Posted 25/05/2013 by Rui Malheiro in Playmaker
 
 

Kloppologia. Jürgen Klopp como nunca o lemos.

Kloppologia. Jürgen Klopp como nunca o lemos.
Kloppologia. Jürgen Klopp como nunca o lemos.

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de Agosto de 2009. O jornal alemão Die Zeit (ZM) apresentava uma grande entrevista, realizada por Carolin Emcke e Moritz Müller-Wirth, a Jürgen Klopp (JK), no lançamento da Bundesliga 2009/10. Estava encerrada a época de estreia do técnico no Borussia Dortmund, em que alcançou um 6º lugar, falhando o acesso a um lugar europeu na última jornada. 631 dias antes de se sagrar campeão alemão. 988 dias antes de alcançar o bicampeonato. 1387 dias antes de disputar a grande final da Liga dos Campeões, em Wembley, diante do Bayern de Munique.

Da metodologia de treino ao trabalho exaustivo em prol da evolução dos jogadores, passando pela liderança, pela análise dos jogos e pela aplicação da cinética no futebol, eis um verdadeiro manual da Kloppologia. Sem qualquer tipo de rodeios, Klopp viaja até à infância e adolescência na Floresta Negra – uma comunidade com cerca de 1500 habitantes -, fala sobre a sua relação com a fé e com a morte, como também aborda questões políticas, sociais e um tema tabu no futebol alemão: a homossexualidade.

O Futebol Mundial apresenta a entrevista na íntegra em português, num trabalho para o qual muito contribuíram as prestações de Carlos Filipe Costa e, principalmente, Sofia Oliveira, estudante finalista da Licenciatura em Direito na Faculdade de Direito da Universidade do Porto.

 
ZM: Sr. Klopp, queremos falar consigo sobre Futebol.

JK: Ora aí está algo de novo! Já estou quase habituado a que os media se interessem apenas por informação cor-de-rosa: quanto é que custou um jogador ou quem é que foi visto com quem na discoteca.

ZM: Em poucos dias começará a nova época da Bundesliga. A última época foi marcada pelo epíteto de futebol de sistema e também pela frase de Jürgen Klinsmann “cada jogador, a cada dia, pode melhorar um pouco”. Neste momento, Klinsmann já foi substituído, mas fica a pergunta: o que significa concretamente “melhorar um jogador de futebol”?

JK: Em público, existe sempre uma tendência para se falar, do ponto de vista teórico, no sistema, no modelo de jogo e no papel do treinador e dos jogadores. Mas raramente é questionado para que serve determinado exercício prático, um treino ou o que retiras disso para desenvolver ou formar um jogador.

ZM: E…?

JK: A minha regra pedagógica basilar consiste, numa primeira fase, em que é bem mais importante enaltecer as qualidades do jogador do que apontar-lhe os pontos fracos e criticar-lhe as falhas. Não podemos dizer ao jogador: “Isto tu não sabes fazer” ou “Isso não vais conseguir fazer”. Quando eu, enquanto treinador, acredito num jogador e que ele poderá evoluir, ao mostrar-lhe como poderá desenvolver as suas capacidades ganho a sua confiança. Se ele sente essa confiança, vai evoluir e crescer como jogador. E, no momento da verdade, vai acreditar em mim e, seguidamente, em si mesmo.

ZM: Mas uma auto-confiança elevada não substitui o talento. O que acontece aos pontos fracos dos jogadores?

JK: A autoconfiança, para mim, é determinante. Depois, sim, trabalhamos os pontos fracos. Várias vezes, muitas vezes. São exercitados, repetidamente. Tenho um excelente exemplo no plantel: o nosso central Felipe Santana. Ele é verdadeiramente um atleta excepcional. Tem grande capacidade física, o que lhe permite ser bem-sucedido nos lances homem-a-homem. Teve porém que dissimular as suas limitações técnicas. Para corrigir as deficiências, só tivemos que lhe fazer duas perguntas: Qual é a função de um defesa central? e Por que é que ele é um jogador crucial na equipa? A resposta é imediata: o defesa central é, quase sempre, o nosso último recurso. Quando perdes a bola ou se não a souberes parar convenientemente, é praticamente certo que o adversário vai ter uma oportunidade para marcar um golo. Nessa posição, é crucial ter jogadores com um nível técnico considerável. Isso analisa-se com base em três parâmetros: recepção/controlo da bola, condução da bola e passe. E foi isso que fizemos com o Felipe Santana. Treinar controlo, condução e passe. Várias vezes, muitas vezes…

ZM: Os colegas não gozam com o jogador?

JK: Isso é um disparate. Não, ninguém goza ou se ri neste tipo de treino, porque pode acontecer a qualquer um. E acontece! Treino é repetição. Isso é válido para atletas e para músicos. Vi, recentemente, um filme sobre um baterista que repetia as sequências individuais 1600 vezes, até que estivessem verdadeiramente interiorizadas. Aí, ele já não pensa mais. Apenas tocava. Simples: badambadam, badambadam, badambadam. Repetição, repetição. As coisas também funcionam assim no futebol. Não precisas treinar 1600 vezes, mas, depois do treino, proponho ao Felipe Santana 60-70 bolas desde posições diferentes. E ele vai ter que conseguir reagir sempre: receber, conduzir e passar.

ZM: Isso é suficiente?

JK: Claro que não é suficiente para corrigir as deficiências do jogador, mas consegues algo muito importante: o jogador envolve-se e passa a saber lidar melhor com os seus pontos fracos. O jogador tem que reconhecer estes pontos fracos. Saber viver com eles.

ZM: Agora ele consegue parar a bola…

JK: A técnica é, do meu ponto de vista, o primeiro pré-requisito para um futebolista. A arte, se quiser. Depois, segue-se o segundo passo: a inteligência de jogo. E aí há uma necessidade de melhorar individualmente, como também do ponto de vista colectivo. Seja com toda a equipa, seja com parte da equipa. Depois, também possuímos recursos sofisticados para realizar uma análise vídeo top do ponto de vista individual e colectivo, em que utilizamos múltiplas câmaras que estão instaladas no estádio apenas com esse propósito.

ZM: Antes de fazer a análise em equipa, tem que ver o vídeo de jogo. Quanto tempo dura essa tarefa?

JK: Para que um vídeo de um jogo de 90 minutos fique devidamente visto, não o posso ver corrido. Paro, volto atrás, avanço. Paro, volto atrás, avanço. Demoro 5 horas a analisar e a esmiuçar um jogo de forma a apreender tudo.

ZM: Quando é que faz isso?

JK: Quando jogamos ao sábado, faço a análise do nosso jogo ao domingo. Às terças-feiras, vemos as imagens da equipa relativas ao último jogo. Reúno os jogadores e observamos duas sequências: o que fizemos bem e o que fizemos mal. Da mesma forma, faço reuniões por sector. Por exemplo, reúno-me inúmeras vezes com os quatros defesas para lhes mostrar como reagiram às situações do jogo. É fundamental definirmos os tempos certos, para que a linha de quatro funcione na perfeição: não se podem mover demasiado rápido, nem de forma demasiado lenta. No que diz respeito a análises individuais, temos um registo de gravações de todos os jogadores. De todas as suas acções. Uma a uma.

ZM: Faz uma crítica individual perante toda a equipa?

JK: Quando tecemos críticas, gostamos de as fazer em frente a todo o plantel. A nossa crítica é feita ao comportamento posicional, nunca é uma crítica à pessoa. O trabalho de desenvolvimento funciona por meio de feedback e de correcções.

ZM: Qual é a frequência dos treinos?

JK: Faço dois treinos à terça-feira. À quarta-feira, fazemos cinética e uma unidade de treino. À quinta um treino e à sexta outro. Ao sábado é o jogo.

ZM: Cinética?

JK: A cinética é fundamental na minha metodologia de treino. O professor Horst Lutz apresentou-nos um método fabuloso, chamado Life Kinetik, que obteve excelentes resultados com esquiadores alemães como Felix Neureuther. Isto envolve a concentração e a coordenação, como também a educação ocular (treino do olho). Aparentemente, isto parece ter muito pouco a ver com futebol. Por exemplo, nós praticamos formas bastante complexas de malabarismo (pegar em dois cubos de açúcar, atirá-los ao ar e agarrá-los com as mãos cruzadas), o que permite aprender a diferenciar percepção e movimentação, cérebro e aparelho motor. Tudo isto se treina.

ZM: Isso faz sentido para os jogadores?

JK: (risos) Isso é a parte prática da autoridade: se eu quero que seja feito, é feito. Isso permite que os jogadores se apercebam que isso os ajuda a melhorar o seu posicionamento, a ter maior velocidade de reacção, a reagir mais rapidamente, a ter uma perspectiva mais acurada e uma melhor visão geral do jogo. Tudo isto reunido acaba por fortalecer a minha autoridade. A inteligência dos jogadores de futebol é francamente subvalorizada. As pessoas julgam-nos pelas declarações que fazem no final dos jogos, muitas vezes por responderem a perguntas muito pouco inteligentes. Experimentem pôr um microfone à frente do nariz de um cirurgião imediatamente após uma operação de duas horas ao coração. Ele é quem nos salva a vida. Mas dele, nessa circunstância, também não ouviriam as melhores respostas.

ZM: No que diz respeito a jogadores inteligentes e adultos, há uma predisposição para questionarem decisões ou para pedirem alguns privilégios?

JK: O exemplo típico é o da reserva e da ocupação de quartos e camas em estágios. Se não houvesse um critério, todos escolheriam quartos individuais. Eu faço questão que não haja quartos individuais. Reservo sempre quartos com duas camas e faço questão que um jogador não escolha o seu parceiro. Por isso, sou eu quem define os pares que ocupam os quartos… Se não o fizesse, pode imaginar o que daí resultaria.

ZM: Na última temporada havia excepções?

JK: Havia duas. Os dois jogadores que ressonavam. Assim não dá! Num estágio é preciso dormir e descansar bem. Por isso, receberam ambos um quarto individual. Assim, podiam ressonar à vontade. Para definir a escolha dos quartos, faço um sorteio no início de cada época, o que se tornou num verdadeiro ritual. Encenamos um sorteio das competições europeias: temos o “que joga em casa”, que é o primeiro a ser sorteado e que se senta à frente, de olhos tapados, à espera de saber quem lhe calha na rifa. Ou seja, “quem joga fora”. Depois, há gritos e cenas de júbilo. Isso acabou por tornar-se num evento extremamente divertido.

ZM: Em criança ou durante a sua juventude reconhecia autoridade em alguém?

JK: O meu pai era um desportista de corpo e alma. Muito completo. Um treinador de corpo e alma. Muito completo. Foi quem me mostrou e ensinou tudo: futebol, ténis e esqui. Ele era completamente irresponsável: quando esquiávamos, só via o seu anoraque vermelho. Das pistas de esqui não via nada.

ZM: Como assim?

JK: Ele ultrapassava-me e, com isso, procurava levar-me em frente. Nunca esperava por mim. Era completamente irrelevante o facto de eu ser um principiante. Ele passava por mim disparado. E eu via sempre as costas daquele anoraque vermelho. Ele queria que eu fosse um esquiador perfeito. E fizemos sprints e corridas… no campo de futebol. A partir da linha de fundo até ao meio-campo. Na minha primeira corrida, já ele tinha chegado ao meio-campo e eu ainda estava a chegar à entrada da grande área. Isso para ele era muito mau. Ele gostava muito de mim e eu sabia disso. Mas não tinha nenhuma consideração por mim: nem me protegia, nem me deixava ganhar.

ZM: Desagradável!

JK: Apenas por sorte é que aquilo que o meu pai queria que eu fizesse me trazia divertimento. Já aí, eu amava o futebol, mais do que qualquer outra coisa, mas naturalmente que não tinha paciência para ao domingo, às 8 da manhã, estar a treinar toques de cabeça!

ZM: Quando o ouvimos falar, pela descrição que faz do seu pai, sentimos uma incrível semelhança reflectida no seu comportamento em relação aos seus jogadores: uma mistura entre exigência e proximidade, rigidez e afecto.

JK: Hmm… A sério? Se calhar, tem razão!

ZM: O seu pai era apenas ambicioso ou era um verdadeiro amante de desporto?

JK: Quando o meu pai já estava com um cancro em fase avançada, decidiu disputar com a sua equipa de seniores um jogo de “masters”. Ele adorava ténis e essa foi a sua forma de despedida da vida. O mais importante era que a desfrutasse. Um dia, quando já estava no hospital, chamou-me junto de si e falou-me do seu funeral. Disse-me que músicas deviam ser tocadas – um solo de trompete de Helmut Lotti e a “Time to say goodbye”. Deu-me também a fotografia que deveria ir sobre o seu caixão: mostrava-o ainda no auge da sua vivacidade. O meu pai era muito vaidoso e ainda disse em tom de brincadeira: «se alguém abre o caixão, vai haver sarilho!». Aí, eu senti a responsabilidade de ser o único homem que restava na família. Na Floresta Negra, onde nasci e cresci, a morte não é um tema que os homens discutam com as mulheres.

ZM: Consegue aceitar a morte como algo inalterável e definitivo?

JK: Oh… Eu até sou crente. Mas aceitar a imutabilidade da morte parece-me incrivelmente difícil.

ZM: O que é para si a fé?

JK: A fé é simplesmente certeza. Não trago essa ideia desde os tempos de infância, mas em algum momento da minha vida tive essa ideia. Para mim significa – por mais patético que isso soe – que devo fazer tudo o que está ao meu alcance para mudar o lugar onde estou para melhor. Para mim, em variadíssimas situações, é importante que as pessoas que me rodeiam estejam bem. Eu estou sempre bem. Desejo verdadeiramente fazer um trabalho que torne o Mundo melhor. Infelizmente, esse desejo não significa que seja bem-sucedido na tarefa de aceitar que há coisas – como as doenças ou a dor – que não posso mudar.

ZM: Este desejo de melhorar as coisas, esta vontade de melhorar a vida das pessoas tem também consequências políticas?

JK: Eu nunca escolheria um partido, apenas para me sentir melhor. Ora, quando um partido promete reduções dos impostos para os escalões mais elevados de tributação – aos quais eu vou pertencendo – isso não é motivo suficiente para que eu o escolha.

ZM: Qual é a percepção que tem da realidade política e social fora do seu mundo protegido do futebol?

JK: Nós vivemos na zona do Ruhr. Observamos, claro, as pessoas que vão ver os treinos todos os dias. É claro que essas pessoas não são veraneantes em férias. São pessoas que não têm trabalho. A essa realidade não podemos fechar os olhos. Os jogadores sabem exactamente quão dura é realidade da vida das pessoas agora durante esta crise financeira.

ZM: Por favor, Sr. Klopp!!!

JK: Absolutamente! Não preciso de encenar o interesse. Os meus jogadores não precisam de posar para a fotografia com a cara manchada de carvão. As pessoas da região não precisam desse tipo de pseudo-compaixão. O que nós podemos fazer é proporcionar-lhes momentos de distracção. Dar-lhes alegrias. Os nossos fãs ganham connosco, perdem connosco e jogam connosco. Temos a tarefa, nestes momentos, de criar momentos tão agradáveis quanto possível. E essa é uma tarefa monumental.

ZM: Também transmite essa mensagem aos jogadores?

JK: Não. Não preciso. Eles sabem-na interiormente. Também não posso agir como se eles fossem solucionar os problemas das pessoas! Apenas podemos ajudá-las a não olhar para esses problemas de forma tão gravosa. Recentemente, recebi uma mensagem de um fã que era beneficiário do Hartz IV e que contava que tinha comprado um bilhete de época do Borussia Dortmund.

ZM: E…?

JK: Ora, na realidade, tive que dizer imediatamente que ele não estava bom da cabeça e devia gastar o seu parco dinheiro em coisas mais importantes. Mas eu sei que nós trazemos alegria à vida dele. Não posso mudar a situação política, não posso mudar nada na realidade social, mas posso fazer estas pessoas muito felizes por alguns momentos.

ZM: Há âmbitos nos quais o futebol está desfasado face à realidade social alemã. A homossexualidade é abraçada na cultura, na política e até no meio militar. Apenas no futebol há um muro das lamentações relacionado com esse assunto.

JK: É preciso esclarecer qual é a fonte do problema. Claramente não são os jogadores, os fãs ou os treinadores.

ZM: Ah…

JK: Na minha equipa, os homossexuais são muito bem-vindos. Quando um jogador é bom, joga. Quando não é bom, não joga. Tão simples quanto isso.

ZM: Se calhar, não é assim tão simples. Caso contrário, os jogadores já se teriam assumido há mais tempo. Em vez disso, têm que dissimular a sua sexualidade e suportar o desdém entre colegas e fãs. Os jogadores reagem com histeria perante a ideia de tomar duche com colegas homossexuais…

JM: Ah! O que é que você sabe acerca do que se passa no duche?! Há sempre algo de inusitado a que os jogadores têm que habituar-se. Alguns muçulmanos tomam duche com calções de banho. E aí há ao início boatos e passado algum tempo já é normal. Tenho a certeza de que vão sempre existir rumores e as malditas piadas. Também as há entre as mulheres jogadoras, onde já se adequa dizer “é feia a tua?…». Uma palermice. Isso tornar-se-ia rapidamente normal. É como tudo. Como trabalhar uma linha de 4 defesas sem libero.

ZM: A homossexualidade vai tornar-se tão natural como a linha de 4 defesas sem libero?

JK: A essa também ninguém queria, e houve bocas até que as pessoas a tivessem compreendido. E aí tornou-se normal.

ZM: Então, por quê este tabu?

JK: Muito simples: o primeiro que sair do armário vai ser perseguido pelos media. Vão cair-lhe em cima e não serão os colegas. Esses aceitam mais rapidamente do que a imprensa. As revistas cor-de-rosa iriam atirar-se, durante meses, ao pobre desgraçado.

ZM: Se fosse gay ter-se-ia assumido? Se fosse incapaz de dissimular como contornaria o problema?

JK: Tenho que pensar sobre isso. Não sou gay. Mas acho, muito sinceramente, que se há alguns anos tivesse dito que era gay, não teria o trabalho que tenho hoje. Quando, hoje em dia, um jogador vem ter comigo a pedir conselhos sobre a sua saída do armário, aí, antes de mais, tendo em conta o que sei acerca dos media e da vida pública, recomendar-lhe-ia que não fosse pioneiro nessa revelação.

ZM: Então se nenhum for o primeiro, isso significa que os/as futebolistas gay devem levar uma vida dupla?

JK: Tinha que ser uma enxurrada. Quando dez ou vinte se assumissem de uma vez: «Olá, aqui estamos. Olá, somos homossexuais». Aí o caso poderia mudar de figura. Aí iriam suportar-se mutuamente, é claro.

ZM: O que vai existir primeiro: a primeira Bundesliga feminina ou o primeiro futebolista gay assumido?

JK: Claramente a primeira. Não. Os primeiros 10 futebolistas homossexuais assumidos. Apostas?

ZM: Para terminar, gostaríamos de apresentar-lhe algumas declarações, às quais apenas deve responder com “certo” ou “errado”.

ZM: O papel do treinador está a tornar-se sobrevalorizado.
JK: Errado.

ZM: Jürgen Klinsmann fracassou como treinador do Bayern.
JK: Errado.

ZM: Manuel Neuer vai ser o novo guarda-redes da Selecção alemã?
JK: Certo.

ZM: Ballack devia encerrar a carreira como futebolista.
JK: Errado.

ZM: O dinheiro destrói o futebol.
JK: Errado.

ZM: Os agentes prejudicam o futebol.
JK: Errado.

ZM: Kehl merecia ter ido ao Mundial 2008, em vez de Frings.
JK: Certo.

ZM: Matthias Sammer vai ser o próximo seleccionador alemão.
JK: Posso saltar perguntas?

ZM: O futebol é, em última análise, justo?
JK: (hesita longamente) Certo.

ZM: A sua frase: «Ainda não tomei qualquer decisão profissional com fundamento em motivos puramente pessoais».
JK: Certo.

ZM: Jürgen Klopp diz sempre a verdade nas entrevistas.
JK: (hesita longamente) Errado.

 
foto de abertura © Rua — Hilfe für Straßenkinder e.V.


Rui Malheiro

 
analista de futebol, scout e autor. freelancer. escreveu Anuário do Futebol 2008/09 e Anuário do Futebol 2009/10.