Posted 18/08/2011 by Rui Malheiro in Colunas
 
 

FC Nordsjælland: o relatório

fcn2011
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classificado da Liga dinamarquesa e vencedor da Taça, pelo segundo ano consecutivo, em 2010/11, o FC Nordsjælland garantiu, tal como acontecera no exercício anterior, o apuramento para a Liga Europa. Eliminados, há um ano, pelo Sporting, na 3ª pré-eliminatória desta competição, com uma dupla derrota, os «Tigres» procuram fazer melhor no reencontro com os «Leões», algo que se antevê como muito difícil dada a diferença de qualidade entre os dois planteis. Nada que faça esmorecer a confiança de Kasper Hjulmand, novo técnico do clube para 2011/12, que, entre muitos elogios à qualidade do Sporting e do técnico Domingos Paciência, não esconde o sonho de conduzir a formação de Farum a um apuramento histórico para a fase de grupos da Liga Europa.

A saída do treinador Morten Wieghorst, depois de cinco temporadas à frente do clube, foi a principal nota do defeso. O seu bom trabalho à frente do FC Nordsjælland, onde foi responsável pela conquista das duas Taças e pelo lançamento de vários jogadores oriundos da formação, foi reconhecido com a chamada ao comando técnico da Selecção Sub-21 dinamarquesa, o que levou a Direcção dos «Tigres» a apontar Kasper Hjulmand, o seu antigo adjunto, como novo treinador, numa aposta clara na continuidade. Por isso mesmo, o plantel sofreu poucas alterações e as saídas esperadas de Morten Nordstrand e Bryan Oviedo, jogadores que tinham sido emprestados pelo FC Copenhaga, foram compensadas com as aquisições dos internacionais dinamarqueses Mikkel Beckmann, ex-Randers, e Patrick Mtiliga, ex-Málaga, a que se juntou a promoção de alguns juniores.

Se o início de temporada foi muito pouco entusiasmante, fruto das derrotas nas difíceis deslocações aos terrenos de Copenhaga e Odense, como também do empate caseiro diante do Horsens, os triunfos no seu reduto, nas duas últimas jornadas, diante de Silkeborg e de HB Køge permitiram aos «Tigres» darem um salto do penúltimo lugar da classificação para o 6º, a apenas um ponto da zona europeia. Do ponto de vista táctico, Hjulmand mantém-se fiel ao 4x3x3, desdobrável em 4x2x3x1, esquema que Wieghorst implementou na equipa sénior e nos escalões de formação.

 

2011/12: Jogo a Jogo

Odense 2-0 FC Nordsjælland

 
Odense 2-0 FC Nordsjælland

FC Nordsjælland 1-1 AC Horsens

 
FC Nordsjælland 1-1 AC Horsens

FC Copenhaga 2-0 FC Nordsjælland

 
FC Copenhaga 2-0 FC Nordsjælland

FC Nordsjælland 2-1 Silkeborg IF

 
FC Nordsjælland 2-1 Silkeborg IF

A lesão de Mikkelsen, aos 14 minutos, obrigou Hjulmand a realizar a primeira substituição: fez entrar Laudrup. Em desvantagem no marcador ao intervalo, abdicou do médio ofensivo Lund Nielsen e lançou Nichlas Rohde, avançado centro da formação júnior. Passou a jogar num 4x2x3x1 com 3 unidades móveis – Laudrup, Beckmann e Lawan trocaram frequentemente de posição – no apoio a Rohde e conseguiu a reviravolta no marcador.

 
FC Nordsjælland 2-1 Silkeborg IF

FC Nordsjælland 2-0 HB Køge

 
FC Nordsjælland 2-0 HB Køge

A empatar e a realizar uma exibição pobre, Hjulmand abdicou, ao intervalo, do jovem Rohde e lançou Granskov, um avançado mais móvel e agressivo, que acabaria por apontar o golo inaugural. Pouco depois, trocou o apagado Lund Nielsen por Christensen, médio ofensivo que ofereceu mais qualidade de passe e dinamismo na ligação entre a 3ª e a 4ª fase de construção. Perto do fim, Beckmann cedeu o seu lugar a Laudrup, extremo que conquistou, após jogada individual, a grande penalidade que valeu o 2-0 final.

 
FC Nordsjælland 2-0 HB Køge

 

FC Nordsjælland vs. Sporting: «Onze» Provável (4x3x3/4x2x3x1)

FC Nordsjælland: 4x2x3x1

 

Jesper Hansen, internacional dinamarquês em todos os escalões entre os sub-16 e os sub-21, é o titular indiscutível na baliza e tem realizado boas exibições no início da temporada. O jovem David Jensen, de apenas 19 anos, é o seu suplente. Trata-se de um guardião muito promissor, formado nas escolas do clube e presença regular nas Selecções inferiores.

– Na defesa, Henrik Kildentoft, lateral direito, e Andreas Bjelland, defesa-central, titular da Selecção sub-21 dinamarquesa no último europeu da categoria, são unidades indiscutíveis. À esquerda, a opção natural seria Patrick Mtiliga, mas o antigo lateral do Málaga, NAC e Feyenoord apenas chegou ao clube na fase final da pré-temporada e não apresenta os melhores índices físicos, o que fez com que ainda não realizasse a sua estreia pelos «Tigres». Por isso mesmo, Kasper Hjulmand começou por apostar no júnior Seejou King, lateral esquerdo titular nas primeiras quatro jornadas da Liga, mas o seu rendimento irregular fez com que fosse suplente no último jogo. O polivalente norte-americano Michael Parkhurst, médio defensivo de origem, começou a época a titular ao lado de Bjelland no centro da defesa, mas foi deslocado, no último jogo, para a lateral esquerda, de forma a dar mais consistência defensiva à equipa. Isso valeu a promoção à titularidade do jovem central Jores Okore, dinamarquês, de 19 anos, nascido na Costa do Marfim, ganhando a corrida a Mathias Nielsen, 20 anos, e Jacob Egeris, 21 anos, os outros centrais do plantel. Mark Gundelach, lateral ou ala direito, de 19 anos, formado nas escolas do clube e presença regular nas Selecções inferiores dinamarquesas, encontra-se tapado por Kildentoft.

– No meio-campo, o antigo internacional sub-17 ganês Enoch Kofi Adu, mais fixo, e o veterano capitão Nicolai Stokholm, com maior liberdade de movimentos, formam a habitual dupla de médios centro. Stokholm é, aos 35 anos, a unidade com mais peso no jogo dos «Tigres», tanto pela sua capacidade de construção e mais valia do ponto de vista posicional, como também pelo seu poder de finalização e liderança forte. Encontra-se em dúvida para o jogo da 1ª mão com o Sporting, já que se lesionou nos minutos finais da partida com o HB Køge, mas estão a ser efectuados todos os esforços para que recupere, o que deverá acontecer. Søren Christensen e Matti Lund Nielsen têm alternado a utilização no posto de médio ofensivo: Lund Nielsen tem sido o titular nos últimos jogos, mas Christensen entrou muito bem no último jogo e é bem possível que tenha reconquistado a titularidade face ao rendimento pouco constante de Lund Nielsen. Caso Stokholm não recupere, Hjulmand poderá ser obrigado a utilizar Parkhurst no centro do terreno, o que implicaria a entrada de King para a lateral esquerda, ou então a conciliar a presença no «onze» de Lund Nielsen e Christensen, o que muito raramente acontece, ficando Adu como unidade mais recuada do sector intermediário.

– A recuperação de Tobias Mikkelsen, extremo que saiu lesionado diante do Silkeborg, é uma boa notícia para Kasper Hjulmand, que ganha mais uma opção para as alas, mesmo que seja pouco provável a sua titularidade no jogo da 1ª mão. O sueco Rawez Lawan, capaz de jogar em qualquer posição do ataque, e o internacional dinamarquês Mikkel Beckmann, principal reforço para 2011/12, deverão ser as apostas iniciais para as alas, ficando Andreas Laudrup, filho de Michael Laudrup, e Mikkelsen como opções a serem lançadas no decurso da etapa complementar. Na frente do ataque, o móvel Andreas Granskov, autor do 1º golo na vitória diante do HB Køge, poderá ter conquistado a titularidade, até porque o rendimento do ainda júnior Nichlas Rohde deixou bastante a desejar. No entanto, não é de excluir a possibilidade de Lawan, à semelhança do que aconteceu nas primeiras 4 jornadas da Liga, assumir o papel de principal referência ofensiva, abrindo espaço à titularidade de Laudrup ou Mikkelsen na ala direita. Oguzhan “O.G.” Aynaoglu, extremo capaz de jogar nos dois flancos, Mads Thomsen e Christian Gytkjær são opções secundárias e não têm sido utilizados neste início de exercício.

 

Chaves

1. Ataques rápidos e mobilidade do sector ofensivo – Equipa capaz de realizar um futebol apoiado com base em passes curtos e médios, principalmente a partir da 2ª metade da 2ª fase de construção de jogo, os «Tigres» denotam, no entanto, algumas dificuldades em criar oportunidades de golo na sequência de lances de ataque organizado. São bem mais perigosos quando exploram ataques rápidos, tirando partido da mobilidade, capacidade de desmarcação e velocidade dos seus elementos mais adiantados, já que os alas procuram muito movimentos em diagonal, tanto com bola como sem bola, e avançados como Granskov ou Lawan são capazes de jogar a toda a largura do ataque e agressivos a procurar ganhar posição aos defesas adversários. Stokholm, entre a 2ª e a 3ª fase de construção, através de passes médios e longos, e Christensen, Mikkelsen ou Beckmann, na ligação entre a 3ª e a 4ª fase, quase sempre através de passes curtos e médios, mostram-se capazes de fazer passes de ruptura, mas, não raras vezes, o guarda-redes Hansen, o central Bjelland e o lateral Kildentoft arriscam um futebol directo em direcção ao ataque.

2. Rigor táctico – Muito frágeis nas transições ataque-defesa, fruto da lentidão do sector defensivo e das dificuldades dos jogadores em recuperar posição após uma perda de bola, aspecto que o Sporting deverá explorar exaustivamente, o FC Nordsjælland sente-se mais confortável a defender de forma organizada, optando, na maior parte das situações, por um bloco médio ou médio-baixo com 9 jogadores de campo atrás da linha da bola. Se é certo que os laterais, mesmo com o apoio defensivo dos alas, se mostram vulneráveis, principalmente quando o adversário explora a velocidade, Adu e Stokholm dão um apoio muito importante em zona central: impedem os remates de segunda linha, auxiliam os centrais e, em algumas situações, procuram tirar espaço aos movimentos em diagonal dos alas adversários, sobretudo quando se apercebem que o lateral foi ultrapassado.

3. Bolas paradas laterais – O FC Nordsjælland é uma equipa muito perigosa a dar sequência a lances de bola parada, principalmente laterais – cantos e livres indirectos -, aspecto em que o Sporting necessitará de revelar grande atenção e concentração. Beckmann é, por norma, quem assume a sua marcação e tira partido da sua boa qualidade nos cruzamentos, explorando, na maior parte das situações, o 2º poste, espaço onde costumam aparecer Bjelland e Stokholm, os dois melhores cabeceadores da equipa. No entanto, os «Tigres» colocam, muitas vezes, 6 jogadores na área, sendo necessária também alguma atenção aos movimentos de Kildentoft – costuma antecipar-se ao 1º poste – e de Okore (e/ou Parkhurst) e de Lawan, este particularmente astuto a aproveitar ressaltos dentro da área.

 

Análise

Jesper Hansen, de 26 anos, é o titular indiscutível na baliza. Guarda-redes com passado nas Selecções inferiores dinamarquesas, evoluiu bastante ao longo do último ano e tem realizado um início de época muito positivo. Capaz de realizar boas intervenções entre postes, ainda que com tendência excessiva para a espectacularidade, sabe tirar partido da sua agilidade, elasticidade e bons reflexos. Fora dos postes, mostra qualidade nas saídas pelo chão – boas defesas com os pés – e um bom controlo do espaço aéreo dentro da pequena área. Assume também um papel importante nas saídas para o ataque, ao mostrar facilidade a jogar com os pés – o direito é o mais forte – e a efectuar lançamentos manuais longos.

– O sector defensivo denota enormes dificuldades em velocidade, ficando muito exposto nas transições ataque-defesa, agravadas pela tendência para jogar algo adiantado e procurar sair para fora-de-jogo, aspecto em que nem sempre revela a melhor coordenação. Tudo factores a serem explorados pelo Sporting. Os laterais são vulneráveis no um para um em velocidade e Kildentoft, à direita, costuma subir bastante, dando espaço nas suas costas. O jovem King, utilizado como lateral esquerdo nos primeiros jogos do exercício, revela o mesmo problema, a que junta ainda imaturidade a nível posicional. Bjelland, mesmo não se destacando pela velocidade e agilidade, é o defesa mais consistente, tirando partido da sua força física, capacidade de desarme e bom jogo aéreo, enquanto que Parkhurst, apesar de mais falível, principalmente no um para um, revela grande disponibilidade física, agressividade e alguma maturidade táctica e posicional, o que levou Kasper Hjulmand a deslocá-lo para a lateral esquerda. Okore, central titular diante do HB Køge, impressiona pela sua agressividade e disponibilidade física, mas revela ainda grande imaturidade a nível posicional – perde, muitas vezes, a posição –, como também problemas técnicos, principalmente no controlo da bola, e a acertar o tempo de entrada aos lances.

– O sector defensivo do FC Nordsjælland sente dificuldades quando é pressionado. Os dois centrais assumem, muitas vezes, a saída para ataque entre a 1ª e o início da 3ª fase de construção, o que convida o adversário a realizar uma pressão média-alta. Bjelland é o jogador que se sente mais confortável com bola, alternando passes curtos em segurança com um futebol directo, nem sempre preciso, em direcção ao ataque. Parkhurst, por sua vez, demonstra limitações técnicas e, ciente disso, arrisca muito pouco, o que o leva a recorrer, várias vezes, a atrasos para o guarda-redes. Já Okore assume várias acções de risco, quer saindo em condução, quer realizando alguns passes à queima. Em algumas situações, sobretudo sob pressão, os centrais efectuam atrasos em direcção ao guarda-redes – confortável a jogar com os pés, tende a optar por pontapés longos em direcção ao ataque – ou procuram, através de passes curtos e médios, os laterais: nenhum deles se sente particularmente confortável quando pressionado, ainda que Kildentoft não demonstre receios em procurar um futebol directo em direcção ao ataque. Também é ele o lateral que dá mais garantias do ponto de vista ofensivo, ao tirar partido da sua disponibilidade física, agressividade e poder de desmarcação para penetrar, com e sem bola, na 3ª e 4ª fase de construção.

– A dupla de médios centro sente-se confortável com bola e gosta de assumir acções de condução e organização de jogo ofensivo. O ganês Adu é capaz de promover desequilibrios em espaços curtos – por vezes, assume acções de risco excessivo -, mas opta, quase sempre, por passes curtos. É pelos pés do veterano capitão Stokholm que passa quase todo o jogo ofensivo da equipa: capaz de baixar à 1ª ou à 2ª fase de construção, como também de penetrar pela 3ª, sabe fazer a bola circular, através de passes curtos, para além de se destacar pelos argumentos que evidencia no passe médio e longo, procurando as alas ou a realização de passes de ruptura em direcção ao ataque, patenteando uma boa leitura das desmarcações dos seus colegas de equipa. Apesar dos seus 35 anos, evidencia uma óptima disponibilidade física, o que lhe permite aparecer, com grande facilidade, em zona de finalização, dentro ou fora da área (muito atento às segundas bolas), de forma a explorar o seu forte remate de pé direito ou os bons argumentos que apresenta no futebol aéreo.

– Quando a equipa perde a bola, principalmente na 3ª fase de construção, são notórias as dificuldades dos jogadores em recuperarem posição, o que deixa a equipa muito exposta a ataques rápidos por parte do adversário. Adu é o jogador mais forte nesse aspecto, já que sabe tirar partido da sua disponibilidade física, agressividade e velocidade para realizar compensações e efectuar recuperações, mas Stokholm, os médios ofensivos Lund Nielsen e Christensen, os laterais e os alas são um bocado lentos a recuperar no terreno. Devidamente posicionada, a equipa é muito solidária e mostra-se rigorosa do ponto de vista táctico, mesmo apresentando, sobretudo no seu sector recuado, dificuldades em velocidade. Um bom exemplo disso é Stokholm, jogador dotado de um óptimo sentido posicional e capaz de cortar várias linhas de passe.

– Uma das dúvidas que Kasper Hjulmand terá é sobre qual será a sua opção para o posto de médio ofensivo: pelas indicações dadas no último jogo, Søren Christensen está, neste momento, em melhor forma e poderá recuperar a titularidade, mas Matti Lund Nielsen tem sido a opção principal nos últimos jogos. Christensen trata-se de um jogador com maior capacidade para assumir acções de condução e de promover alguns desequilíbrios no um para um, como também de realizar passes de ruptura em direcção aos avançados, enquanto que Lund Nielsen arrisca muito pouco no capítulo do passe – quase sempre curto e sem risco – e destaca-se, principalmente, pela sua mobilidade e capacidade de desmarcação a partir de acções sem bola, aparecendo, com facilidade, em zona de finalização, onde procura tirar partido do seu remate com o pé direito.

– Equipa particularmente perigosa a explorar ataques rápidos, o FC Nordsjælland procura tirar partido da mobilidade, capacidade de desmarcação e velocidade dos seus elementos mais adiantados. Lawan, Beckmann e Mikkelsen, todos destros, exploram bastante os movimentos em diagonal, como também Laudrup, um canhoto que rende mais quando parte do flanco direito, mas mais talhado para procurar o um para um do que a baliza adversária. No «onze» inicial só deverá haver espaço para dois – Lawan e Beckmann são os grandes candidatos à titularidade -, mas não é de excluir a hipótese de Lawan actuar na frente do ataque, abrindo espaço para a entrada de início de Laudrup ou Mikkelsen. Contudo, o bom desempenho de Granskov, um avançado muito móvel e agressivo a conquistar posição dentro da área, na segunda parte do jogo diante do HB Køge, deverá valer-lhe a titularidade. Já o júnior Rohde, o avançado do plantel com características mais próximas de um «9» puro, deverá ficar no banco dos suplentes.

Lawan, avançado capaz de jogar sobre as duas alas – onde rende mais – ou como principal referência ofensiva, mostra astúcia a desmarcar-se e gosta de aparecer na área a concluir iniciativas ofensivas, ainda que acuse, várias vezes, alguma precipitação no momento do remate. Beckmann, um jogador que tende a procurar espaços centrais e a surgir, em algumas situações, como quarto médio, o que lhe permite oferecer várias assistências para situações de finalização, e Mikkelsen são sagazes na exploração de diagonais, mostrando argumentos para procurar a baliza adversária em remates de dentro ou de fora da área.

– Quando explora o jogo exterior, o FC Nordsjælland revela uma maior tendência para atacar pelo flanco direito, fruto do maior envolvimento ofensivo de Kildentoft, lateral capaz de penetrar na 3ª e na 4ª fase de construção, como também razoável nos cruzamentos. Contudo, na maior parte das ocasiões, costumam ser os alas a realizar a assistência para situações de finalização, alternando cruzamentos ao 1º e ao 2º poste. O avançado é quem costuma atacar o 1º poste – Granskov e Lawan destacam-se nesse aspecto, pois são astutos a ganhar posição aos defesas adversários -, enquanto que o extremo do lado oposto ao que o ataque é realizado procura ganhar posição ao 2º poste. Pelo menos um dos médios – Lund Nielsen, Christensen ou Stokholm – aparece na área ou à entrada da área na expectativa de aproveitarem uma segunda bola.

– Kasper Hjulmand, à semelhança de Morten Wieghorst, não costuma promover grandes alterações tácticas, quer quando pretende segurar um resultado, quer quando procura inverter um resultado desfavorável. Quase sempre fiel ao seu 4x3x3, desdobrável em 4x2x3x1, só em desvantagem no marcador costuma fixá-lo num 4x2x3x1, mas sem correr grandes riscos: abdica do médio ofensivo para colocar mais uma unidade de ataque, passando a jogar com 3 jogadores móveis nas costas de um avançado mais fixo. Por norma, só em caso de lesão substitui os 4 defesas e os 2 médios centros, optando, no decurso dos jogos, por trocar o médio ofensivo e os dois extremos ou, em alternativa, o médio ofensivo, um extremo e o avançado.

– Equipa muito perigosa a dar sequência a lances de bola parada laterais: cantos e livres indirectos. Beckmann é, por norma, quem assume a marcação e tira partido da sua boa qualidade nos cruzamentos, explorando, na maior parte das situações, o 2º poste, espaço onde costumam aparecer Bjelland e Stokholm, os dois melhores cabeceadores da equipa. No entanto, os «Tigres» colocam 5 ou 6 jogadores na área: Kildentoft costuma atacar, em antecipação, o 1º poste; Okore e/ou Parkhurst procuram mais o espaço central; Lawan, avançado que gosta de se posicionar próximo do guarda-redes adversário, mostra grande astúcia a aproveitar ressaltos dentro da área. Mikkelsen e Christensen são outras opções para a marcação de cantos e livres laterais, às quais ainda se junta Stokholm, este apenas na execução de livres desde a 3ª fase de construção, onde procura tirar partido da facilidade com que coloca a bola na área.

Stokholm é o marcador de grandes penalidades. A equipa não possui grandes especialistas na execução de livres directos: prova disso mesmo, o facto de não ter marcado qualquer golo, em 2010/11 e 2011/12, na sequência desse tipo de lance. Stokholm, Lund-Nielsen e Beckmann costumam ser os jogadores chamados a marcarem os livres directos. Atenção também aos lances laterais longos, principalmente aos executados pelo lateral direito Kildentoft, capaz de colocar a bola com alguma facilidade na área.

– Nas bolas paradas defensivas, o FC Nordsjælland tem revelado algumas deficiências na formação de barreiras, principalmente para fazer face a livres directos frontais, como também patenteia, apesar da elevada estatura da maior parte dos seus jogadores e de colocar, frequentemente, 8 ou 9 jogadores de campo dentro da área, deficiências na defesa de livres laterais e pontapés de canto, sobretudo quando o adversário explora acções de antecipação aérea dentro da área.

 

foto de abertura © superliga.dk


Rui Malheiro

 
analista de futebol, scout e autor. freelancer. escreveu Anuário do Futebol 2008/09 e Anuário do Futebol 2009/10.