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A ferver
 

Israel à lupa. Mundial é miragem bem distante.

 
 
Futegrafia
 

História: Autêntica saltimbanca do futebol internacional, a Seleção de Israel viveu, à semelhança dos seus clubes, o seu período áureo enquanto esteve enquadrada na Confederação Asiática de Futebol. Venceu, em 1964, a Taça da Ásia, o troféu mais relevante do seu palmarés, e garantiu, em 1970, a única participação em fases finais de Campeonatos do Mundo: dois empates, um deles contra a futura vice-campeã Itália, e uma derrota não foram suficientes para escapar ao último lugar do grupo. Expulsa, a meio da década de 70, da Confederação Asiática, a Federação Israelita de Futebol (IFA) passou pela Europa e pela Oceânia antes de se fixar, já na década de 90, como membro efetivo da UEFA. A chegada ao Play-off de acesso de apuramento para o Euro 2000 – eliminada pela Dinamarca – foi, até ao momento, o momento mais alto desta era, apesar do excelente registo na fase de qualificação para o Mundial 2006. Contudo, 4 vitórias e 6 empates em 10 jogos não valeram mais do que um 3º lugar.
 
Enquadramento: Falhado o apuramento para o Europeu 2012, sob o comando do francês Luis Fernández, Eli Guttman, que conduzira o Hapoel Tel Aviv à dobradinha em 2009/10, foi apontado, em dezembro de 2011, como novo timoneiro. Até ao momento, apresenta o registo menos brilhante de um selecionador desde 1992: 3 vitórias, 1 empate e 6 derrotas em 10 jogos. Contudo, a robusta dupla vitória sobre o Luxemburgo (9-0 na soma dos dois jogos) criou uma onda de euforia e colocou os «Azuis e Brancos», ao fim de 4 jogos, no 2º lugar do grupo F de acesso ao Mundial 2014 com os mesmos pontos da Seleção portuguesa (3ª). Para trás, ficaram um empate pouco convincente no Azerbaijão (1-1) e uma derrota copiosa (0-4) na receção à Rússia.
 
Seleccionador: Eli Guttman. Técnico de 55 anos, conta já com praticamente 28 de carreira. Começou por baixo, até chegar, na segunda metade da década de 90, aos grandes clubes israelitas. Vencedor de uma Liga (1998/99) e de uma Taça (1997) pelo Hapoel Haifa, conviveu posteriormente com uma década de insucessos, o que o conduziu a uma viagem fracassada pelo futebol cipriota. Em 2007, assumiu o comando do Hapoel Tel Aviv, que vivia um período conturbado. Fez renascer os «Diabos Vermelhos», guiando-os à «dobradinha» em 2010. Em 2010/11, para além da participação na fase de grupos da Liga dos Campeões, onde se cruzou com o Benfica, conquistou a 3ª Taça da sua carreira. Fechava-se um ciclo. Em dezembro de 2011, foi apresentado como novo selecionador de Israel e pediu para o deixarem sonhar com a qualificação para o Mundial 2014.
 
Plano A: Do ponto de vista tático, Guttman parte, habitualmente, de um 4x5x1, procurando desdobramentos em 4x3x3, 4x2x3x1, 4x2x2x2 ou 4x2x1x3. A equipa peca, em vários momentos, por centralizar demasiado o jogo, até porque os alas, em momento ofensivo, aparecem, quase sempre, em zonas centrais. São, por norma, os laterais quem oferece largura ao jogo ofensivo da equipa, mas nem sempre arriscam desmarcações ou são solicitados. Natcho, médio centro, é quem assume um papel nuclear na construção, tanto em ataque organizado como nas transições ofensivas. Jogador de qualidade acima da média, concilia visão de jogo com bons argumentos no passe curto, médio e longo. É do seu pé direito que saem, quase sempre, as solicitações de rutura para os avançados e as aberturas para as subidas dos laterais, como também é um especialista em lances de bola parada: laterais ou frontais. Aliás, são necessárias cautelas nos livres laterais e pontapés de canto, já que Hemed e Ben Basat são óptimos cabeceadores, juntando-se ainda os centrais e/ou Radi. A nível defensivo, a equipa apresenta debilidades que devem ser exploradas: apesar de apresentar uma organização muito razoável, a linha defensiva procura, várias vezes, o fora-de-jogo, e, no 1x1, tanto defesas como médios apresentam debilidades, que aumentam quanto maior for a intensidade e velocidade apresentada pelo adversário. A exploração do jogo exterior, com o envolvimento dos laterais, e a busca dos movimentos em diagonal dos alas/extremos, principalmente com bola, poderão revelar-se determinantes, como também o apoio central dado pelos médios interiores, que devem estar preparados para tirar partido das segundas bolas. Uma pressão média-alta ou alta dificulta muito as saídas e permite contra-transições. Em busca de um resultado, a Seleção israelita expõe-se mais e revela dificuldades em reposicionar-se, o que permite ao adversário explorar as transições defesa-ataque. Nas bolas paradas defensivas, os israelitas revelam consistência, mas a opção, em algumas circunstâncias, por referências individuais, poderá ser explorada com movimentos de antecipação.
 
Plano B: No último jogo particular, diante da Finlândia (vitória 2-1), que serviu para preparar a partida diante de Portugal, Guttman surpreendeu com um 5x4x1, desdobrável timidamente em 3x4x3, com alterações também no modelo de jogo: bloco médio/baixo ou baixo e aposta, em termos ofensivos, nas transições rápidas, explorando a conexão Natcho-Ben Basat. A penetração no último terço do terreno torna-se mais complicada, o que obriga a um jogo de maior paciência, mas a excessiva centralização da equipa e a aproximação das linhas, permite a exploração do jogo exterior, dos movimentos em diagonal e dos remates de fora da área.
 
As Figuras: Bebars Natcho (médio centro); Eden Ben Basat (extremo esquerdo/avançado); Tomer Hemed (avançado).
 
Revelações: Eitan Tibi (defesa central).
 
Expectativas: A Seleção israelita é uma séria candidata à qualificação? Não. Até porque lhe faltam as deslocações à Rússia, a Portugal e à Irlanda do Norte. Só que, fruto das circunstâncias, a receção à Seleção nacional ganhou contornos inesperados e um triunfo poderá transformar a miragem em sonho. O triunfo por 4-1 na qualificação para o Mundial 1982, único confronto entre as duas Seleções disputado em Israel, tem sido recordado pela imprensa local e servido como mais um fator motivacional para o encontro de sexta-feira. A seleção portuguesa é mais forte do que a israelita? Claramente. Mas para triunfar em Israel e quebrar a série de 4 jogos consecutivos sem vitórias terá que subir a bitola exibicional e apresentar uma intensidade competitiva próxima da demonstrada no Euro 2012.
 
 
Guarda-Redes
6.0


 
Defesa
5.5


 
Medio-Campo
6.5


 
Ataque
6.5


 
Sistema Táctico
6.0


 
Organização Defensiva
5.5


 
Transições Defensivas
5.0


 
Organização Ofensiva
5.5


 
Transições Ofensivas
6.5


 
Bolas Paradas Defensivas
6.0


 
Bolas Paradas Ofensivas
6.5


 
Total Score
6.0


 

Pontos Fortes


- Natcho assume um papel nuclear na construção, tanto em ataque organizado como nas transições ofensivas. É do seu pé direito que saem as solicitações de rutura para os avançados e as aberturas para as subidas dos laterais, como também é um especialista em lances de bola parada.
- Aposta, em termos ofensivos, nas transições rápidas, explorando a conexão Natcho-Ben Basat. Ben Basat sabe aproveitar as suas diagonais, principalmente sem bola, em direção à área adversária, mostrando grande capacidade para aproveitar os passes de rutura de Natcho em transições defesa-ataque ao explorar a sua velocidade.
- Forte, agressivo e muito disponível do ponto de vista físico, Hemed sabe arrastar os centrais e criar espaços de penetração para os seus colegas de equipa, como também revela predicados em zona de finalização.
- Equipa com capacidade para criar perigo nos livres laterais e pontapés de canto, já que Hemed e Ben Basat são óptimos cabeceadores, juntando-se ainda os centrais e/ou Radi.

Pontos Fracos


- A linha defensiva procura, várias vezes, o fora-de-jogo, e, no 1x1, tanto defesas como médios apresentam debilidades, que aumentam quanto maior for a intensidade e velocidade apresentada pelo adversário.
- A exploração do jogo exterior, com o envolvimento dos laterais, e a busca dos movimentos em diagonal dos alas/extremos, principalmente com bola, poderão revelar-se determinantes, como também o apoio central dado pelos médios interiores, que devem estar preparados para tirar partido das segundas bolas.
- Uma pressão média-alta ou alta dificulta muito as saídas e permite contra-transições, já que os defesas sentem dificuldades quando pressionados e tendem a jogar directo. É notória a excessiva dependência de Natcho em ações de construção.
- Em busca de um resultado, a Seleção israelita expõe-se mais e revela dificuldades em reposicionar-se, o que permite ao adversário explorar as transições defesa-ataque.
- Centralização excessiva do jogo, até porque os alas, em momento ofensivo, aparecem, quase sempre, em zonas centrais.
- Nas bolas paradas defensivas, os israelitas revelam consistência, mas a opção, em algumas circunstâncias, por referências individuais, poderá ser explorada com movimentos de antecipação.


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Posted 21/03/2013 by Rui Malheiro

 
Quadro Táctico
 
 

Parte do artigo publicado no jornal «O Jogo», na edição de 21 de março de 2013.

 

Queda no Azerbaijão e lição ítalo-russa.

A Rússia, orientada pelo italiano Fabio Capello, deu uma autêntica lição de futebol em Israel. Em 4x3x3, assumiu, durante os primeiros 20 minutos, o jogo, aplicando velocidade e intensidade em ataque organizado, como também uma pressão média-alta/alta que asfixiou os israelitas no seu meio-campo defensivo, obrigando-os a errar passes de forma permanente. As hipóteses de ser surpreendida numa transição foram travadas com pequenas faltas no meio-campo adversário. A partir dos 20 minutos, a ganhar por 2-0, Capello baixou imenso as linhas, instalando-se no meio-campo defensivo, dando a iniciativa de jogo a Israel. Na segunda parte, em duas transições defesa-ataque, chegou ao 0-4.

 

Duplo passeio contra o Luxemburgo.

Os golos madrugadores na deslocação (6-0) e receção ao Luxemburgo (3-0) abriram caminho para dois resultados robustos. A seleção israelita gosta de assumir um jogo de posse e circulação, mas sente-se muito presa à qualidade de passe e leitura de jogo de Natcho, fundamental a procurar o jogo exterior – são os laterais que oferecem largura e procuram o jogo aéreo de Hemed, muito forte a atacar o 1º poste – e a inventar passes de rutura em busca da desmarcação dos médios ofensivos/avançados sempre muito centralizados: excelente conexão com Ben Basat, fortíssimo a explorar as diagonais da esquerda para o meio. O mesmo acontece nas transições ofensivas, o ponto mais forte desta Seleção, onde a ligação Natcho-Ben Basat é, mais uma vez, determinante.

 

Plano B a pensar no jogo contra Portugal.

Impulsionada pelo duplo triunfo sobre o Luxemburgo e o 2º lugar no grupo, Israel recebeu a Bielorrússia e perdeu (1-2). Foi uma espécie de regresso à terra com dois golos sofridos na sequência de remates de fora da área, onde foi notória a tendência dos médios para se aproximarem, em momento defensivo, dos centrais, abrindo espaço para segundas bolas. Em fevereiro, na receção à Finlândia, testou um 5x4x1, timidamente desdobrável em 3x4x3, muito provavelmente a pensar no jogo diante de Portugal. A vitória (2-1) pode ter sido o estímulo decisivo para aplicar o novo sistema e modelo em jogos oficiais. Pressão média-baixa ou baixa, com a equipa muito pouco estendida em comprimento, em duas – 5-5-0 – ou três linhas – 5-4-1 -, com os 11 jogadores atrás da linha da bola, o que dificulta bastante a circulação de bola do adversário e a penetração no último terço do terreno, ainda que se notem debilidades no 1×1, principalmente se o adversário explorar as diagonais ou o espaço à entrada da área. Do ponto de vista ofensivo, clara aposta nas transições defesa-ataque. Mais uma vez, Natcho foi o jogador-chave no lançamento das desmarcações de Ben Basat, Hemed, Melikson, Atar, Rafaelov e Damari.

 

Onze-Base

 

Dudu Aouate, veterano guarda-redes do Maiorca, é o habitual titular. A cumprir a 10ª temporada na Liga espanhola, destaca-se pelos reflexos, agilidade, elasticidade e agressividade na abordagem a lances de 1×1, mas peca por alguma inconsistência, tanto no posicionamento como no excesso de confiança com que aborda alguns lances. Ariel Harush, 24 anos, titular no último particular diante da Finlândia, é o seu suplente e deverá assumir, em breve, a sucessão. Dani Amos, 26 anos, ainda não fez a sua estreia pela Seleção A. É a 3ª opção para o lugar.

Yuval Shpungin, jogador dos cipriotas do Omonia, é o habitual titular na lateral direita. Rápido e perspicaz a desmarcar-se pelo corredor, denota mais dificuldades do ponto de vista defensivo, sobretudo na defesa de espaços interiores. Face à ausência, algo surpreendente, de Elad Gabai, titular no particular diante da Finlândia, Eyal Meshumar, lateral do Maccabi Haifa, que não joga pela Seleção desde 2009, e o estreante Shiran Yeini, jogador versátil do Maccabi Tel Aviv, também capaz de atuar na lateral esquerda ou no meio-campo defensivo, são as alternativas. Aliás, Yeini é mesmo apontado, pela imprensa israelita, como uma possibilidade para o «onze», alternando o papel de médio defensivo com o de terceiro central.

– Dois ou três centrais: eis uma das dúvidas para o jogo de sexta-feira. Se a opção recair por uma dupla, Keinan e Tibi levam alguma vantagem, fruto do pouco ritmo competitivo de Ben Haim, sem espaço no QPR. Se a opção recair por três centrais, tal como aconteceu no particular diante da Finlândia, Ben Haim-Keinan-Tibi serão, à partida, as opções, ainda que a imprensa israelita lance a possibilidade de utilização de Yeini. Do tridente defensivo, Eitan Tibi, protagonista de uma excelente época no Maccabi Tel Aviv, é o mais rápido e com mais capacidade de saída, características que adiciona a poder físico, capacidade de desarme e bom jogo aéreo. Dekel Keinan, de regresso a Israel após uma experiência insípida pelo futebol inglês, compensa alguma falta de velocidade, com sentido posicional, força física, agressividade e argumentos no jogo aéreo. Assume, igualmente, um papel importante nos passes longos em direcção ao ataque. Já Tal Ben Haim, a cumprir a sua 9ª temporada no futebol inglês, destaca-se pela capacidade de liderança e agressividade, mas denota-se-lhe a falta de ritmo competitivo e lentidão nas deslocações. À semelhança de Keinan e Tibi, procura, muitas vezes, o futebol directo. Com Din Mori, central do Vitesse, ausente da convocatória, a sua vaga foi ocupada por Rami Gershon, 24 anos, jogador emprestado pelo Standard de Liège ao Celtic, capaz de actuar como central ou lateral esquerdo.

– À esquerda, a surpreendente ausência de Yoav Ziv, lateral muito ofensivo e desequilibrador, abre as portas da titularidade a Gal Shish, pertencente aos quadros dos belgas do Beveren. É, também, um lateral rápido e capaz de oferecer largura ao jogo ofensivo da equipa, mas nem sempre se revela consistente na tomada de decisões. Do ponto de vista defensivo, apesar de alguns bons apontamentos no desarme e na antecipação, comete erros no posicionamento e, em situações de 1×1, revela-se faltoso. Para além de Rami Gershon, jogador de características marcadamente defensivas, Avi Rikan, a atravessar um excelente momento no Beitar Jerusalem, é outra opção para o lugar. Médio ala ou médio ofensivo de origem, com boa capacidade no remate, nos cruzamentos e nos passes de rutura, foi testado a lateral, em 5x4x1 desdobrável em 3x4x3, no último particular. Poderá também ser opção para o meio-campo ofensivo.

– Se jogarem 3 centrais, Israel apresentará dois médios centro. Se atuarem 2 centrais, como tem vindo a acontecer durante a fase de qualificação, serão 3 os jogadores a ocupar o espaço central do meio-campo.

– Indiscutível, em qualquer dos formatos, é a titularidade de Bebars Natcho, médio nuclear dos russos do Rubin Kazan e o jogador chave da Seleção israelita. Capaz de auxiliar do ponto de vista defensivo, o seu jogo ganha outra dimensão com a bola nos pés. Fortíssimo a organizar e conduzir o jogo, revela excelentes predicados na leitura e no passe curto, médio ou longo, proporcionado inúmeras assistências para situações de finalização, tanto em ataque organizado como em transições defesa-ataque. Especialista na execução de lances de bola parada, laterais ou frontais, possui um bom remate de pé direito, que utiliza, quase sempre, de fora da área.

Gal Albelman, médio de características mais defensivas, ótimo recuperador e com bom sentido posicional, e Mahari Radi, médio de características mais ofensivas, capaz de conjugar qualidade na condução de jogo com bons argumentos no passe, nos cruzamentos e no remate – em bola corrida ou parada -, são, por norma, os seus complementos. Se jogar apenas um, como aconteceu diante da Finlândia, a opção deverá recair por Radi, até porque, apesar das suas características ofensivas, trabalha bastante para o coletivo, ainda que a imprensa israelita lance a probabilidade da escolha recair por Beram Kayal.

Beram Kayal, médio centro do Celtic, agressivo e forte em ações de recuperação, mas também com argumentos nas saídas para ataque, enquanto que o jovem versátil Eyal Golasa com características mais ofensivas e tecnicamente evoluído, também capaz de atuar a partir de uma das alas, são outras alternativas para a zona central do terreno.

Maor Melikson, contratado, em janeiro, pelo Valenciennes ao Wisla Cracóvia, à direita, e Eden Ben Basat, contratado, em janeiro, pelo Toulouse ao Brest, à esquerda, têm sido as opções mais regulares. Também capaz de pisar espaços interiores, Melikson é um jogador destro evoluído tecnicamente, dotado de boa capacidade de condução e de desmarcação, capaz de criar desequilíbrios no um para um, como também com bons argumentos no passe, cruzamento – em bola corrida ou parada – e remate. O regresso às convocatórias de Eran Zahavi, de volta ao futebol israelita após passagem sombria pelo Palermo, e, sobretudo, de Yosi Benayoun, grande referência do futebol israelita, afastado das convocatórias desde a derrota com a Rússia (0-4) e pouco utilizado no Chelsea, colocam a sua titularidade em causa.

– À esquerda, parece pouco provável que Ben Basat perca a titularidade. Decisivo, até aqui, na campanha de Israel na fase de qualificação para o Mundial 2014, tem sabido aproveitar as suas diagonais, principalmente sem bola, em direção à área adversária, mostrando grande capacidade para aproveitar os passes de rutura de Natcho em transições defesa-ataque ao explorar a sua velocidade e incisividade. Sabe tirar partido, em zona de finalização, de ser um avançado de origem, mostrando grande facilidade no remate – pé direito – e no jogo aéreo, o que o torna muito perigoso a dar sequência a livres laterais e pontapés de canto. Lior Refaelov, decisivo e desequilibrador nos belgas do Club Brugge, perdeu espaço com a afirmação de Ben Basat, ainda que possa ser utilizado ao centro ou à direita. O mesmo é válido para Eliran Atar, melhor marcador e principal figura da Premier League israelita, com 22 golos em 26 jogos, habitualmente utilizado a partir de uns flancos, mas também capaz de atuar como «9». Forte a explorar diagonais a partir de uns flancos, trata-se de um jogador tecnicamente evoluído e muito agressivo, que se destaca pela velocidade, perspicácia na desmarcação e facilidade na finalização com os dois pés.

Tomer Hemed, avançado do Maiorca, autor de 8 golos na Liga espanhola, aos quais junta 5 em 4 jogos na fase de qualificação para o Mundial 2014, todos apontados diante do Luxemburgo, deverá manter a titularidade. Forte, agressivo e muito disponível do ponto de vista físico, sabe arrastar os centrais e criar espaços de penetração para os seus colegas de equipa, como também revela predicados em zona de finalização, conciliando sentido de oportunidade com capacidade de antecipação – ataca bem o 1º poste -, para além de definir com qualidade com ambos os pés ou através do jogo aéreo. Apesar da presença de Atar, Itay Shechter, de regresso às convocatórias da Seleção, já que foi afastado após a derrota com a Rússia (0-4), deverá ser a principal alternativa, ultrapassando Omer Damari, autor de 54 golos nas últimas 4 épocas, que ficou de fora da convocatória. O avançado do Swansea City não atravessa um bom momento, bem visível pela ausência de golos em 2012/13. Menos possante do que Hemed, é mais móvel e evidencia grande perspicácia a desmarcar-se e aparecer em zona de finalização: define com os dois pés e através do jogo aéreo.

 

 

Jornal «O Jogo» – 21-03-2013

O Jogo | «Israel: Mundial é uma miragem bem distante».

O Jogo | «Israel: Mundial é uma miragem bem distante».

 
foto de abertura © foxsportsasia.com


Rui Malheiro

 
analista de futebol, scout e autor. freelancer. escreveu Anuário do Futebol 2008/09 e Anuário do Futebol 2009/10.


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