências para situações de finalização. A sua alternativa é Sándor Torghelle, 30 anos, internacional AA húngaro, um avançado muito mais físico e com grande sentido colectivo, que não se inibe de participar em acções defensivas. Tecnicamente limitado e algo inconstante no capítulo do passe, não tem o instinto goleador de Nikolic, mas é oportuno e agressivo em zona de finalização.




 


Rui Malheiro

 
analista de futebol, scout e autor. freelancer. escreveu Anuário do Futebol 2008/09 e Anuário do Futebol 2009/10.


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