Posted 03/07/2012 by Joachim Rodrigues in Colunas
 
 

Scouting: as 10 maiores promessas da Libertadores Sub-20 2012.

River Plate: vencedor da Copa Libertadores Sub-20 (2012)
River Plate: vencedor da Copa Libertadores Sub-20 (2012)

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erminada a 2ª Edição da Copa Libertadores Sub-20, o Futebol Mundial escolheu as 10 maiores promessas presentes no torneio disputado, por 16 clubes, no Peru. O River Plate, ao derrotar os uruguaios do Defensor Sporting (1-0) na final, ganhou a competição, sucedendo aos peruanos do Universitario de Deportes, triunfadores em 2011. Vencedores do grupo D com 2 vitórias e 1 empate, onde defrontaram Corinthians, Junior de Barranquilla e Atlético Madrid – único clube europeu convidado -, os «Milionários» eliminaram o América Mineiro (6-5, após o desempate por pontapés da marca de grande penalidade), campeão brasileiro Sub-20 em 2011, e o Corinthians (2-0), antes de defrontarem o Defensor Sporting na final, onde um golo de Augusto Solari, uma das principais figuras da prova, se revelou decisivo.

A elaboração desta lista foi feita tendo em conta os seguintes requisitos: (1) jogadores com tempo de utilização ao longo da competição igual ou superior a 150 minutos; (2) a qualidade dos jogadores e a sua margem de progressão; (3) jogadores que demonstraram relevância suficiente para uma possível negociação externa ou integração a curto-médio prazo nos quadros principais dos respectivos clubes, tendo em vista o aproveitamento e maturação dos seus potenciais.

 

Abdelkader Oueslati «Kader» (Atlético Madrid)

 
20 anos | 1.76 | Lateral Direito / Médio Interior Direito / Médio Centro

200.000 € (avaliação transfermarkt) | Agente: –

O Atlético Madrid, enquanto equipa europeia convidada a estar presente nesta 2ª Edição da Copa Libertadores Sub-20, deixou uma pálida imagem em territórios sul-americanos dos departamentos de formação do «Velho Continente», não indo além da fase de grupos e regressando a Espanha com um empate e duas derrotas na bagagem. Apesar do fracasso «colchonero» na prova, destaque para o seu capitão de equipa, Abdlekader Oueslati, jogador franco-tunisino, chegado aos quadros do Atlético Madrid, em 2009, proveniente do Sporting Toulon Var. Fisicamente disponível e resistente no vaivém constante sobre o flanco direito, actua preferencialmente como defesa lateral direito, embora também tenha sido utilizado por uma ocasião como defesa lateral esquerdo e tenha ainda versatilidade para actuar como médio direito ou em posições mais centrais do meio campo, «Kader» demonstrou personalidade no seu futebol. Destro, rápido e determinado, possui qualidade na condução, o que lhe permite que se sinta confortável no apoio ofensivo, em movimentação 1×2, proporcionando profundidade e eficácia no cruzamento – consegue cruzar de primeira sem necessitar de parar ou cortar fluidez/rapidez de execução em demasia nesse momento -, garantindo ainda suficiente solidez no momento defensivo, antecipando e mostrando capacidade no desarme. Competente – sem ser poderoso – em lances aéreos, «Kader» Oueslati é um bom e eficaz executante de bolas paradas, colocando bolas com precisão e tensão à disposição dos seus colegas em bolas paradas indirectas/laterais ou utilizando os seus argumentos no remate de média distância para tentar facturar através de livres directos frontais ou ligeiramente descaídos, a jeito do seu pé direito. Pese todas as suas virtudes no apoio ofensivo e razoável solidez defensiva, deve continuar a trabalhar e gerir melhor algumas situações de aproximação e respectivos «timings», evitando perdas de bola desnecessárias ou abordagens ineficazes que expõem em demasia o seu flanco em caso de exploração imediata por parte dos oponentes. Internacional tunisino, Abdelkader Oueslati, também conhecido por «Kader», é um nome para ter debaixo de olho nos próximos tempos, na expectativa de que venha a confirmar as boas sensações que deixou numa participação colectiva «colchonera» que ficou aquém do esperado.

Gabriel Guerra (Boca Juniors)

 
19 anos | Avançado

– (avaliação transfermarkt) | Agente: –

O Boca Juniors – vice-campeão da 1ª Edição da Copa Libertadores Sub-20 – não foi além da fase de grupos nesta segunda edição da competição, desilusão que em nada se ficou a dever à qualidade individual de muitos dos elementos dos seus quadros de formação que estiveram presentes no Peru, país anfitrião, pelo segundo ano consecutivo, da versão Sub-20 da Copa Libertadores. Um desses exemplos foi Gabriel Guerra, projecto da geração ’93 a ser desenvolvido na «Casa Amarilla» do Boca Juniors e que nos 252 minutos em que esteve em campo durante o torneio deixou óptimas sensações, facturando por 4 ocasiões, ainda que não seja um «9 de área», que viva exclusivamente do e para o golo. Móvel, sem dar grandes referências aos adversários, procura zonas mais atrasadas para fazer jogo com os seus companheiros, aproveitando depois a sua destreza e velocidade para chegar com qualidade e equilíbrio às zonas de finalização. Capaz no drible e suficientemente ágil para iludir os adversários com simulações corporais, é dono de um bom remate de média distância, preferencialmente com o seu pé direito, e mostra-se capaz de alternar entre toque curto – arrisca, por vezes, o passe médio – acompanhado com movimentação 1×2 e iniciativas individuais em lances 1×1 ofensivos para provocar desequilíbrios e espaços nas defensivas contrárias. Fisicamente disponível, sem ser forte, não é raro vê-lo a trabalhar quando a equipa está em tarefas de recuperação. Tendo na eficácia aérea um dos seus «handicaps», Gabriel Guerra é um produto com o selo de qualidade «xeneize» que merece acompanhamento e atenção na esperança de que a curto-médio prazo consiga materializar num plano superior todas as boas potencialidades que o seu futebol evidencia.

Ramsés Bustos (Unión Española)

 
20 anos | 1.71 | Extremo Esquerdo / Extremo Direito / Avançado

75.000 € (avaliação transfermarkt) | Agente: –

Na boa campanha da Unión Española até ao 4º lugar em que terminou a competição, destaque para um dos jogadores que mais contribuiu para o dinamismo e versatilidade ofensiva apresentados pela formação chilena nesta Copa Libertadores Sub-20: Ramsés Bustos. Autor de 4 golos ao longo do torneio, deixou, nos 540 minutos em que esteve em campo, pormenores técnicos relevantes e que merecem atenção. Actuando predominantemente sobre a esquerda do ataque, Bustos destaca-se por ser muito rápido e por imprimir acelerações no seu jogo, alternando movimentações em profundidade exterior, procurando a linha de fundo para o cruzamento, com movimentações em profundidade interior, utilizando diagonais para aparecer em zonas de finalização. Imprevisível e virtuoso no drible, o que o torna eficaz em lances 1×1 ofensivos, é dotado de um bom remate de curta-média distância com o seu calibrado pé esquerdo, revelando-se, de forma consistente, um verdadeiro quebra-cabeças para as defensivas contrárias. Sem apresentar uma compleição física impressionante – 1.71 -, utiliza a sua capacidade de antecipação para evitar o confronto mais directo, escapando às marcações e provocando desequilíbrios com relativa facilidade. Não tendo dimensão no jogo aéreo, Ramsés Bustos é ainda uma opção viável na execução de bolas paradas: cantos, livres laterais, livres frontais e grandes penalidades. Já estreado como profissional na Unión Española e internacional sub-20 chileno, fica a sensação que o seu talento e todas as suas qualidades técnicas, podiam, já nesta altura, apresentar outros índices de eficácia/rendimento num plano superior, facto que ainda não se verificou.

Franco Fragapane (Boca Juniors)

 
19 anos | 1.69 | Extremo Direito / Extremo Esquerdo / Avançado

– (avaliação transfermarkt) | Agente: –

Chegado ao Boca Juniors com apenas 11 anos, Franco Fragapane, «El Sagual», é actualmente uma das coqueluches saídas da «Casa Amarilla». Há quem defina o seu estilo como uma mistura entre Rodrigo Palácio e César Delgado, mas «Franquito» vem demonstrando ao longo do seu percurso que o seu futebol possui personalidade própria e esteve presente, com apenas 18 anos, nos Pan-Americanos 2011 ao serviço da Selecção Argentina, contribuindo para a medalha de prata conquistada. Actuando na frente de ataque, revela versatilidade, já que tanto pode cair sobre uma das faixas, como aparecer com facilidade e qualidade na zona de segundo avançado, procurando finalizações. Irrequieto, mostra grande competência na colocação de mudanças de velocidade/acelerações e é virtuoso no drible, revelando-se um jogador muito difícil de marcar, o que o torna um verdadeiro «espalha-brasas» para as defesas adversárias. Fisicamente frágil, sabe usar o seu baixo centro de gravidade para ganhar os lances em antecipação e evitar o confronto mais directo/físico com os oponentes. Sem grandes argumentos aéreos frente a adversários mais robustos, manifestou igualmente, ao longo dos 175 minutos em que esteve em campo, alguma dificuldade na colocação do remate de média distância em progressão – sem grande preparação -, o que fez com que perdesse o «timing» correcto em determinadas situações de ataque à baliza, ferindo a eficácia do seu jogo em alguns momentos de finalização. No entanto, é um avançado competente neste capítulo, como comprova o seu percurso nas diferentes categorias pelas quais passou. Privilegia o toque curto, acompanhado de movimentação 1×2 ou através de situações 1×1 ofensivas, patenteando um bom nível de eficácia. Franco Fragapane aguarda apenas a sua vez para que, de uma forma mais constante e regular, consiga materializar no plano profissional – já se estreou com a camisola principal «boquense» na Copa Argentina – as muitas potencialidades técnicas que o seu futebol evidencia aos 19 anos.

Luis Vila (River Plate)

 
20 anos | 1.78 | Avançado / Avançado Centro

– (avaliação transfermarkt) | Agente: –

Na primeira impressão fica uma clara sensação de «déjà vu». Na segunda, a certeza: não é, mas podia ser. Luis «Speedy» Vila, também conhecido como «El Falcao argentino», jogador pertencente aos quadros de formação do River Plate, tem nas incríveis parecenças físicas com o astro colombiano, Radamel Falcao, um dos seus cartões de visita. Ao longo do torneio, demonstrou que as mesmas se podem estender a outras dimensões, assim sejam devidamente exploradas e orientadas. Jogando longe das zonas de finalização durante muitos momentos, revelou-se extremamente útil no jogo de costas para a baliza, mostrando-se capaz de atrair marcações e de oferecer dinamismo ofensivo, através de toques/passes curtos, à sua equipa, o que facilitou as entradas dos seus companheiros em zona de finalização. Não sendo um velocista ou repentista, apresenta velocidade de execução e inteligência nas movimentações sem bola, o que lhe permite aparecer, com relativa facilidade, na cara do golo, onde depois, com qualidade e instinto, tenta facturar: precisa, contudo, de melhorar os seus índices de concentração, já que ainda falha algumas situações de finalização claras e que num nível superior terão outro impacto. Embora consiga nas suas acções individuais em posse ultrapassar um defesa oponente, não se trata de um driblador, mas revela consciência e eficácia no aproveitamento de espaços, explorando a sua boa capacidade de antecipação. Incómodo para qualquer adversário, ainda que, em certos momentos, possa ser menos ingénuo, deverá evitar algumas perdas de bola desnecessárias por decisões tomadas que se mostram pouco eficazes. Fisicamente disponível e resistente, sem ser forte no corpo a corpo, revela argumentos no jogo aéreo, como também possui um bom remate com o seu pé direito e sabe utilizar o esquerdo em recurso – em execuções mais simples. Será que nem tudo o que parece, conseguirá ser? Com apenas 20 anos, «Speedy» Vila tem a resposta.

Juan Cazares (River Plate)

 
20 anos | 1.69 | Extremo Esquerdo / Extremo Direito / Médio Ofensivo

– (avaliação transfermarkt) | Agente: –

Considerado o «MVP» desta 2ª Edição da Copa Libertadores, «Juanito» Cazares, jogador equatoriano dos quadros de formação do River Plate, confirmou os seus créditos ao evidenciar um potencial técnico tremendo de forma consistente, contribuindo de sobremaneira para o percurso imaculado dos «Milionários» até à conquista do ceptro de campeão. Unidade versátil de características ofensivas, actua, preferencialmente, sobre a esquerda do ataque, mas executa predominantemente movimentações diagonais de fora para dentro, em busca de zonas de finalização e de espaços interiores, como «enganche», embora também consiga procurar com facilidade a linha de fundo, garantindo largura no último terço. Muito virtuoso no drible, parâmetro em que, por vezes, ainda se excede, deve preocupar-se mais com a eficácia e menos com o adorno para criar desequilíbrios e conseguir penetrações, disfarçando-se de 2º avançado e atacando a baliza adversária com o bom remate de curta-média distância através do seu pé direito. Fisicamente frágil, não reage bem ao primeiro contacto com o adversário, sendo relativamente fácil para um oponente competente na utilização corporal desenquadrar Cazares das suas iniciativas individuais, aspecto combatido pelo jogador equatoriano com a sua boa capacidade de antecipação e poder de aceleração, o que lhe permite evitar o confronto mais directo e físico. Quase incapaz de se impor em duelos aéreos contra adversários fisicamente mais robustos ou bem constituídos, «Juanito» é ainda um bom executante de bolas paradas: livres frontais, livres laterais e pontapés de canto. Um verdadeiro prodígio técnico equatoriano a desenvolver o seu futebol no «País das Pampas» e em busca de uma oportunidade para consolidar definitivamente e com regularidade os seus processos de jogo no plano profissional.

Augusto Solari (River Plate)

 
20 anos | 1.80 | Médio Interior Esquerdo / Médio Interior Direito / Médio Ofensivo

– (avaliação transfermarkt) | Agente: –

Neto de Jorge Solari, antigo jogador do River Plate e internacional argentino presente no Mundial de 1966, e primo de Santiago Solari, antigo jogador «milionário» com passagens por Real Madrid e Inter de Milão, Augusto Jorge Mateo Solari é o último descendente «índio» à procura de um lugar ao sol no mundo do futebol. Autor do golo da final com que o River Plate bateu o Defensor Sporting (1-0) e de um dos tentos mais bonitos da competição frente ao Atlético Madrid, Augusto Solari, o «Indiecito», foi um dos jogadores em maior destaque ao longo desta Copa Libertadores Sub-20 2012. Depois de ter feito a sua formação como médio interior esquerdo, passou pela posição de «enganche» e parece ter estabilizado o seu futebol como médio interior direito, posição que assumiu durante o torneio com consistência e eficácia. Longe de ser um jogador explosivo, revela velocidade de execução – embora nem sempre de raciocínio -, com qualidade na condução e na progressão, e consegue criar desequilíbrios em lances 1×1 ofensivos, jogando com base em passes curtos e médios – com visão e razoável eficácia -, o que lhe permite proporcionar dinamismo ao flanco. Capaz de garantir profundidade interior e de aparecer com relativa facilidade nas imediações das zonas de finalização, procura utilizar o seu bom remate de curta e média distância para atacar a baliza com o pé direito, calibrado, na maioria das vezes, no binómio potência/precisão, ou a sua capacidade de último passe/cruzamento para assistir os seus companheiros. Suficientemente solidário quando a equipa não está em posse, procura a antecipação e o «pressing» sobre a posse adversária, embora ainda precise de trabalhar melhor a agressividade e a concentração. Fisicamente bem constituído, mesmo não sendo forte no corpo a corpo, consegue gerir razoavelmente o momento de contacto, mas poderá tornar-se mais acutilante em determinado tipo de abordagens/acções, evitando algumas perdas de posse desnecessárias. É, igualmente, um bom executante de bolas paradas: cantos, livres laterais e livres frontais. Descendente do legado índio, o «Indiecito» Solari é um projecto milionário a seguir bem de perto durante os próximos tempos.

Edilson dos Santos (Corinthians)

 
19 anos | 1.87 | Médio Interior Esquerdo / Médio Centro / Médio Ofensivo

– (avaliação transfermarkt) | Agente: –

O Corinthians, 3º classificado nesta Copa Libertadores Sub-20 2012, apresentou-se ao longo do torneio num plano consistente e satisfatório, alcançando, por essa razão, o último lugar do pódio, resultado que, mesmo não sendo o ideal, em nada defraudou as expectativas. Por entre o elenco com que a turma «corintiana» marcou presença no Peru, referência para Edilson Tavares dos Santos, «meia-armador», de 19 anos, pertencente aos quadros de formação do «Timão», que exibiu, ao longo da competição, pormenores técnicos relevantes, que tiveram o seu expoente máximo no golo – e que golo! – que apontou no jogo de atribuição do 3º e 4º lugares entre Corinthians e Unión Española, vencido pela equipa brasileira (2-1). Fisicamente distinto das características-tipo de um «10 brasileiro» – resistente e com boa estampa física (1.87) -, Edilson pode actuar também como médio ofensivo pela esquerda, tendo ainda perfil para actuar em zonas mais centrais e fazer o papel de «volante», até porque possui argumentos na saída e chegada às imediações da área adversária, seja para servir os avançados ou para atacar a baliza através do seu forte remate de média distância, que deverá trabalhar a nível da precisão e do «timing». Canhoto, demonstrou qualidade na condução e progressão em posse, e denota-se-lhe, mesmo estando longe de ser um «sprinter», rapidez na execução e nas movimentações, o que lhe permite ultrapassar os oponentes ao utilizar a «ginga» brasileira, aspecto bem presente no seu jogo. Capaz de promover desequilíbrios, oferece dinâmica nas transições ofensivas, ainda que peque no momento da decisão, ao evidenciar algumas carências de eficácia no critério: arrisca, de forma excessiva, o remate de média-longa distância, quando tem disponíveis opções capazes de criarem outro tipo de problemas. Suficientemente consistente a nível do passe curto e médio, conciliando visão e precisão, e presente nas disputas aéreas, pode refinar o seu balanceamento de intensidade, agressividade e concentração ao longo dos 90 minutos. Edilson, que já passou por Fluminense, Flamengo e Santo André durante o seu trajecto na formação, apresentou argumentos técnicos que poderão ganhar, se devidamente orientados e estabilizados, outro tipo de projecção e dimensão no plano profissional.

Martín Varini (Defensor Sporting)

 
20 anos | 1.86 | Defesa Central

– (avaliação transfermarkt) | Agente: –

A maior surpresa desta Copa Libertadores Sub-20 2012 veio do Uruguai com o Defensor Sporting a conquistar o lugar de vice-campeão. «La Violeta» chegou à final com mérito, apesar da autêntica lotaria em que a decisão dos finalistas se tornou a partir dos quartos-de-final – as quatro eliminatórias foram decididas após marcação de grandes penalidades – com nova dose para o Defensor Sporting nas meias-finais, onde acabou por levar de vencida a Unión Española após o desempate desde a marca dos onze metros. Para o sucesso da «Farola» na competição contribuiu de sobremaneira a solidez defensiva que a turma charrua apresentou – 3 golos sofridos em 6 jogos – com epicentro em Martín Varini, defesa central ítalo-uruguaio, de 20 anos, pertencente, desde 2004, aos quadros de formação do Defensor Sporting, onde assume o papel de capitão e líder da equipa, bem visível na forma como orientou as suas tropas até à final. Fisicamente resistente, mesmo sem ser impressionante – 1.86/79 -, Varini demonstrou compromisso com o jogo, desarmando em «tackle» pela relva ou na vertical, antecipando ou assumindo a saída para ataque organizado. Capaz de progredir em posse e de efectuar passes de média-longa distância com uma interessante consistência, determinado e com alma, desempenhou as suas funções de comandante dentro de campo e ofereceu à sua equipa equilíbrio emocional durante a prova. Com bons argumentos aéreos, mesmo sem ser poderoso, rápido e com velocidade de ponta, reage com relativa competência a adversários dotados de aceleração e velozes mudanças de direcção em lances 1×1 defensivos. Pese embora todas as suas virtudes e sentido posicional demonstrado em muitos momentos, deve gerir melhor o seu tempo de abordagem ao lances: por vezes, abandona de forma demasiado fácil a sua posição para ir buscar avançados descaídos ou a actuarem mais longe da sua zona, sem antes garantir que existem companheiros nas imediações para uma possível compensação, juntamente com os seus tempos de entrada no corte, evitando situações mais arriscadas que, em caso de falha, podem expor o equilíbrio do último reduto da sua equipa em demasia. Internacional jovem uruguaio, Martín Varini deixou nesta competição boas referências que agora deverão ser devidamente orientadas e exploradas na perspectiva de que consiga materializar no nível profissional o bom potencial que evidenciou.

Rodrigo Gattás (Unión Española)

 
20 anos | 1.73 | Avançado

75.000 € (avaliação transfermarkt) | Agente: Pass Ball

Rodrigo Gattás, «El Felino», jogador dos quadros de formação da Unión Española, foi o melhor marcador desta Copa Libertadores Sub-20 2012, ao apontar 6 golos em 528 minutos de utilização. Estreou-se profissionalmente, com apenas 17 anos, ao serviço dos «Rojos de Santa Laura» e, desde então, procura conquistar paulatinamente um lugar de destaque por entre o elenco profissional da Unión Española, contrariando de certa forma a precocidade com que é feita a integração de jovens valores chilenos no plano profissional, resultando depois numa volatilidade extrema quando se trata de proceder à materialização dos seus potenciais num possível processo de transição para mercados exteriores. Sem oferecer grandes referências aos defesas adversários, «El Felino» Gattás sabe vir a zonas mais recuadas e jogar de costas para a baliza com os seus companheiros, como também revela perspicácia a abrir mais numa faixa, para depois, em diagonal ou movimentação interior, procurar zonas de finalização. Destaca-se pela facilidade e espontaneidade de remate – preferência pelo pé esquerdo, mas sabe utilizar o direito -, revelando instinto e astúcia na execução, o que o torna num jogador muito perigoso e que exige trabalhos forçados para uma anulação eficaz no último terço. Durante a competição, demonstrou bons recursos no jogo aéreo, mesmo estando longe de ser um portento físico – 1.73 / 75 -, tirando partido da sua perspicácia na abordagem aos lances, como também de um bom balanceamento entre precisão e potência de cabeceamento: 2 dos 6 golos no torneio foram alcançados dessa forma. Sem ser um jogador criativo e virtuoso no drible, consegue ser eficaz em situações de 1×1 ofensivo e provoca desequilíbrios com a sua velocidade. Actualmente, «Gattagol» é um projecto chileno à procura do tempo correcto para conseguir materializar de forma consistente e regular no plano profissional todas as potencialidades que o seu futebol vem revelando em fase prematura de carreira.

 
foto de abertura © generaccion.com


Joachim Rodrigues