Posted 17/07/2011 by Rui Malheiro in Playmaker
 
 

Europeu Sub-21 2011: o melhor «onze»

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rande favorita ao triunfo final no Europeu Sub-21, a Espanha não deixou escapar a oportunidade de alcançar o seu 3º triunfo na competição, quebrando um jejum de conquistas que se prolongava desde 1998. Foi um triunfo merecido da «Rojita» de Luis Milla, técnico que apostou num «onze-base»– entre a estreia e a final, apenas trocou um jogador (Jeffren por Muniain) – e numa ideia de jogo ofensiva, baseada num futebol de posse e circulação, pressionante e sempre à procura do espaço, mas também muito bem organizado do ponto de vista táctico e com grande sentido colectivo, que, no entanto, esbarrou com alguma falta de objectividade no momento de procurar a baliza adversária.

As dificuldades imprevistas para ultrapassar a Bielorrússia nas meias-finais, onde um golo miraculoso de Adrián, a um minuto do fim, levou a partida para o prolongamento, serviu como exemplo para a final, onde uma Espanha, extremamente cirúrgica, muito agressiva e capaz de marcar os golos nos momentos chave da partida, derrotou a Suíça (2-0), a segunda melhor equipa da competição, facto bem expresso nas 4 vitórias (nas meias-finais, diante da República Checa, apenas após o prolongamento), 7 golos marcados e 0 golos sofridos até à grande final.

Se a Bielorrússia, vencedora do jogo de definição do 3º lugar e que valeu a qualificação para os Jogos Olímpicos de 2012, acabou por se afirmar como a grande revelação do Europeu, a Dinamarca, o país organizador, a Ucrânia e, principalmente, a Inglaterra, protagonista de três exibições paupérrimas e plenas de equívocos tácticos, acabaram por ser as grandes desilusões, não conseguindo ultrapassar a fase inicial. Pelo caminho, nas fases de apuramento, já tinham ficado a Itália – país mais titulado nesta categoria -, Alemanha, França, Holanda ou Portugal, selecções que teriam oferecido mais qualidade e projecção à competição.

 

Onze da Competição

 
Europeu Sub-21 2011: o melhor onze

 

Yann Sommer (Suíça – FC Basileia)

 
Yann Sommer22 anos – 1.83 – 5 jogos / 0 golos

1.500.000 € (avaliação transfermarkt)

Melhor guarda-redes do Europeu Sub-21, o habitual suplente do Basileia assumiu-se, ao garantir 4 «balizas-virgens» em 5 jogos, como uma das figuras da competição: apenas sofreu golos na final. Seguro entre postes, ao tirar partido da sua grande agilidade, elasticidade e muito bons reflexos, mostra também um bom controlo espacial da baliza e um óptimo posicionamento. Mesmo não se tratando de um guardião muito alto, revela grande facilidade nas saídas aéreas, ao conjugar um bom tempo de salto a um bom poder de antecipação, para além de ser muito competente nas saídas pelo chão, patenteando grande frieza e agressividade nos lances de um para um com os avançados adversários.

Martín Montoya (Espanha – Barcelona B)

 
Martín Montoya20 anos – 1.75 – 5 jogos / 0 golos / 1 assistência

1.500.000 € (avaliação transfermarkt)

Jogador revelado nas escolas do Barcelona e presença regular nas Selecções inferiores desde os Sub-17, é o habitual titular, desde há dois anos, da equipa B e já teve a oportunidade de realizar a sua estreia pela formação principal. Lateral de grande disponibilidade física, o que lhe permite realizar o vaivém defesa-ataque, mostra-se competente nos processos defensivos, ao tirar partido do seu bom sentido táctico e posicional, como também da sua agressividade, capacidade de desarme e poder de antecipação, o que o torna difícil de bater no um para um em posições exteriores. Rápido, capaz de imprimir acelerações no seu jogo e perspicaz a desmarcar-se pelo flanco, consegue criar desequilíbrios a nível ofensivo, demonstrando atributos interessantes no passe lateral e nos cruzamentos, aspectos em que poderá ainda ganhar uma maior acutilância.

Jonathan Rossini (Suíça – Sampdoria / Sassuolo)

 
Jonathan Rossini22 anos – 1.90 – 5 jogos / 0 golos / 0 assistências

650.000 € (avaliação transfermarkt)

Melhor central do Europeu Sub-21, o defesa que a Sampdoria emprestou, nos dois últimos exercícios, ao Sassuolo assumiu-se como o líder do sector defensivo da Suíça e como uma das grandes revelações da competição. Muito forte e disponível do ponto de vista físico, o que faz com que se imponha nos lances corpo a corpo, trata-se de um central destro, agressivo, forte no desarme e muito eficaz no futebol aéreo, principalmente em momento defensivo. Se é certo que não se destaca pela velocidade, compensa essa limitação com um bom sentido posicional e uma entrega total ao jogo. Jogador de processos simples e práticos, opta, normalmente, por saídas em segurança.

Yaroslav Rakitskiy (Ucrânia – Shakhtar Donetsk)

 
Yaroslav Rakitskiy21 anos – 1.80 – 3 jogos / 0 golos / 0 assistências

8.000.000 € (avaliação transfermarkt)

Titular indiscutível, nos dois últimos exercícios, do Shakhtar Donetsk, como também presença regular, desde Outubro de 2009, na Selecção principal, Rakitskiy escapou ao desastre colectivo que foi a participação ucraniana no Europeu Sub-21. Apesar de não se destacar por uma presença imponente do ponto de vista físico, trata-se de um central forte no desarme e a impor-se em acções de antecipação, ao combinar muita agressividade na abordagem aos lances a rapidez nas deslocações. Capaz de sair a jogar e criar desequilíbrios no um para um, é um central evoluído do ponto de vista técnico e com bons argumentos a nível do passe, ainda que assuma várias acções de risco excessivo. Possui um remate forte de pé esquerdo, em bola corrida e parada, e bons argumentos no futebol aéreo.

Nicolai Boilesen (Dinamarca – Ajax)

 
Nicolai Boilesen19 anos – 1.87 – 3 jogos / 0 golos / 0 assistências

1.200.000 € (avaliação transfermarkt)

Defesa contratado pelo Ajax, em Janeiro de 2010, ao Brøndby, terminou a temporada como titular da formação de Amesterdão e confirmou no Europeu Sub-21, apesar da decepcionante prestação da Dinamarca, o seu elevado potencial. Central canhoto de origem, foi convertido, com sucesso, em lateral esquerdo, mostrando competência na defesa de posições exteriores e interiores, ao tirar partido de muito bons argumentos para se impor em acções de antecipação, mas também pelo seu bom sentido posicional e óptimo poder de desarme. Muito disponível do ponto de vista físico e perspicaz a desmarcar-se, consegue projectar-se e criar desequilíbrios a nível ofensivo, patenteando argumentos interessantes no passe lateral e nos cruzamentos, o que lhe permite realizar algumas assistências para situações de finalização.

Javi Martínez (Espanha – Athletic Bilbao)

 
Javi Martínez22 anos – 1.90 – 5 golos / 0 golos / 1 assistência

20.000.000 € (avaliação transfermarkt)

Titular indiscutível do Athletic e presença habitual, ao longo do último ano, na Selecção AA, pela qual se sagrou campeão do Mundo em 2010, assumiu um papel nuclear no triunfo espanhol no Europeu Sub-21. Médio centro de origem, desempenhou, com grande qualidade, o papel de médio defensivo, tirando partido do seu muito bom sentido posicional e grande capacidade de liderança, como também da sua enorme força e disponibilidade física. Muito eficaz no capítulo do desarme e inteligente a impor-se em acções de antecipação, tanto pelo chão como pelo ar, procura, assim que efectua uma recuperação, entregar a bola jogável, combinando uma óptima leitura de jogo com eficácia no passe: muito seguro no passe curto e médio, mostra também argumentos interessantes no longo. Se é certo que, fruto do seu posicionamento mais recuado, não rompeu com tanta frequência pelo meio-campo defensivo adversário, não deixou de produzir desequilíbrios no um para um e soube tirar partido do seu bom jogo aéreo na sequência de lances de bola parada ofensivos.

Thiago Alcântara (Espanha – Barcelona)

 
Thiago Alcântara20 anos – 1.72 – 5 jogos / 1 golo / 0 assistências

5.000.000 € (avaliação transfermarkt)

Filho do antigo internacional brasileiro Mazinho e presença habitual, na fase final da temporada, na equipa principal do Barcelona, a sua participação no Europeu Sub-21 gerava grandes expectativas: não as defraudou ao assumir-se como uma das figuras da prova, apontando o golo que confirmou o triunfo diante da Suíça na final. Médio interior de características ofensivas, destaca-se pela sua grande capacidade para assumir acções de condução, tirando partido da sua elevada capacidade técnica, poder de drible e capacidade de aceleração para criar desequilíbrios no um para um, e dos seus fortes argumentos a nível da distribuição, ao conjugar uma muito boa visão de jogo com facilidade de passe: não só curto, mas também médio e longo. Perspicaz a aparecer em posições de finalização e com grande sentido de baliza, não hesita em procurar a baliza adversária, muitas vezes de fora da área, através de remates com o pé direito em lances de bola corrida ou parada.

Ander Herrera (Espanha – Saragoça)

 
Ander Herrera21 anos – 1.82 – 5 jogos / 2 golos / 1 assistência

7.500.000 € (avaliação transfermarkt)

Futuro reforço do Athletic Bilbao, depois de três temporadas em crescendo no Saragoça, realizou um Europeu Sub-21 de grande qualidade, ao aproveitar o bom momento de forma para conquistar o seu espaço na equipa titular. Médio de características ofensivas, o seu elevado sentido colectivo, bom sentido táctico e disponibilidade física dão-lhe garantias no capítulo defensivo. No entanto, é com a bola nos pés que ganha maior dimensão: inteligente a ler o jogo e com bons argumentos no passe, assume acções de distribuição e de condução, onde explora a sua mobilidade, agilidade e poder de drible para criar desequilíbrios no um para um. Autor do golo, num surpreendente golpe de cabeça, que abriu o caminho para o triunfo sobre a Suíça na final, tem todas as condições para se tornar mais acutilante em finalizações através do seu pé direito, mas tende a optar, em zonas próximas da área adversária, pelo último passe em detrimento do remate.

Xherdan Shaqiri (Suíça – FC Basileia)

 
Xherdan Shaqiri19 anos – 1.70 – 5 jogos / 1 golo / 1 assistência

8.000.000 € (avaliação transfermarkt)

Grande promessa do futebol suíço, de origem kosovar, assumiu-se como a grande figura da sua Selecção na trajectória rumo à final da competição. Titular indiscutível do FC Basileia e presença regular na Selecção AA, parece talhado para voos mais altos na sua carreira. Médio ala de grande mobilidade, atinge um maior rendimento quando actua a partir do flanco direito, ainda que com liberdade para realizar movimentos em diagonal, uma das suas principais especialidades. Rápido, ágil, capaz de imprimir acelerações no seu jogo e com um bom poder de drible, mostra-se muito forte a assumir acções de condução e a produzir desequilíbrios no um para um, ainda que, em algumas ocasiões, abuse de iniciativas individuais. Contudo, apresenta argumentos muito interessantes a nível do passe e dos cruzamentos, como também revela um grande sentido de baliza – procura-a, várias vezes, de fora da área – e um remate forte com ambos os pés: o esquerdo é o que melhor define.

Juan Manuel Mata (Espanha – Valencia)

 
Juan Manuel Mata23 anos – 1.70 – 5 golos / 2 golos / 2 assistências

25.000.000 € (avaliação transfermarkt)

Unidade nuclear do Valencia e presença regular na Selecção AA espanhola, pela qual se sagrou campeão do Mundo em 2010, confirmou-se, como era esperado, como uma das figuras do Europeu Sub-21, ainda que o seu rendimento tenha sido mais elevado quando desfrutou de liberdade de movimentos para sair do flanco e aparecer em espaços centrais. Muito rápido, ágil e capaz de promover acelerações ao seu jogo, trata-se de um jogador muito forte a assumir acções de condução e a produzir desequilíbrios no um para um, até porque consegue aliar essas características a uma grande capacidade técnica e poder de drible. Forte no capítulo das assistências para situações de finalização, ao explorar a sua boa leitura de jogo e argumentos no passe e nos cruzamentos, mostra também grande perspicácia a desmarcar-se e a aparecer, dentro e fora da área, em zonas de finalização, de forma a tirar partido do seu remate forte e colocado de pé esquerdo.

Adrián López (Espanha – Deportivo la Coruña)

 
Adrián López23 anos – 1.80 – 5 jogos / 5 golos / 0 assistências

3.500.000 € (avaliação transfermarkt)

Apontado como reforço do Atlético Madrid para 2011/12, Adrian López, avançado que somou, no último exercício, 8 golos em 36 jogos pelo decepcionante Deportivo, saiu do Europeu Sub-21 como figura incontornável da competição: titular no lugar que seria à partida de Bojan Krkic, apontou 5 golos em 5 jogos, o que lhe valeu o prémio de «Bota de Ouro». Avançado de grande mobilidade e capaz de jogar a toda a largura do ataque, parte, muitas vezes, de posições exteriores em direcção à área, de forma a tirar partido da sua velocidade e poder de desmarcação, como também da sua capacidade para promover desequilíbrios no um para um, até porque é muito ágil e possui argumentos interessantes a nível do drible. Se é certo que o seu rendimento não prima pela regularidade e, em algumas ocasiões, revela alguma falta de objectividade, não é menos verdade que é oportuno e astuto a ganhar posição aos defesas adversários, demonstrando argumentos como finalizador com os dois pés – o direito é o que melhor define – e através do jogo aéreo.

 

foto de abertura © Getty Images


Rui Malheiro

 
analista de futebol, scout e autor. freelancer. escreveu Anuário do Futebol 2008/09 e Anuário do Futebol 2009/10.