Posted 05/04/2011 by Rui Malheiro in Colunas
 
 

Spartak Moscovo: o relatório

FC Spartak Moskva (Russia) beat AFC Ajax (Netherlands) 3-0 in the UEFA Europa League Round of 16 second leg and reached the next round. Luzhniki Stadium, Moscow, Russia.
FC Spartak Moskva (Russia) beat AFC Ajax (Netherlands) 3-0 in the UEFA Europa League Round of 16 second leg and reached the next round. Luzhniki Stadium, Moscow, Russia.

classificado na Liga Russa em 2010, o Spartak Moscovo arrancou para a nova temporada com o objectivo de sempre: conquistar o título que lhe escapa desde 2001. Contudo, o arranque da Liga 2011/12 não tem sido promissor, já que o «Clube do Povo» somou uma vitória – magro triunfo caseiro diante do Volga (1-0) – e duas derrotas – nas deslocações aos terrenos de Rostov (0-4) e de Kuban (1-3) – nas primeiras três jornadas da competição. Eliminado da Liga dos Campeões, ao não se conseguir impor a Chelsea e Marselha na fase de grupos, a formação moscovita alcançou três vitórias – duas delas obtidas fora de casa – e um empate na Liga Europa, onde eliminaram o Basileia (4-3 na soma das duas eliminatórias) e o Ajax (4-0 na soma das duas eliminatórias).

Valery Karpin, antiga estrela do futebol russo, é, desde Abril de 2009, o técnico do clube. Defensor de um futebol marcadamente ofensivo, Karpin alterna a utilização de um 4x2x3x1 com um 4x4x2, normalmente desdobrável em 4x1x3x2, onde abdica de um dos médios centro para utilizar um segundo avançado. Aliás, o gosto pelo risco é uma das suas imagens de marca: a ganhar por 1-0, a 35 minutos do fim da partida, em Amesterdão, abdicou de um médio centro (Ibson) e lançou mais um avançado (Welliton), subindo as linhas de pressão e não deixando de procurar o 2º golo. Criticado pelos adeptos e pela imprensa na sequência do mau arranque de Liga, Karpin tem-se deparado com problemas graves de consistência no sector defensivo, agravados pelas ausências do lateral-direito Parshivlyuk e do central argentino Pareja, dois habituais titulares, jogadores que deverão regressar à competição este mês, mas dificilmente a tempo de participarem na 2ª mão da eliminatória diante do FC Porto, bem expressos nos 7 golos sofridos nas primeiras 3 jornadas da Liga. O guarda-redes Dikan, a recuperar de uma forte gripe, e o avançado brasileiro Welliton, melhor marcador da Liga russa em 2009 e 2010, a contas com problemas musculares, estão em dúvida para o jogo da 1ªmão no Dragão, mas tudo aponta para que recuperem a tempo de participarem na partida, à semelhança de Makeev e Marcos Rojo, dois dos ausentes na deslocação ao terreno do Kuban.

 

A Táctica

 

Equipa-base (4x2x3x1)

 
Spartak Moscovo: 4x2x3x1

Como joga em casa (4x2x3x1)

 
Spartak Moscovo: 4x2x3x1 (casa)

Como joga fora (4x2x3x1)

 
Spartak Moscovo: 4x2x3x1 (fora)

 

Chaves

– Apesar de bem organizada, em momento defensivo, do ponto de vista táctico, muitas vezes com 9-10 jogadores de campo atrás da linha da bola num bloco médio/médio-baixo – o que acontece, principalmente, fora de casa -, a equipa demonstra alguma falta de agressividade e pouca dimensão física, dando espaço para o adversário construir a partir do centro e procurar finalizações através de remates de fora da área. Se é certo que nos jogos fora, ao contrário do que acontece nas partidas em casa, os laterais não gozam de tanta liberdade para atacar, a verdade é que as características ofensivas de ambos levam-nos a ter uma postura algo passiva no acompanhamento das movimentações em diagonal dos extremos adversários.

– O encurtamento de espaços, em momento defensivo, entre o sector defensivo e ofensivo leva a defesa, muitas vezes, a subir em bloco e a procurar colocar os avançados adversários em fora-de-jogo, mas denotam-se alguns problemas de coordenação. A disponibilidade física e agressividade dos centrais leva-os, muitas vezes, a acompanhar as deslocações a espaços exteriores do avançado adversário e nem sempre Rafael Carioca – o médio mais defensivo – revela a maturidade táctica suficiente para realizar a acção de compensação ao centro.

– Do «onze» habitualmente titular, apenas quatro jogadores estão acima do 1.80 – dos quatro, só dois têm acima de 1.85 (o guarda-redes Dykan e o centro Rojo). São notórias as dificuldades da equipa do Spartak no futebol aéreo, tanto na sequência de lances de bola corrida, como também em bola parada, o que leva Karpin, nesse tipo de situação, a colocar 8 jogadores na área, defendendo num misto zona-homem a homem.

– Nas transições ataque-defesa denotam-se algumas dificuldades de recuperação do sector intermediário, o que deixa a equipa partida, muitas vezes, em 5-5, e exposta a ataques rápidos do adversário. Nos jogos em casa, fruto da maior propensão ofensiva dos laterais, a situação agudiza-se pelo espaço em aberto nas suas costas.

– O Spartak é uma equipa que se sente muito confortável com bola, realizando uma óptima circulação, muito à base de passes curtos e de tabelas a partir da zona central, tirando partido do bom entendimento entre Alex e Ibson, como também entre estes e Welliton. O checo Suchý assume, muitas vezes, as saídas para ataque, na 1ª e na 2ª fase de construção, mas é Alex, na 3ª fase, que dá uma maior dimensão ao jogo ofensivo da equipa: não só pela sua segurança no passe curto e capacidade para realizar passes de ruptura, explorando as diagonais curtas de Welliton e os movimentos em diagonal de McGeady e Dmitri Kombarov, mas também por ser o jogador que solicita as alas com mais qualidade, variando o centro do jogo, para além de possuir um bom remate de fora da área, muitas vezes a solução encontrada para definir a jogada ofensiva. Nos jogos em casa, fruto do maior envolvimento ofensivo dos laterais, o jogo exterior do Spartak revela-se mais acutilante: à semelhança do que acontece em zonas centrais, os laterais e os alas projectam-se ofensivamente muito à base de tabelas, com Makeev, o lateral esquerdo, a mostrar-se particularmente perigoso a explorar movimentos em diagonal em direcção à área.

– Nas transições defesa-ataque, o Spartak vive muito da capacidade de passe de Alex, principalmente, e de Ibson, quase sempre a partir da 2ª fase de construção. Se Alex opta, na maior parte das ocasiões, por passes médios e longos, muitas vezes a um-dois toques, em direcção às alas ou ao centro do ataque, explorando a velocidade e mobilidade de Mc Geady (direita), Dmitri Kombarov (esquerda) e Welliton (centro), Ibson alterna os passes com saídas rápidas em condução. Quando os alas são solicitados, realizam, quase sempre, movimentos em diagonal em direcção à área: Kombarov procura, por norma, assistir Welliton ou visar a baliza adversária, enquanto que McGeady opta, geralmente, por passes de ruptura para Welliton ou Kombarov, muito astuto a desmarcar-se sem bola e a aparecer em zona de finalização. Já Welliton revela-se muito forte nos últimos 25-30 metros, destacando-se por ser um especialista a desmarcar-se nos limites do fora-de-jogo e a finalizar no um para um com o guarda-redes adversário.

– Alex assume a marcação de quase todos os lances de bola parada. Especialista na execução de livres directos, ao tirar partido do seu forte e colocado remate de pé esquerdo, revela também grande facilidade a colocar a bola na área, tanto na execução de pontapés de canto como de livres laterais. No entanto, a falta de centímetros também acaba por se revelar um óbice do ponto de vista ofensivo no aproveitamento deste tipo de lance, ainda que Rojo e Welliton se revelem perigosos a procurarem acções de antecipação.

 

Análise

– Andriy Dykan é o titular indiscutível e assumiu um papel fulcral na eliminatória diante do Ajax: cerca de dezena e meia de intervenções de elevado grau de dificuldade permitiram que o Spartak não sofresse golos ao longo de 180 minutos. Experiente guardião ucraniano, de 33 anos, foi contratado, a meio da época passada, ao Terek Grozny. Muito forte entre postes e nas saídas pelo chão, consegue aliar excelentes reflexos e grande agilidade a uma boa leitura dos lances e agressividade a atacar a bola, o que lhe permite impor-se no um para um com os avançados adversários, uma das suas especialidades. Se é certo que tende a realizar defesas incompletas, o que lhe garante algumas intervenções verdadeiramente espectaculares, preocupa-se sempre em projectar a bola para espaços exteriores, impedindo uma eventual recarga. Apesar de muito alto, arrisca pouco nas saídas aéreas, o que o leva a optar por intervenções a soco, mostrando facilidade a jogar com os pés – ainda assim, nem sempre é preciso quando procura realizar passes médios. É, igualmente, um especialista na defesa de grandes penalidades. Nikolai Zalobotnyi, presença regular na Selecção Sub-21 russa, é o seu habitual suplente. Contratado, em 2010, ao Zenit, clube onde se formou, compensa a falta de centímetros (1.84) com agilidade e bons reflexos.

– Nas laterais, Kirill Kombarov – à direita – e Yevgeni Makeev – à esquerda – são os habituais titulares. Com Sergei Parshivlyuk, habitual titular da Selecção Sub-21 russa, lesionado, Kirill Kombarov, um médio ala de origem, aproveitou a oportunidade para se fixar na lateral direita. Jogador que sabe tirar partido da sua velocidade e disponibilidade física para projectar-se ofensivamente, tanto em acções com bola como sem bola, possui argumentos interessantes de ordem técnica, o que lhe permite criar desequilíbrios no um para um em espaços curtos, como também mostra predicados no capítulo do passe e dos cruzamentos, ainda que nem sempre se revele constante. Com algumas limitações do ponto de vista defensivo, procura impor-se em acções de antecipação ou em desarmes pelo chão, mas a sua formação como ala faz com que sinta dificuldades em lançamentos para as suas costas, no acompanhamento de acções em diagonal do extremo adversário e na cobertura aérea de espaços interiores. Yevgeni Makeev, habitual titular da Selecção Sub-21 e já internacional AA, é o titular à esquerda, isto apesar de ser destro. Lateral de forte propensão ofensiva, mostra-se capaz de assumir acções de condução e promover desequilíbrios com as subidas, a partir de acções com e sem bola, não só sobre a faixa como também a protagonizar movimentos em diagonal em direcção à área. Veloz e muito disponível do ponto de vista físico, sabe projectar-se ofensivamente através de tabelas, mostrando atributos interessantes no capítulo do passe, ainda que nem sempre se revele constante, e um remate forte de pé direito. Do ponto de vista defensivo, sente dificuldades no um para um com adversários rápidos, sobretudo quando exploram as suas costas, mas procura impor-se em acções de antecipação, tanto na defesa de posições exteriores como interiores, para além de patentear argumentos no desarme pelo chão.

– No centro da defesa, o internacional checo Marek Suchý e o jovem internacional argentino Marcos Rojo, contratado, em Janeiro de 2011, ao Estudiantes La Plata, devem formar a dupla de centrais, aproveitando as ausências do argentino Nicolás Pareja, devido a lesão, e do espanhol Rodri, antigo jogador do Marítimo e ex-Hércules, que não foi inscrito na Liga Europa. Suchý, habitual titular da Selecção AA checa, assume, com 23 anos, o papel de «patrão» do sector defensivo, mostrando eficácia em acções de antecipação e uma boa capacidade de desarme pelo chão, até porque é rápido e agressivo a atacar a bola, ainda que, em algumas situações, se revele demasiado impetuoso na abordagem aos lances, o que o leva a realizar algumas entradas mais duras. Apesar de não se tratar de um central muito alto (1.83), revela bons argumentos no futebol aéreo, principalmente do ponto de vista defensivo, demonstrando também capacidade nas saídas para ataque, ao tirar partido da sua boa visão de jogo e capacidade de passe. Marcos Rojo, um central argentino muito promissor, ainda está a adaptar-se ao futebol europeu e denota algumas deficiências na abordagem aos lances, o que faz com que seja duro e algo faltoso. No entanto, é um jogador forte e muito disponível do ponto de vista físico, muito agressivo a atacar a bola – o que lhe permite efectuar várias recuperações em acções de antecipação – e com bons argumentos no desarme, tanto pelo chão como pelo ar, até porque apresenta bons atributos no jogo aéreo: não só no capítulo defensivo, mas também a dar sequência ofensiva a lances de bola parada. Central de processos simples e práticos, não costuma assumir acções de risco em zonas proibidas e opta, quase sempre, por saídas curtas.

– O versátil Aleksandr Sheshukov, capaz de desempenhar as funções de defesa central ou médio defensivo, surge como principal opção de recurso para as duas posições. Dotado de um bom sentido táctico e posicional, o que lhe garante o corte de várias linhas de passe e competência a realizar compensações, mostra-se também muito disponível do ponto de vista físico e agressivo na abordagem aos lances, o que lhe permite impor-se em acções de desarme e de antecipação, tanto pelo chão como pelo ar. Capaz de assumir as saídas para ataque, mostra-se mais eficaz no passe curto do que no médio e no longo, mas não costuma assumir acções de risco em zonas proibidas.

Rafael Carioca, jovem internacional sub-20 brasileiro, costuma assumir o papel de médio mais recuado. Revelado pelo Grêmio de Porto Alegre, onde se assumiu como uma das revelações do Brasileirão 2008, regressou, em Janeiro de 2011, a Moscovo, depois de um empréstimo bem sucedido ao Vasco da Gama. Contudo, está longe de se tratar de um «6» puro, o que faz com que perca, diversas vezes, posição e dê algum espaço aos adversários em posições centrais. No entanto, mostra-se muito disponível do ponto de vista físico, o que o leva a percorrer inúmeros espaços ao longo do jogo, como também evidencia argumentos para se impor na antecipação e através do desarme pelo chão, até porque é rápido a atacar a bola. Com capacidade para assumir as saídas para ataque, consegue criar desequilíbrios no um para um em espaços curtos, ao tirar partido da sua agilidade – roda bem sobre os adversários – e argumentos no drible curto, como também revela argumentos interessantes no capítulo do passe – principalmente curto, mas também médio em direcção aos flacos -, ainda que, em algumas situações, acabe por tomar decisões de risco excessivo na 1ª e, sobretudo, na 2ª fase de construção, denotando algum excesso de confiança. O seu principal apoio é Ibson, antigo jogador do FC Porto, médio que rumou, em Julho de 2009, ao Spartak Moscovo, depois de uma experiência muito bem sucedida no Flamengo. Fulcral a garantir os equilíbrios defensivos, até por revelar uma maior maturidade táctica e posicional em relação a Rafael Carioca, mostra eficácia em acções de antecipação e no desarme no chão, mas destaca-se, sobretudo, pela sua capacidade ofensiva, já que evidencia qualidade a assumir acções de condução, tanto em ataque organizado como em ataque rápido, ao tirar partido dos seus bons argumentos de ordem técnica, e facilidade a fazer a bola circular, explorando a sua boa visão de jogo e qualidade no passe: curto em zonas centrais; médio em direcção às alas. Muito móvel e disponível do ponto de vista físico, percorre inúmeros espaços ao longo do jogo e procura criar linhas de passe, para além de revelar facilidade a protagonizar acções de desmarcação sem bola, o que lhe permite aparecer em posições de finalização de forma a tirar partido do seu remate de pé direito.

– O internacional brasileiro Alex, antiga estrela do Internacional de Porto Alegre, assume o papel de unidade mais criativa do sector intermediário e é o jogador mais determinante do Spartak. Tecnicamente muito evoluído, o que lhe permite definir, com facilidade, a um-dois toques, revela-se fundamental a protagonizar acções de condução – não promove grandes acelerações com bola, mas cria desequilíbrios no um para um em espaços curtos – e organização de jogo ofensivo, muitas vezes a partir da 2ª ou do início da 3ª fase de construção de jogo ofensivo, o que lhe permite lançar vários ataques rápidos. Muito forte no capítulo do passe – principalmente curto, mas também médio e longo – e astuto a ler as movimentações e desmarcações dos seus colegas de equipa, sabe gerir e definir os ritmos da partida e, sobretudo, é muito forte a variar o centro do jogo em direcção às alas, a desenvolver tabelas e a realizar passes de ruptura entre a 3ª e a 4ª ou em plena 4ª fase de construção, o que lhe permite efectuar várias assistências para situações de finalização. Especialista na execução de lances de bola parada, indirectos ou directos, mostra também grande capacidade no remate com o pé esquerdo na sequência de lances de bola corrida, principalmente à entrada da área. Apesar das suas características marcadamente ofensivas, não se nega a trabalho defensivo, mostrando um bom sentido posicional e táctico, o que lhe permite cortar várias linhas de passe.

– Nas alas, o internacional irlandês Aiden McGeady, à direita, e Dmitri Kombarov, à esquerda, são os habituais titulares. McGeady, antiga estrela do Celtic, chegou, em Agosto de 2010, ao Spartak, produzindo impacto imediato, ao ponto de ser considerado o 2º melhor extremo direito da Liga russa 2010. Capaz de utilizar os dois pés – o direito é o que melhor define -, a sua velocidade, agilidade e poder de aceleração permitem-lhe criar inúmeros desequilíbrios no um para um, até porque é muito agressivo a partir para cima dos adversários e apresenta uma boa capacidade de drible, ainda que, em algumas situações, acabe por se exceder em iniciativas individuais e acabe por perder objectividade. No entanto, revela-se capaz de ganhar a linha de fundo, de onde é capaz de tirar bons cruzamentos, como também evidencia muito bons argumentos a protagonizar movimentos em diagonal, procurando a baliza através de remates com ambos os pés – de dentro ou de fora da área – ou efectuando passes de ruptura, que estão na origem de várias assistências para situações de finalização. Dmitri Kombarov, irmão gémeo de Kirill Kombarov, está a ser protagonista de um bom arranque de temporada e poderá, a breve prazo, chegar à Selecção AA, depois de um bom trajecto nos Sub-21. Muito disponível do ponto de vista físico, funciona, em momento defensivo, praticamente como um segundo lateral esquerdo, mas destaca-se, sobretudo, pela capacidade para produzir desequilíbrios do ponto de vista ofensivo: rápido, ágil, muito móvel e objectivo, mostra-se capaz de assumir acções de condução de jogo sobre o flanco, combinando argumentos no capítulo do passe, o que lhe permite fazer várias aberturas desde o flanco até ao centro do ataque, como também um bom poder de desmarcação na sequência de movimentos em diagonal, para depois tirar partido do seu bom remate de pé esquerdo, dentro da área ou à entrada desta. É, igualmente, um bom executante de lances de bola parada, mas a presença de Alex no «onze», retira-lhe protagonismo nesse capítulo.

– Para além de Aleksandr Sheshukov, principal alternativa para o meio-campo defensivo, Karpin tem à sua disposição três jovens muito promissores para serem lançados a partir do banco: é o caso de Jano Ananidze, a grande promessa do futebol da Geórgia, presença regular, com apenas 18 anos, na Selecção AA do seu País, capaz de actuar como médio ofensivo ou mais aberto sobre a ala esquerdo; do jovem croata Filip Ozobić, de 19 anos, médio ofensivo ou ala direito; e de Pavel Yakovlev, internacional Sub-21 russo, de 19 anos, extremo ou falso avançado. Três jogadores ainda em fase de maturação, mas muito talentosos e capazes de agitarem o jogo a partir do banco, até porque possuem características similares: são velozes, ágeis, dotados de argumentos no drible e têm sentido de baliza.

O brasileiro Welliton, melhor marcador da Liga russa em 2009 e 2010, período em que somou 40 golos em 53 jogos, é a principal referência ofensiva da equipa. Extremamente perigoso em estratégias que privilegiem ataques rápidos, trata-se de um avançado extremamente rápido, ágil e muito móvel, que não gosta de se dar à marcação e parte, habitualmente, de espaços exteriores em direcção à área, tirando partido do deu poder de aceleração e da sua capacidade de desmarcação, muitas vezes no limite do fora-de-jogo, e bons argumentos no capítulo do drible. Muito oportuno em zona de finalização, revela grande frieza no um para um com o guarda-redes adversário, como também sabe ganhar posição aos defesas adversários, mostrando facilidade a definir com ambos os pés – o direito é o mais forte – e através do jogo aéreo, tirando também partido do seu poder de impulsão, o que compensa a falta de centímetros (1.75). Muito disponível do ponto de vista físico, mostra-se também capaz de funcionar como «pivot», promovendo tabelas com os médios ofensivos, e de fazer aberturas do centro em direcção aos flancos, quase sempre na sequência de movimentos de rotação, uma das suas especialidades.

– Artem Dzyuba, possante avançado russo – 1.94/91 –, de 22 anos, revelado nas escolas do Spartak, e o brasileiro Ari, que se destacou no futebol sueco (Kalmar) e holandês (AZ Alkmaar) são as outras opções ofensivas. Dzyuba, jogador que sente mais confortável num esquema com dois avançados do que como unidade solitária de ataque, trata-se de um jogador agressivo e muito forte no capítulo físico, o que lhe permite jogar de costas para a baliza e proteger a bola com o corpo, mas também com sentido de baliza, pois, apesar da sua estrutura física imponente, revela-se móvel e astuto a desmarcar-se, o que lhe permite aparecer, com grande sentido de oportunidade, em zona de finalização, de forma a tirar partido do seu bom jogo aéreo e argumentos no remate com o pé direito. Ari, por sua vez, pode actuar no centro do ataque, como segundo avançado ou a partir de uma das alas: é um jogador forte do ponto de vista físico, perspicaz a desmarcar-se, oportuno a aparecer em zona de finalização e astuto a ganhar posição aos defesas adversários, procurando visar a baliza através de remates com o pé direito e através do jogo aéreo.

 

Os últimos 5 jogos oficiais do Spartak Moscovo

 

02-04-2011, Liga, Kuban (f), 1-3 (D) – 4x4x2

 
Kuban vs. Spartak Moscovo

21-03-2011, Liga, Volga (c), 1-0 (V) – 4x4x2

 
Spartak Moscovo vs. Volga

17-03-2011, Liga Europa, Ajax (c), 3-0 (V) – 4x2x3x1

 
Spartak Moscovo vs. Ajax

14-03-2011, Liga, Rostov (f), 0-4 (D) – 4x4x2

 
Rostov vs. Spartak Moscovo

10-03-2011, Liga Europa, Ajax (f), 1-0 (V) – 4x2x3x1

 
Ajax vs. Spartak Moscovo (1)

Aos 57 minutos, logo após se ter colocado em vantagem no marcador, através de um golo de Alex, Karpin abdicou do médio centro (Ibson) e lançou um avançado (Welliton), passando do 4x2x3x1 para o 4x4x2.

Ajax vs. Spartak Moscovo (2)

 

Multimédia: Os últimos 5 jogos oficiais do Spartak Moscovo

 

 

foto de abertura © Demotix Images


Rui Malheiro

 
analista de futebol, scout e autor. freelancer. escreveu Anuário do Futebol 2008/09 e Anuário do Futebol 2009/10.