Posted 06/04/2011 by Rui Malheiro in Colunas
 
 

PSV Eindhoven: o relatório

PSV Eindhoven's players observe a minute's silence before their Europa League soccer match against Rangers in Glasgow
PSV Eindhoven's players observe a minute's silence before their Europa League soccer match against Rangers in Glasgow

A

atravessar o momento mais delicado da temporada, o PSV Eindhoven perdeu, no último sábado, a liderança da Liga holandesa, após uma derrota na deslocação ao terreno do Twente (0-2), o campeão em título e novo líder da competição. Um duro revés para os «Camponeses», que estavam, desde o início de Novembro, no lugar cimeiro da tabela classificativa e têm agora cinco jornadas para recuperarem os 2 pontos de atraso para a formação orientada por Michel Preud’homme, de forma a alcançarem um título, principal objectivo para 2010/11, que lhes foge há três anos. Frente ao Benfica, o PSV procura dar sequência a um excelente percurso na Liga Europa: depois de se estrearem, na eliminatória de acesso à fase de grupos, com uma derrota diante do Sibir (0-1), somam uma impressionante série de 11 jogos consecutivos sem perder – 7 vitórias e 4 empates.

Liderados tecnicamente, desde Julho de 2009, por Fred Rutten, antigo técnico de Twente e Schalke 04, o PSV Eindhoven mostra-se fiel ao 4x2x3x1, mantendo a aposta num «onze» que praticamente não sofre alterações: o desgaste, principalmente no último mês e meio, começa a notar-se, como também a falta de soluções de recurso para fazer uma gestão do esforço e suprir alguns problemas físicos. Equipa com fragilidades do ponto de vista defensivo, ao mostrar-se algo vulnerável a ataques rápidos e contra-ataques do adversário, a formação de Eindhoven destaca-se, principalmente, pela sua grande capacidade ofensiva, graças ao elevado rendimento do tridente formado pelo húngaro Dzsudzsák – 15 golos e 12 assistências na Liga –, pelo sueco Toivonen – 13 golos e 8 assistências na Liga –, e pelo holandês Lens – 9 golos e 13 assistências -, jogadores que actuam nas costas do sueco Marcus Berg, avançado que está a realizar uma época muito irregular, até porque viveu os melhores períodos da sua carreira a jogar em 4x4x2. Para o jogo de amanhã na Luz, Toivonen foi dado como inapto, mas, nas últimas horas, a imprensa holandesa avançou com a hipótese de vir a ser utilizado, depois de uma deslocação à Sérvia para realizar um tratamento para debelar a sua lesão. Caso a recuperação não se concretize, será, seguramente, substituído por Bakkal, titular nos dois últimos jogos do PSV na Liga holandesa. O central Bouma e o lateral esquerdo Pieters estão em dúvida, mas devem recuperar das lesões a tempo de serem utilizados, ao contrário do experiente avançado centro Koevermans, habitual relevo de Berg, que se encontra lesionado.

 

A Táctica

 

Equipa-base (4x2x3x1)

 
PSV Eindhoven: 4x2x3x1

Equipa-base sem Toivonen (4x2x3x1)

 
PSV Eindhoven: 4x2x3x1 (sem Toivonen)

Como joga em casa (4x2x3x1)

 
PSV Eindhoven: 4x2x3x1 (casa)

Como joga fora (4x2x3x1)

 
PSV Eindhoven: 4x2x3x1 (fora)

 

Chaves

– Nos jogos fora, o PSV organiza-se, do ponto de vista defensivo, num bloco médio ou médio/baixo, com a pressão a intensificar-se quando o adversário se aproxima da 3ª fase de construção, em algumas situações com os 11 jogadores atrás da linha da bola. Nos jogos em casa, sobretudo quando não se encontra em vantagem no marcador, o PSV aposta num bloco alto, muitas vezes com os 10 jogadores de campo no meio-campo ofensivo, com uma pressão muito intensa logo à saída da 1ª fase de construção do adversário. É uma aposta de grande desgaste físico e de risco elevadíssimo, sobretudo se o adversário for capaz de ultrapassar a primeira barreira e souber explorar os lançamentos longos para as costas da defesa adversária.

– Quando o PSV Eindhoven se organiza num bloco médio ou médio/baixo, o meio-campo mostra-se compacto: a dupla de médios centro é muito agressiva e pressionante, não temendo o confronto corpo a corpo, o que os leva a cometer várias faltas, e o «tridente» de médios ofensivos, mesmo não se destacando pela capacidade de recuperação, mostra competência na ocupação dos espaços. Os principais problemas do PSV, em momento defensivo, acabam por ser alguma permeabilidade do lateral esquerdo Pieters no um para um em velocidade, como também alguns problemas de coordenação no sector defensivo, fruto da tendência do central Bouma para sair de posição e da preocupação excessivas dos laterais com a defesa de posições interiores, o que deixa o corredor algo vulnerável, principalmente se os laterais adversários superarem o confronto com Lens e Dzsudzsák.

– As transições ataque-defesa são um dos maiores problemas do PSV, o que se agudiza nos jogos em casa: com a opção por um bloco alto, há imenso espaço a explorar nas costas dos defesas. Nos jogos fora, a propensão ofensiva do lateral direito Manolev, deixa o corredor desprotegido do ponto de vista defensivo e, por norma, é o central Marcelo, o responsável por fazer as dobras à direita, descompensado a zona central, até porque Engelaar, habitualmente o médio mais recuado, é lento a recuperar posição.

– O PSV é uma equipa que se sente muito confortável com a bola e, por isso mesmo, jogue em casa ou fora, esteja a ganhar, a empatar ou a perder, gosta de a ter em sua posse. A circulação é feita à base de passes curtos, quase sempre em segurança, o que faz com que não tenha grande progressão: não raras vezes, a bola parte do centro em direcção a uma ala e, em circulação, chega à outra ala, praticamente sem avançar no terreno, procurando desgastar os adversários. Se Marcelo, Hutchinson e Engelaar jogam, essencialmente, à base de passes curtos sem grande progressão, Bouma é o jogador que introduz algo de diferente entre a 1ª e o início da 3ª fase de construção, arriscando vários passes médios e longos em direcção aos flancos. E é nos flancos que o PSV desenvolve algumas das suas melhores jogadas em ataque organizado, tirando partido das combinações entre os laterais e os alas – que tendem muito a realizar diagonais para espaços interiores –, como também das tabelas dos laterais e dos alas com os médios interiores, fundamentais para as suas progressões: dos laterais sobre o flanco – Manolev é mais acutilante do que Pieters – e dos alas em direcção à área – Lens procura quase sempre acções de penetração na área, enquanto que Dzsudzsák é mais imprevisível e acaba por tomar a decisão menos expectável. Entre a 3ª e a 4ª fase, em zona central, destaca-se particularmente Toivonen, jogador capaz de executar excelentes passes de ruptura ao primeiro toque, explorando, de forma muito inteligente, as diagonais curtas de Berg e os movimentos em diagonal de Lens e Dzsudzsák.

– As transições defesa-ataque são uma importante arma ofensiva do PSV. Se é certo que, nos jogos em casa, a equipa acaba por desperdiçar boas oportunidades, fruto da tendência de Engelaar e Hutchinson por saídas curtas, o internacional canadiano revela, ainda assim, argumentos para assumir a condução e promover acelerações no jogo, mas faltam-lhe mais argumentos do ponto de vista técnico e uma maior capacidade nos passes de ruptura. A presença mais regular de Toivonen, nos jogos fora, na 2ª fase de construção, garante uma maior qualidade nos lançamentos: por norma, o internacional sueco procura explorar imediatamente a velocidade e capacidade de desmarcação dos dois alas, que também costumam partir da 2ª fase – um deles assume a condução, enquanto que o outro procura ganhar posição dentro da área para concluir o lance (Lens é particularmente forte nesse tipo de movimento sem bola); a outra solução de Toivonen passa por assistir Berg, já posicionado na 3ª fase de construção, para este depois procurar solicitar a desmarcação em velocidade de um dos alas. Outra opção são os lançamentos médios/longos de Bouma ou Pieters em direcção aos flancos: curiosamente, Pieters, um jogador que sente dificuldades quando é pressionado nas saídas, mostra argumentos interessantes nas aberturas em direcção a Dzsudzsák ou Berg.

– Durante o jogo, Fred Rutten promove algumas trocas posicionais entre os dois alas: se é certo que o canhoto Dzsudzsák também se sente confortável a partir da direita, Lens, apesar de utilizar preferencialmente o pé direito, é mais acutilante a sair da direita para o meio.

– O PSV Eindhoven revela grandes cautelas nos lances de bola parada defensivos, colocando 7 ou 8 jogadores dentro da área – Lens e Dzsudzsák, os jogadores mais baixos, são os únicos a ficar fora da área, também a pensar numa eventual saída para ataque rápido – e defendendo num misto zona/homem a homem. A elevada estatura dos jogadores presentes na área garante um bom controlo do espaço aéreo, mas, por vezes, abordam os lances de forma algo expectante, o que permite que sejam surpreendidos em acções de antecipação.

– As bolas paradas ofensivas são outra das grandes armas do PSV, o que torna altamente desaconselhável a realização de faltas no último terço do terreno. Dzsudzsák assume a marcação de todos os lances de bola parada: exímio marcador de livres directos, ao tirar partido do seu remate forte e colocado de pé esquerdo, mostra também grande qualidade na execução de livres laterais – procura, em algumas ocasiões, cruzamentos-remate – e pontapés de canto, tirando partido da sua capacidade nos cruzamentos e facilidade em colocar a bola na área, onde estão, por norma, 6 jogadores, todos eles com bons argumentos no futebol aéreo: opta, normalmente, por cruzamentos ao 2º poste – espaço que Marcelo ataca com grande acutilância e perigo e onde Berg costuma aparecer -, mas também procura alguns ao 1º poste – para um desvio de Engelaar ou Bouma. Hutchinson é quem fica à entrada da área para um eventual remate de ressaca, enquanto que Toivonen é a principal alternativa a Dzsudzsák para bater os lances de bola parada.

 

Análise

– O internacional sueco Andreas Isaksson é o titular indiscutível. Guardião muito experiente, concentrado e extremamente alto – 1.99 –, mostra grande competência entre postes, ao conciliar um bom controlo espacial da baliza e um muito bom posicionamento a bons reflexos, agilidade e elasticidade, como também se revela muito forte em situações de um para um com os avançados adversários, pois, mesmo não sendo particularmente rápido a deslocar-se, até pela sua estrutura física possante, é muito frio na abordagem aos lances e mostra-se capaz de fechar o ângulo de remate e eficaz em acções de desarme, tanto com as mãos como com os pés. Apesar da sua elevada estatura, arrisca muito pouco nas saídas aéreas e, principalmente, nos lances de bola parada laterais, opta, muitas vezes, por ficar entre postes. No entanto, revela um bom controlo do espaço aéreo dentro da pequena área e, em situações de maior aperto, sabe tirar partido do seu poder físico para se impor. Confortável a jogar com os pés – destro, mas também capaz de utilizar o pé esquerdo –, mostra-se capaz de lançar alguns ataques rápidos, através de passes médios em direcção aos flancos: opta, na maior das ocasiões, pelo esquerdo. Cássio Ramos, guarda-redes formado nas escolas do Grêmio Porto Alegre e internacional Sub-20 pelo Brasil, é o seu habitual suplente. Muito poderoso do ponto de vista físico – 1.95/92 –, o que lhe garante um bom controlo do espaço aéreo dentro da pequena área, não prima pela consistência, isto apesar de se revelar ágil e apresentar bons reflexos.

– Nas laterais, Stanislav Manolev – à direita – e Erik Pieters – à esquerda – são os habituais titulares. Manolev, internacional AA búlgaro, contratado, no Verão de 2009, ao Litex, afirmou-se de forma fulgurante no futebol holandês. Lateral direito de forte vocação ofensiva, sabe projectar-se, na 3ª e na 4ª fase de condução, através de tabelas com os médios centro, mas também revela grande astúcia a protagonizar desmarcações sem bola, tirando partido da sua velocidade e poder de aceleração. Eficaz no capítulo do passe, principalmente no curto e no médio, revela facilidade a colocar a bola na área através de cruzamentos e, mesmo não sendo sempre preciso, consegue realizar várias assistências para situações de finalização. Apesar das suas características marcadamente ofensivas, o que faz com que dê algum espaços nas suas costas, é um lateral competente do ponto de vista defensivo, ao tirar partido da sua disponibilidade física, agressividade e capacidade de pressão, mostrando bons argumentos na defesa de posições exteriores e uma boa cultura táctica e posicional, o que lhe garante alguma eficácia na cobertura de espaços interiores, onde procura impor-se em acções de antecipação. Pieters, lateral esquerdo, de 22 anos, tem-se vindo a fixar, ao longo dos últimos meses, como titular da Selecção AA holandesa, depois de um bom trajecto nos Sub-21. Menos expansivo, no capítulo ofensivo, do que Manolev, não deixa de procurar projectar-se pelo corredor, ora através de progressões em condução com base na força, já que não revela grandes atributos de ordem técnica, ora através de desmarcações sem bola. Pouco constante no capítulo dos cruzamentos, mostra alguma capacidade para lançar, desde a 2ª ou do início da 3ª fase de construção, o ala esquerdo (Dzsudzsák) ou o avançado centro (Berg), através de passes médios/longos. Capaz de actuar como central, revela-se competente no capítulo defensivo, tanto na defesa de posições exteriores como interiores, até porque apresenta bons argumentos no jogo aéreo. Se é certo que sente algumas dificuldades em velocidade, principalmente quando as suas costas são exploradas, o que o leva a recorrer a algumas entradas mais duras, procura compensar essa lacuna com grande agressividade e capacidade de pressão, tratando-se de um defesa forte fisicamente e com boa capacidade para se impor através de acções de desarme ou na antecipação.

– O brasileiro Marcelo, contratado, no último Verão, ao Wisla Cracóvia, onde se assumiu como uma das figuras da Liga polaca 2009/10, e o experiente internacional holandês Wilfred Bouma, de regresso ao clube onde se destacou, depois de uma experiência de 4 anos e meio no Aston Villa, formam a habitual duplas de centrais. Marcelo, jogador formado no Santos e com passado na Selecção Sub-20 brasileira, destaca-se pela sua impressionante força e disponibilidade física, o que lhe permite impor-se nos lances corpo a corpo e efectuar várias acções de compensação à direita, até porque revela um óptimo sentido posicional. Poderoso no jogo aéreo, tanto em momento defensivo como ofensivo – extremamente perigoso a dar sequência a lances de bola parada -, mostra também uma boa capacidade no desarme pelo chão e para se impor na antecipação, tirando partido da forma muito agressiva com que aborda os lances, mas são notórias algumas dificuldades no um para um com adversários rápidos e móveis, até porque lhe falta uma maior agilidade e velocidade nas deslocações. Central de processos simples e práticos, não assume acções de risco nas saídas para ataque, optando, quase sempre, pela solução mais simples: passes curtos em direcção a Bouma, Engelaar ou Manolev. Bouma, depois de dois anos de paragem competitiva, em virtude de uma grave lesão, vive, aos 32 anos, uma segunda vida futebolística, já que se mostra totalmente reabilitado, o que lhe permitiu impor-se como «patrão» do sector defensivo do PSV. Extremamente poderoso e disponível fisicamente, compensa a falta de centímetros (1.78) com grande agressividade na abordagem aos lances, aliando os seus bons argumentos no desarme pelo chão – especialista em «tackles» – a um óptimo poder de antecipação, não só pelo chão, como também pelo ar, o que lhe permite efectuar várias acções de compensação ao centro ou sobre as laterais. Crucial nas saídas para ataque, assume, várias vezes, a condução de jogo entre a 1ª e a 3ª fase de construção, ainda que tenda a realizar acções de risco excessivo em zonas proibidas. No entanto, apresenta óptimos argumentos no capítulo do passe, mostrando segurança no passe curto e médio, o que o leva a procurar, diversas vezes, aberturas em direcção aos flancos.

– O internacional mexicano Francisco «Maza» Rodríguez é a principal alternativa para o centro da defesa. Titular indiscutível no exercício anterior, perdeu espaço com a afirmação de Marcelo e o regresso de Bouma. Especialista em acções de marcação, trata-se de um central agressivo, forte do ponto de vista físico e com bons argumentos no jogo aéreo, mas com claras limitações a nível da velocidade e agilidade. Jagos Vukovic, jovem sérvio, contratado, no Verão de 2009, ao RAD, é a outra opção para o centro da defesa ou para a lateral esquerda, mas o seu rendimento, das poucas vezes que foi chamado à equipa, deixou muito a desejar. Se é certo que se mostra muito poderoso do ponto de vista físico e forte no jogo aéreo, ao tirar partido da sua elevada estatura, demonstra evidentes dificuldades no um para um com adversários rápidos, o que o leva a recorrer a entradas muito duras. O jovem Abel Tamata, promovido da equipa secundária, é a principal alternativa para a lateral direita, isto apesar de ser um médio de origem. Jogador ainda algo imaturo, faz-se valer da sua velocidade e disponibilidade física para se desdobrar ofensivamente, mas precisa de ganhar uma muito maior consistência nos capítulos do passe e dos cruzamentos. Do ponto de vista defensivo, sente-se mais confortável na defesa de posições exteriores – ainda que recorra muito a faltas para travar os adversários – do que em posições interiores, onde são notórias as suas dificuldades no jogo aéreo.

– O internacional canadiano Atiba Hutchinson e o internacional holandês Orlando Engelaar, capitão do PSV, formam a dupla de médios centro. Hutchinson, jogador que, ao serviço do Copenhaga, já defrontou quatro vezes ao Benfica e até já marcou no Estádio da Luz – a 14 de Agosto de 2007, numa pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões – costuma ter uma acção mais livre, de forma a tirar partido da sua tremenda disponibilidade física, o que lhe permite percorrer inúmeros espaços ao longo do jogo. Competente do ponto de vista defensivo, revela-se um bom recuperador de bolas, ao aliar a sua agressividade e enorme capacidade de pressão a um muito bom poder de antecipação e a argumentos no desarme pelo chão. Do ponto de vista ofensivo, faz-se valer da sua enorme mobilidade, rapidez e capacidade de desmarcação para aparecer em zona de finalização – remate fácil de pé direito – ou mais aberto sobre a ala direita. Se é certo que não apresenta grandes atributos de ordem técnica, é objectivo nas suas acções e não procura fazer aquilo que não sabe: por isso mesmo, opta, quase sempre, por passes curtos em segurança, já que é muito instável no passe médio e longo. Já o canhoto Engelaar ocupa um raio de acção mais curto, mas o seu papel é crucial, tanto no capítulo defensivo, como nas saídas para o ataque. Poderosíssimo do ponto de vista físico – 1.96/90 –, o que lhe permite impor-se nos duelos corpo a corpo, revela grande maturidade posicional e táctica, o que lhe garante o corte de inúmeras linhas de passe e um papel crucial na coordenação defensiva da equipa, para além de ser muito forte no jogo aéreo e agressivo no desarme. Lento a recuperar no terreno, tem a noção perfeita dessa limitação e não hesita a recorrer a jogo faltoso quando se apercebe que está demasiado exposto. Inteligente a fazer a bola circular, opta, na maior parte das ocasiões, por passes curtos – ao centro – e médios – do centro para as alas – em segurança, para além de revelar capacidade para assumir acções de condução entre a 3ª e a 4ª fase construção: sem argumentos para imprimir acelerações, progride com base na sua imensa força física, protegendo muito bem a bola com o corpo. Perigoso a dar sequência aérea a lances de bola parada – mais a conquistar bolas do que como finalizador –, aparece, em algumas situações, à entrada da área, para tirar partido do seu forte remate de pé esquerdo.

– O internacional sueco Ola Toivonen – 13 golos e 8 assistências na Liga 2010/11 – será, à partida, o grande ausente do jogo da 1ª mão. No entanto, nas últimas horas, surgiram notícias na imprensa holandesa de uma possível recuperação, depois de se ter deslocado à Sérvia para realizar um tratamento com placenta de cavalo. Forte do ponto de vista físico – 1.91/74 -, o que lhe permite realizar, diversas vezes, o papel de «pivot» no desenvolvimento de tabelas, até porque se sente confortável a jogar de costas para a baliza, o médio ofensivo sueco trata-se de um jogador muito forte a realizar a ligação entre a 3ª e a 4ª fase de condução, pois consegue conciliar uma boa capacidade de condução – não sendo capaz de promover grandes acelerações, sabe proteger a bola com o corpo e criar desequilíbrios no um para um em espaços curtos – a grande mobilidade e um excelente poder de desmarcação. Inteligente a aparecer em zona de finalização, tanto à entrada da área como dentro desta, mostra bons argumentos em conclusões com o pé direito e através do jogo aéreo, para além de se revelar capaz de fazer óptimos passes de ruptura, tirando partido da sua visão de jogo – óptima leitura das movimentações e desmarcações dos colegas de equipa – e dos seus argumentos no passe, muitas vezes executados de primeira.

– Caso se confirme a ausência de Toivonen, será Otman Bakkal, o 12º jogador da formação de Eindhoven, a assumir a titularidade. Sem a dimensão física e a capacidade de definição do sueco, trata-se de um jogador muito móvel, o que lhe permite fazer várias deslocações, com e sem bola, de espaços centrais para espaços exteriores. Capaz de assumir acções de condução entre a 3ª e a 4ª fase de construção, consegue criar desequilíbrios no um para um, ao aliar velocidade e agilidade a atributos interessantes de ordem técnica, para além de patentear bons atributos no passe – curto e médio – e no remate com o pé direito, tanto à entrada da área, como já dentro desta – onde também apresenta alguma capacidade de finalização através do futebol aéreo -, até porque mostra astúcia a desmarcar-se e a ganhar posição aos defesas adversários. O médio centro ofensivo belga Stijn Wuytens, um talentoso canhoto, de 21 anos, dotado de bons argumentos de ordem técnica e remate colocado de pé esquerdo – em bola corrida e bola parada -, e o marroquino Zakaria Labyad, médio ofensivo destro, de 18 anos, apontado como uma das grandes promessas oriundas da formação, o que até já lhe valeu comparações a Ibrahim Affelay, são as outras opções para a zona central do meio-campo.

– Nas alas, Jeremain Lens – à direita – e o internacional húngaro Balázs Dzsudzsák – à esquerda – são os titulares indiscutíveis. Antigo jogador do AZ Alkmaar, onde era mais utilizado como «arma secreta», Lens rumou, no último Verão, ao PSV Eindhoven, onde os seus 9 golos e 13 assistências na Liga 2010/11 lhe abriram as portas da Selecção AA holandesa. Extremo explosivo, especialista na exploração de diagonais, com e sem bola, em direcção à área, trata-se de um jogador muito rápido, extremamente ágil e capaz de imprimir acelerações no seu jogo, o que lhe permite criar desequilíbrios no um para um, até porque é muito agressivo a partir para cima dos adversários e possui muito bons atributos no drible, ainda que, em algumas ocasiões, tenda a perder objectividade nas suas acções, ao agarrar-se, de forma excessiva, à bola. Muito perigoso a penetrar na área através de tabelas com Berg ou Toivonen, trata-se de um jogador extremamente móvel e acutilante a desmarcar-se, para depois tirar partido do seu remate cruzado – principalmente de pé direito, mas também de pé esquerdo –, mostra também argumentos em finalizações à entrada da área e grande astúcia a atacar o segundo poste, principalmente para dar sequência a cruzamentos desde a esquerda. Mesmo não sendo muito constante nos capítulos do passe e dos cruzamentos, realiza várias assistências para situações de finalização, principalmente a partir de passes curtos e cruzamentos atrasados. Apesar das suas características marcadamente ofensivas, consegue efectuar algumas recuperações a partir de acções de antecipação. O ala esquerdo Dzsudzsák é a grande figura da equipa: soma 15 golos e 12 assistências em 29 jogos na Liga, a que junta 5 golos e 4 assistências em 11 jogos na Liga Europa. Muito veloz, ágil e capaz de imprimir acelerações às suas acções, trata-se de um jogador muito forte a assumir acções de condução, tanto em ataque rápido como em ataque organizado, e capaz de produzir desequilíbrios no um para um, ao aliar essas características a um bom poder de drible, patenteando grande acutilância a protagonizar movimentos em diagonal em direcção a espaços interiores ou a procurar a linha de fundo. Com argumentos no capítulo do passe – utiliza, preferencialmente, o curto, mas também é capaz de efectuar bons passes médios e longos – e dos cruzamentos – privilegia o 1º poste, mas é mais perigoso quando centra ao 2º -, mostra uma grande capacidade de remate com o pé esquerdo, tanto de fora da área como dentro desta, ainda que nem sempre enquadrado. No entanto, tem condições para melhorar a sua tomada de decisões: tende a agarrar-se em demasia à bola e a individualizar, de forma excessiva, as suas acções, como também a procurar a solução menos óbvia, como é visível quando procura visar a baliza a 25-30 metros com linhas de passe abertas. Grande especialista na execução de lances de bola parada, assume a marcação de grandes penalidades, livres directos, livres laterais e pontapés de canto, aliando um forte remate de pé esquerdo a grande facilidade a colocar a bola na área na sequência de cruzamentos.

– O internacional sueco Marcus Berg, avançado emprestado pelo Hamburgo ao PSV Eindhoven, é a principal referência ofensiva da equipa. Apesar de estar a atravessar uma fase de muito pouca confiança no momento da finalização – não marca golos há quase dois meses –, Fred Rutten mantém a confiança no jogador. Muito móvel e extremamente perspicaz a desmarcar-se, parte, muitas vezes, de espaços exteriores em direcção à área, mostrando capacidade para jogar nos limites do fora-de-jogo. Oportuno e inteligente a ganhar posição aos defesas adversários, procura visar a baliza adversária em remates com o pé direito – o esquerdo não é totalmente cego – e em conclusões através do jogo aéreo, mas tem-se vindo a revelar muito perdulário. Apesar de não se destacar pela qualidade técnica – algumas dificuldades na recepção de bola – e pela força física, sabe jogar de costas para a baliza e funcionar como «pivot» em tabelas, na 3ª e na 4ª fase de construção, com o médio ofensivo, mas também com os alas e os laterais.

– Danny Koevermans, experiente avançado centro, de 32 anos, costuma ser a principal alternativa a Berg, mas está lesionado e deve falhar, pelo menos, o jogo da 1ª mão. Extremamente possante e agressivo, destaca-se pelo seu sentido de oportunidade dentro da área e capacidade de finalização com o pé direito ou através do jogo aéreo, como também pela sua capacidade para jogar de costas para a baliza e funcionar como «pivot» em tabelas. Com a lesão de Koevermans, o jovem Género Zeefuik, que se estreou, há poucos dias, pela Selecção Sub-21 holandesa, ganhou espaço nas opções de Rutten. É um avançado móvel, veloz e com bons argumentos do ponto de vista físico, que se mostra perigoso no desenvolvimento de ataques rápidos, mostrando facilidade a visar a baliza adversária através de remates com ambos os pés: o direito é o que melhor define. Stef Nijland, internacional Sub-21 holandês, é a outra opção para o ataque, mas raramente tem entrado nas contas de Rutten: apesar de muito alto (1.87), é tecnicamente evoluído e gosta de jogar nas costas de um avançado mais fixo, de forma a tirar partido da sua mobilidade, capacidade de desmarcação e bom remate com o pé direito.

 

Os últimos 5 jogos oficiais do PSV Eindhoven

 

02-04-2011, Liga, Twente (f), 0-2 (D) – 4x2x3x1

 
Twente vs. PSV Eindhoven

20-03-2011, Liga, Vitesse (c), 1-0 (V) – 4x2x3x1

 
PSV Eindhoven vs. Vitesse

17-03-2011, Liga Europa, Rangers (f), 1-0 (V) – 4x2x3x1

 
Rangers vs. PSV Eindhoven

13-03-2011, Liga, NEC (f), 2-2 (E) – 4x2x3x1

 
NEC vs. PSV Eindhoven

10-03-2011, Liga Europa, Rangers (c), 0-0 (E) – 4x2x3x1

 
PSV Eindhoven vs. Rangers

 

Multimédia: Os últimos 5 jogos oficiais do PSV Eindhoven

 

 

foto de abertura © Reuters


Rui Malheiro

 
analista de futebol, scout e autor. freelancer. escreveu Anuário do Futebol 2008/09 e Anuário do Futebol 2009/10.